Logon é a revista online da Escola da Rosacruz Áurea. LOGON explora uma nova perspectiva do desenvolvimento do ser humano e das mudanças na sociedade do século 21, que emergem na arte, na ciência e na religião. Visite nosso site: www.logon.media/pt-br
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É POSSÍVEL UMA PAZ PERMANENTE?Um olhar sobre a história do mundo revela uma série interminável de conflitos entre comunidades, cidades, povos e países, que resultaram em guerras, violência, sofrimento e desprezo pela vida. Externamente, muitos desses conflitos são travados em nome de interesses políticos e econômicos, nacionalismos, ideologias, religiões e preconceitos.Até mesmo em nome da paz e do desenvolvimento, vastos impérios foram construídos por meio de uma força central dominante, mas que sempre resultaram em uma paz efêmera. Inauguram-se monumentos à paz e, no entanto, os mesmos conflitos ressurgem alguns anos depois.Freud, em sua carta a Einstein, em 1932, afirmava que o principal impulso que leva o homem à guerra é o seu desejo natural de agressão. Segundo ele, a inclinação à hostilidade entre os homens — que se manifesta em todo lugar e constitui o maior obstáculo à civilização — é um fato psicológico fundamental. Mesmo que todas as dificuldades políticas e econômicas fossem resolvidas, ainda assim subsistiria essa tendência humana a se destruir e a se humilhar mutuamente. Freud dizia que esses dois instintos — o de vida (Eros) e o de morte ou destruição (Thanatos) — estão em perpétuo conflito e entrelaçamento.Nesse contexto, Krishnamurti afirmava que era fundamental não apenas promover uma mudança no mundo exterior, mas também realizar uma revolução psicológica total, interiormente. Esse conflito interior é muito mais complexo — e é a raiz dos conflitos exteriores. Tal transformação traria, de modo natural e inevitável, uma mudança na estrutura social, em nossos relacionamentos, em toda a nossa atividade.A pergunta inicial que propomos conecta duas tradições filosóficas profundas: o pensamento hermético e o pensamento de Heráclito, que tratam do conflito entre opostos, mas de maneiras diferentes.Freud se aproxima da visão de Heráclito, que dizia que o mundo é feito de conflito — e que esse conflito é necessário e eterno. Assim, não há criação sem destruição, nem saúde sem doença, nem justiça sem injustiça.Para Heráclito, os opostos não são um problema a ser superado, mas a própria realidade da vida.Krishnamurti converge para a ideia hermética, que valoriza a unidade essencial do Ser — liberto dos opostos — e que retorna à consciência divina, onde tudo é um.Enquanto, para Heráclito, sem conflito não há movimento; sem oposição, não há identidade. O conflito é, para ele, a origem da realidade. É o que move o mundo, gera transformação. As coisas se definem pelo seu oposto.O pensamento hermético, por sua vez, aponta para a possibilidade do fim de todo conflito, uma vez que vê o mundo dual (luz/sombra, bem/mal, eu/outro) como um estado caído da consciência.Para essa tradição, o mundo material — cheio de conflito, morte, limitação e oposição — é visto como uma ilusão ou prisão espiritual. E o objetivo da alma é, portanto, retornar à Unidade, transcendendo os opostos.Diante dessas visões, somos levados a reconsiderar a própria noção de paz. Seria ela a ausência de conflito — como deseja o pensamento hermético — ou a aceitação consciente de sua inevitabilidade — como propõe Heráclito?Se Freud nos alerta para a força dos instintos destrutivos, e Krishnamurti aponta para a urgência de uma transformação interior, talvez a resposta não esteja em uma utopia externa, mas em um caminho de autoconhecimento, no qual reconhecemos os opostos em nós mesmos.A paz permanente, então, pode não ser um estado definitivo, mas um processo dinâmico de integração entre os contrários — uma busca contínua por equilíbrio entre Eros e Thanatos, entre luz e sombra, entre o mundo como ele é e o mundo como poderia ser.Assim, a pergunta “É possível uma paz permanente?” permanece em aberto — não como um desafio a ser solucionado definitivamente, mas como um convite à construção de uma consciência que transcenda o conflito, sem negar sua presença no coração da existência.Imagem: sanfengshan Pixabay
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