
O artigo "O Natal Tropical e a Alma Exilada" apresenta uma análise arquetípica da trilha sonora natalina brasileira, empregando conceitos da psicologia de James Hillman para abordar a dissonância cultural. O texto argumenta que a insistência em cantar sobre neve e lareiras no calor de 35 graus é uma quebra da Anima Mundi, resultando em uma perda de contato com a própria paisagem e uma espécie de adoecimento da alma. A canção "Então é Natal" é examinada como o Senex, ou o juiz interno rígido, que impõe uma pesada melancolia saturnina e a necessidade de prestação de contas no fim do ano. Por outro lado, a tradicional "Noite Feliz" cumpre uma função psíquica vital, oferecendo um espaço de silêncio e sombra (o submundo) necessário em meio ao barulho comercial e à confraternização forçada. Essa bagunça sonora reflete o politeísmo psíquico interno, e a conclusão do autor sugere que a aceitação dessa confusão e contradição climática e musical é a maneira mais autêntica de viver a complexidade do Natal tropical.