
o último.
o debaixo da lua representa 3 anos e meio da minha vida registados em áudio, onde na enorme maioria das vezes apenas precisei de ligar o microfone e falar de coisas da minha vida. houve episódios em que comecei ofegante e acabei calma; houve episódios em que disse muitos mais palavrões do que a minha mãe se orgulha; houve episódios em que chorei e continuei; houve episódios em que acrescentei zero coisas úteis à vida de quem me ouviu; houve episódios de 30 minutos, de um hora e de uma hora e meia; houve episódios em que falei da minha terapia e que foram terapêuticos; e todos eles foram muito fiéis a quem sou: uma parva profunda que recorreu sempre às palavras para se estruturar.
contudo, nós mudamos. como diz a maro, “seeing life different with same old eyes”. estes olhinhos pedem agora silêncio e contemplação, mais escuta e menos palavras. como tal, ter um podcast já não cumpre os requisitos mínimos daquilo que mais me faz sentido no momento.
não serei a única que sente necessidade de encontrar prazer no tédio, pelo que vos desafio a substituírem a hora diária que dedicavam ao debaixo da lua a um ato de puro vazio. talvez estejamos todos a precisar de parar, de ouvir mais - de nos ouvirmos mais.
“if you can only see 5 colors, you’re blind.
if you can only hear to 5 tones of music, you’re deaf”.
hoje é assim:
“sejam bem-vindos e bem-vindas ao centésimo quadragésimo quinto e último episódio do debaixo da lua!” 💙🌕
obrigada.