
Acabado de chegar do Festival do Cairo e mesmo assim com uma insaciável sede de Cinema, Rodrigo Fonseca envia-me um SMS: “Vamos ver o Pasolini que passa no Nimas?”. A resposta foi afirmativa; duas horas depois de ter aterrado, lá estava ele, crítico de cinema de Bom Sucesso, à porta da sala, aguardando a minha chegada naquela tarde com cheiro a Inverno. Um abraço de saudade e partimos rumo ao inóspito: Tebas, romances edipianos e mendigos no fim da linha. “Édipo Rei” fora o filme escolhido para unir dois continentes cinéfilos. Depois, seguiu-se o jantar: uns relatos aqui, outros acolá. “Como foi o Cairo?”, ouve-se da minha parte. “E você? Como tem sobrevivido?”, devolve ele. Pedem-se crepes chineses, vaca à moda de Singapura, sopa de cogumelos, porco com bambu e, a acompanhar tudo, cerveja, pois claro! Clico no record: nasce um novo episódio de Bola Preta, com alguma saudade pelo meio — um reencontro entre amigos, irmãos de mães diferentes, de diferentes no planisférios e cinemas diferentes (nada de utopias aqui). “Temos de ser breves”, avisa, relembrando que o avião partirá pouco depois, rumo ao Rio de Janeiro. Secretismos à parte, a cinefilia tem algo de convívio.
“Polígrafo”
“Oliver!”, de Carol Reed, a adaptação do romance de Charles Dickens - Oliver Twist - venceu o Óscar de Melhor Filme em 1968, o antecessor desse prémio, do qual nenhum dos intervenientes da conversa recordava era “In the Heat of the Night” de Norman Jewison, com Sidney Poitier.