O programa Ecclesia aborda hoje o II Encontro Sinodal Nacional que reúne em Fátima responsáveis dos vários organismos católicos para avaliar o último ano e definir implicações pastorais dos processos de escuta em curso.
O encontro vai desenvolver o tema geral ‘Da escuta à missão:espiritualidade sinodal e implicações pastorais’ e pretende ser um momento de partilha sobre a implementação das orientações do Documento Final, publicado em outubro de 2024, resultado do processo conduzido na Igreja católica entre 2021-2024.
Esta manhã vamos conversar com Clara Palma, da diocesede Beja, que naquele território tem desde a primeira hora, acompanhado a escuta, a proposta e a implementação deste processo que diz, é transformador da ação e da presença da Igreja.
Tony Neves, no Leste dos Camarões‘Volta à África central em quatro subidas e aterragens’ podia ser um bom título de crónica, pois a Visita aos Camarões começou pela oportunidade de ver do céu, no mesmo dia, a beleza e a dimensão das capitais da RCA, Togo, Guiné Equatorial e Camarões. Foi um dia inteiro passado entre salas de embarque e assentos de aviões. Tudo isto porque se impunha ir de Bangui a Yaoundé e esta foi a melhor proposta de viagem em cima da mesa na hora de comprar bilhetes.As vistas aéreas têm para mim um fascínio especial. Mostram o panorama geral com rios a serpentear florestas, mares que invadem terra firme, verdes que mostram um futuro ecológico de esperança. 223 kms separam Yaoundé de Abong Mbang. O P. Daniel, espiritano em Lomié, levou-me por uma estrada cheia de bananeiras, mandiocais, milho e toda a espécie de frutas tropicais. Impressionou-me Awae, com toneladas de ananases à venda ao longo da estrada. Chegados a Abong, começou o calvário, com uma estrada de terra batida de 126kms de poeira laranja que pareciam ser eternos. Chegados a Lomié, aguardava-nos a grande celebração da passagem de ano, uma Missa com a Igreja à pinha que, ao bater as badaladas da meia noite, entrou em delírio de ação de graças, pois era esse o momento que se celebrava na Eucaristia. A festa continuou noite dentro e, de manhã, voltamos à Igreja para a Missa de Santa Maria Mãe de Deus e do Dia Mundial da Paz.Lomié é também terra de pigmeus que vivem em casas feitas em proporção com o seu reduzido tamanho. Trata-se de povos autóctones, sempre desprezados ao longo da história.A viagem de Lomié para Bertoua deveria ter demorado umas cinco horas e chegou ao destino ao fim de um dia e meio! Saímos às cinco da manhã e o carro da Missão parou às 6h! Conseguiu-se um mecânico que desmontou o eixo e partiu de mota à procura de uma peça, enquanto fiquei guardado pelo chefe da aldeia de Bapilé, a quem todos tratam por ‘sa magesté’. Seis horas depois, regressamos à picada para nova avaria kms à frente! Aí não havia aldeias nem rede de telemóvel. Aguardamos que alguém passasse. Conseguimos contactar um mecânico que exigiu peça que só se encontrava na cidade. Eu e o P. Daniel apanhamos boleia e ele, por caridade, foi-me confiar aos cuidados do pároco da catedral, onde fiquei.A noite passada no presbitério da catedral de Abong Mbang foi corrida, quente e com a constante picada de mosquitos. Cedo saí para reencontrar o P. Daniel que me levou ao terminal rodoviário, expressão técnica para falar de um terreiro onde param e de onde arrancam transportes públicos de todos os tamanhos. Ali se negociou um lugar numa Toyota Hiace que devia fazer os 108 km que conduzem à grande cidade de Bertoua. A carrinha deve ter atingido o fim da linha na Europa, chegou cá como nova e leva 15 ou mais pessoas, com carga em cima e dentro, produtos de toda a espécie. Chamou-me a atenção um autocolante diante de mim: ‘Allah is the first one’… uma boa notícia, o chauffeur é muçulmano, não bebe! Também havia autocolantes do Barcelona, o que foi bom pretexto para abrir conversa.
Angola atravessou a vida do Frei Mário Rui: as pessoas, aspaisagens, a comida. O primeiro ano que passou em Waku Kungo, no Quanza Sul, foi ainda em contexto de guerra, numa vida quase insular, cercada por militares, mas onde a presença de quem nunca sai foi afirmada, porque permanece para partilhar a vida junto da população.
Se a missão e o país africano foram surpresas na vida deste Frei dominicano, da Ordem dos Pregadores, também a vocação se apresentou de forma inaugural, depois de ter assumido na sua vida a importância do carisma de SãoDomingos.
A pregação, o estudo e ensino da Teologia apareceram na sua vida quando saiu de Estremoz para estudar Gestão Empresarial, em Lisboa, e o destino encaminhou-o para uma residência, da responsabilidade dos Dominicanos.
O estilo de vida comunitário, mas em especial o diálogoentre vida e oração, abriram novas perspetivas crentes ao jovem leigo, desenvolvidas depois com os grupos de Reflexão Teológica com Jovens, nos anos 80.
Regressado a Angola em 1996, o projeto do Mosaiko –Instituto para a Cidadania tem concretizado a marca Dominicana naquele país: a par do trabalho pastoral, trabalhar pela cidadania e pelos direitos humanos tem sido a concretização de que a transformação acontece pela motivação das pequenas comunidades.
D. Nuno Brás, vice-presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), considera que Portugal mantém um papel “sensato” e de construtor de “pontes”, 40 anos após a sua integração comunitária. “Como está fora do clube dos grandes, [Portugal] pode falar. É visto como alguém sensato, que pode ser escutado e cujo contributo serve para fazer pontes”, disse o bispo do Funchal, em entrevista à Agência ECCLESIA.
A 1 de janeiro de 1986, Portugal e Espanha tornaram-se Estados-Membros das antigas Comunidades Europeias, na sequência do Tratado de Adesão assinado a 12 de junho de 1985.
As Nações Unidas designaram este ano que começa como Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável. Quer esta proposta reconhecer e promover o papel do voluntariado formal e informal na concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e no reforço da coesão social, tendo escolhido como tema «Toda a Contribuição Importa».
Poderia este também ser o resumo de um ano de vida de Francisca Aguiar, em São Tomé e Príncipe - foi leiga para o desenvolvimento ou seja durante o ano de 2021/2022 foi enviada pela organização não governamental para o desenvolvimento para contribuir num projeto «Bairro Limpo» e ajudar uma comunidade.
Há um ano o Papa Francisco abria a porta santa no Vaticano convocando todos para a celebração de um tempo na Igreja que favorecesse a oração, o perdão, a solidariedade para com pobres, com os doentes, prisioneiros e migrantes, e um esforço pela paz. Nesta manhã pedimos o olhar do arcebispo de Évora sobre este ano, sobre as propostas que este Jubileu lançou, sobre a sua concretização, mas também sobre este tempo de sinodalidade, de início de pontificado do Papa Leão XIV, para os desafios em que os cristãos continuam a caminhar.
Tony Neves, nos Camarões
Há viagens estranhas em que a distância menor entre dois pontos é quase dar a volta ao mundo! Sim, para viajar da capital da República Centro Africana até à capital dos Camarões (que são países vizinhos), a proposta mais barata é fazer uma escala na capital do Togo e outra na Guiné Equatorial! Assim aconteceu dia 30, ainda em tempo natalício, embora os ouvidos me tenham provado que isto de aterrar e levantar três vezes no mesmo dia não é bom para o corpo!
Para trás ficaram quase três semanas de visitas, encontros e celebrações que me marcaram profundamente, tal a alegria que encontrei nas vidas dos missionários e do povo que com eles partilham o dia a dia. Tudo isto é ainda mais fascinante, se atendermos às inúmeras dificuldades e perigos que enfrentam constantemente. Por isso, sobre as viagens, encontros, celebrações e curiosidades desta visita à RCA, escreverei crónica lá mais adiante. Agora que aterrei nos Camarões, é aqui que foco as minhas partilhas.
Encontrei uma capital cheia de vida e rebuliço, com um trânsito infernal e muita gente na rua. Pensei que era por causa das compras do fim do ano, mas garantiram-me que é sempre assim, todos os dias, sem exceções! O país teve eleições recentemente e, após a publicação dos resultados, entrou em caos, como quase sempre acontece quando os atos eleitorais não parecem ser muito transparentes e os resultados não são reconhecidos por quem é declarado derrotado. A democracia não consegue forçar ritmos nem ganhar raízes profundas andando a alta velocidade. Razão tem o poeta espanhol que diz: ‘caminhante, não há caminho! O caminho faz-se a andar!’.
No dia em que assinala o encerramento do Ano Santo nas dioceses de todo o mundo, a nossa reportagem foi ao encontro de vários responsáveis portugueses para avaliar o impacto do Jubileu na vida das suas comunidades. Um caminho de esperança, que mobilizou milhares de pessoas, em momentos de oração e de solidariedade.
Tony Neves, em Bangui - RCA
Bangui assusta ao chegar, mas abraça ao partir. O aeroporto ainda obriga a imaginar os tempos duros da guerra civil: velho, abandonado, tórrido, em obras de recuperação que ninguém sabe quando vão terminar. Mas – dizia-me um ancião – que no tempo da guerra, o aeroporto acolheu refugiados e, quando aterrava um avião, viam-se barracas em todo o lado, pessoas na pista, militares a controlar tudo e todos. Agora, os tempos são mais calmos, o país tenta reinventar-se, mas o progresso continua muito estagnado, com alguma agitação de tempos a tempos provocada por campanhas eleitorais, como a que iniciou dia 14 de dezembro, a seguir à minha chegada. Continua a ser verdade que nenhuma operadora aérea internacional aceita aterrar de noite em Bangui, nem permite que algum avião ali ‘durma’.
Causa-me sempre um grande impacto a primeira viagem a um país nunca dantes visitado, que é a que me leva do aeroporto à Casa Principal dos Espiritanos. Bangui não foi exceção, com o atravessar uma cidade cheia de motos e povo, comércio em todos os passeios, com muitos jovens e crianças na rua, pois era a hora de sair da escola e regressar a casa.
‘Este país é rico demais para que nos deixem em paz!’ – ouvi isto da boca de muitas pessoas, pois é convicção partilhada que os diamantes e o ouro são riqueza para uns quantos e são de sangue e lágrimas para a maioria da população, obrigada a sobreviver muito abaixo de um nível de vida humanamente aceitável.
Os Espiritanos chegaram a estas terras em 1894 e nunca mais daqui saíram. Hoje continuam a viver e trabalhar em boa parte das Dioceses (em cinco de nove) com compromissos nas áreas da pastoral direta, da educação, saúde, desenvolvimento e compromissos sociais. Dos 23 Espiritanos centro africanos, apenas dez trabalham na RCA. Os restantes 13 dividem-se pelo Gabão, França, Guiné-Bissau, Congo-Brazzaville, Camarões e Seicheles. 15 Espiritanos de outros países, vivem e trabalham neste país que é coração do continente. Todas as Comunidades Espiritanas são internacionais. Há 16 jovens em formação.
A vida de uma criança que nasce é um campo aberto derenovação e um tempo privilegiado para dar colo, segurança e amor ao bebé e à família que se renova com o nascimento. Assim entende Cristina Maltês que há mais de 20 anos está ligada ao Banco do Bebé, instituição sediada na MaternidadeAlfredo da Costa, em Lisboa.
Fisioterapeuta de formação, apaixonou-se pelo voluntariadojunto de mães e bebés que ajuda e aprende a cuidar, procurando fazer acreditar que cada nascimento é uma oportunidade para o mundo. A fragilidade económica,tantas vezes acompanhada de fragilidade emocional, fez estender a ação do Banco do Bebé ao apoio domiciliário, formando, acompanhando, auxiliando na capacitação de mães, de famílias.
Em locais que desconhecia, em casas partilhadas por váriasfamílias, em idiomas que aprendem a cuidar, Cristina Maltês confirma o compromisso social e humano que esteve na génese do seu crescimento, com os valores éticos de um pai ateu e o compromisso social da mãe nascido da fé, queconduziu Cristina às perguntas, à ação e à renovação, ao longo dos anos, da sua relação com Deus.
Na última conversa do ciclo de Advento promovido pela Agência ECCLESIA, o padre Nuno Santos afirma que a vivência do Jubileu e do Natal exige a abertura da “porta do coração” e a coragem de perdoar. “A maior porta santa, neste ano de jubileu, é a do nosso coração, e a esperança só é real quando é partilhada”, declarou o reitor do Seminário Maior de Coimbra.
Esta reflexão encerra o ciclo de conversas de Advento com o padre Nuno Santos, que nas semanas anteriores abordou a “criatividade e coragem para viver em contramão”, o combate ao “individualismo” e a necessidade de “andaimes espirituais” para vencer as ilusões.
A poucos dias da celebração do Natal, a reportagem daEcclesia foi ao interior do país para descobrir na aldeia de montanha de Cabeça, a poucos quilómetros de Seia a construção de uma projeto comunitários que há 13 anos envolve os habitantes.
A aldeia natal transforma Cabeça nesta altura, mas não setrata apenas de um postal ilustrado que chama visitantes e multiplica a população por estes dias. É a partir de tudo o que envolve esta aldeia de xisto que o Natal ali se vive, onde as tradições religiosas são preservadas a par da sustentabilidade do território.
O jornalista Henrique Matos foi conhecer este local, habitado durante o ano por 95 pessoas.
Tony Neves, em Bangui – RCAÉ quase Natal e aterrei em Bangui, a capital da República Centro Africana (RCA). No coração da África, este país francófono ainda anda à procura da estabilidade e da reconciliação nacional, tão importantes como urgentes, para a construção de um Estado de direito.A grande figura da RCA é o Cardeal Dieudonné Nzapalainga, Arcebispo de Bangui. Missionário Espiritano, nasceu em Bangassou (1967), estudou nos Camarões e no Gabão, concluindo a sua Teologia em Paris. Os primeiros anos da sua vida missionária aconteceram em França, onde trabalhou na Obra de Auteuil, com crianças e jovens com vidas em risco.2012 é o ano do maior desafio da sua vida: foi nomeado Arcebispo de Bangui, num período particularmente violento da história do seu país. Liderou iniciativas muito arriscadas, como a da Plataforma Inter-Religiosa para a Paz, que o fez percorrer um país em guerra civil para, juntamente com o líder muçulmano e o líder protestante, apelar e sensibilizar para a urgência da reconciliação nacional. Estas múltiplas intervenções em contexto de violência extrema dão esperança e futuro a este povo que habita o coração da África e angariaram-lhe o título de ‘Cardeal coragem’. Inspirados nele ou sobre ele, foram escritos livros e feitos filmes. Tem percorrido o mundo a fazer conferências e a dar entrevistas. Tudo – diz ele – em nome da paz.
«O que torna a sociedade possível?» foi a pergunta cimeiraque desinquietou Pedro Góis e o reteve no estudo da Sociologia. Cedo percebeu que sem conhecer as pessoas a investigação seria estéril e isso levou-o, em anos iniciais, a conhecer a hospitalidade cabo-verdiana do Bairro 6 de Maio, a entrar em casas de zinco, em cheiros de cachupa e sons comunitários. O acolhimento recebido na periferia de Lisboa reconhece-o também em outras geografias: num português que acolhe um desconhecido nas ruas de Paris, num vendedor de castanhas nas ruas em Bruxelas, mas também nos Evangelhos que opta por escutar a cada semana onde encontra desafios para a humanidade.
Pedro Góis cultiva a descrição e a incisão das palavras: «’Odiscurso polarizado é uma tática política e, se pensarmos bem percebemos que não é uma solução’; ‘Não havia lugar para eles na estalagem, mas mesmo assim encontramos um espaço. Foi um espaço que se tornou digno, que não era próprio, mas que se tornou digno. E essa é a mensagem’; ‘A imagem da «Última Ceia» é uma metáfora magnífica’».
A área das migrações chamaram o Professor de Coimbra paradiretor científico do Observatório, local onde procuram, através da educação, da observação e da análise, contribuir para a elaboração de políticas públicas que gerem melhor integração, mais entendimento sobre comunidades e influenciar gerações para o diálogo e o conhecimento.
Conversamos com Ricardo Vara Cavaleiro, advogado e voluntário, na diocese de Aveiro, no Estabelecimento prisional, para perceber o trabalho necessário para a sensibilização das comunidades para arealidade prisional, mas ajudando quem está privado de liberdade para entender esse tempo, como "um tempo para Deus”.
O reitor do Seminário Maior de Coimbra desafiou os cristãos a “desmontar ilusões” e erguer “andaimes” de esperança baseados nas relações e na natureza, na caminhada para o Natal. “A primeira coisa é desmontar ilusões. Há muitas ilusões, que tudo acaba depressa, que o mal vai desaparecer, que a guerra acaba. Quando se vendem ilusões, rapidamente recolhemos desilusões”, afirmou o padre Nuno Santos, convidado da série de conversas de Advento da Agência ECCLESIA.
Tony Neves, em RomaO Concílio Vaticano II aprovou uma Declaração sobre a Educação Cristã, a 28 de outubro de 1965. 60 anos depois, o Papa Leão publicou a Carta Pastoral ‘Desenhar novos mapas de Esperança’, quando o mundo vive ‘num ambiente educativo complexo, fragmentado, digitalizado. (…). Desde as suas origens, o Evangelho gerou ‘constelações educativas’: (…).. Estas foram, na tempestade, âncora de salvação; e na bonança, vela desdobrada. Farol na noite para guiar a navegação’ (1.2).O direito de todos à Educação é uma das palavras-chave do texto conciliar que permanece atual: ‘‘Perante os muitos milhões de crianças no mundo que ainda não têm acesso à escolaridade primária, como podemos não agir? Perante as dramáticas situações de emergência educativa provocadas pelas guerras, pelas migrações, pelas desigualdades e pelas diversas formas de pobreza, como não sentir a urgência de renovar o nosso compromisso?’(1.3).Diz o Papa Leão que ‘a educação cristã é uma obra coral: ninguém educa sozinho. A comunidade educativa é um ‘nós’ onde o professor, o aluno, a família, o pessoal administrativo e de serviço, os pastores e a sociedade civil convergem para gerar vida. Este ‘nós’ impede que a água estagne no pântano do ‘sempre se fez assim’ e obriga-a a correr, a nutrir, a irrigar’ (3.1).
Mais de 12 mil cirurgias, olhar e mãos de médico cirurgiãopediátrico que perduram além dos 47 anos de profissão – hoje, aos 95 anos de vida, António Gentil Martins continua a apontar que mais importante do que qualquer número são as vidas e os pacientes que tratou.
A medicina cruzou a sua vida – não só a tradição familiar, mas aquele homem acidentado, no seu percurso quando aos 12 anos ia para a escola, ainda hoje confirma que a sua vocação era a certa, que fazer o possível para ajudar seria a sua forma de vida.
Hospital Dona Estefânia, Instituto Português de Oncologia,em Lisboa, consultório, foram contextos de foco no paciente, de persistência no tratar, tantas vezes inovando e levando consigo equipas constituídas para ensinar e aprender.
O seu percurso mostra os grandes números, no seu olhar reflete-se a imagem de cada paciente, e a carta que uma criança escreveu onde pediu que os pais fossem agradecer à equipa médica que o tratou – uma criança que morreu e não esqueceu quem o cuidou.
Hoje sem exercer, a sua única certeza que tem é que vai continuar a ensinar, quando o seu corpo for doado à ciência e através dele, futuros médicos possam errar, aprender e continuar a tratar.
A primeira relação que juntou Paulo Vitória e Duarte Martins foi a de professor/aluno. Mas as competências e ensinamentos que a disciplina de Educação Moral e Religioisa Católica saem muitas vezes das paredes da escola e revelam-se aquisições para o resto da vida.
Em Moura, paróquia da diocese de Beja, fomos descobrir a organização que os paroquianos fazem a cada ano em torno da Coroa de Advento. Não se trata apenas de um objeto para ornamentar a mesa de natal, mas sim um projeto que envolve a paroquia, ajudar a criar comunidade, e ajuda a levar mais longe a mensagem central deste tempo litúrgico.