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Coluna Atílio Bari
Atilio Bari
99 episodes
2 days ago
Coluna Atílio Bari
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Episodes (20/99)
Coluna Atílio Bari
Por mais teatro em nossas vidas em 2026

Na última coluna de 2025, Atílio Bari reflete sobre o fim de ano como um tempo de pausa e retrospectiva. É o momento de revisitar desafios superados, conquistas, encontros e despedidas, além de repensar escolhas, acertos e tropeços ao longo do caminho. A vida, feita de percursos imprevisíveis, convida a esse olhar atento para o que foi vivido e para aquilo que ainda pode vir a ser.

O colunista destaca a atmosfera singular desse período, em que as luzes que enfeitam ruas e janelas parecem iluminar também as memórias e o interior das pessoas. Gestos simples ganham novos significados, renovam-se esperanças e fortalece-se a crença nas relações humanas e na possibilidade de um país melhor. O fim de ano surge, assim, como um convite à gratidão pelas oportunidades e pelas lições aprendidas, além da promessa simbólica de recomeço.

Por fim, Atílio ressalta o papel fundamental da arte na construção da sensibilidade e da humanidade, com destaque especial para o teatro. Arte milenar, capaz de reunir todas as outras, o teatro cria mundos imaginários que refletem a realidade, preservam memórias e ampliam horizontes. É por meio dele que nos reconhecemos, nos transformamos e exercitamos a humanidade em seu sentido mais profundo, reafirmando a importância de mantê-lo sempre vivo. Evoé!


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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1 week ago
3 minutes 37 seconds

Coluna Atílio Bari
A banalidade do mal e os tempos de paz

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo de Bosco Brasil, “Novas Diretrizes em Tempo de Paz”, em cartaz até fevereiro no Teatro Estúdio. A peça se passa em meados da década de 1940, quando terminaram, quase ao mesmo tempo, a Segunda Guerra Mundial e a ditadura de Getúlio Vargas. O personagem principal, Clausewitz, interpretado por Eric Lenate, é um judeu polonês que trabalhava como ator em seu país. Da Polônia ele escapa para Manchester, na Inglaterra, e lá consegue um visto para entrar no Brasil.

No Rio de Janeiro, Clausewitz começa a trabalhar em uma repartição pública, onde é submetido a um longo interrogatório por Segismundo, um colega de trabalho ranzinza, vivido por Fernando Billi. O polonês acaba lhe revelando os terríveis acontecimentos presenciados com a família e amigos, além de admitir a mentira que contou para ser aceito em solo brasileiro. Segismundo, autor de inúmeras atrocidades no passado de torturador a serviço da ditadura de Vargas, não se comove.

Nas palavras de Atílio: “Escancara-se a banalidade do mal, na figura daquele funcionário que se coloca como um mero cumpridor de ordens, sejam elas quais forem, a serviço de um estado autoritário e repressor”. Segismundo propõe, então, um desafio: se Clausewitz se sair bem, o ex-torturador permitirá que fique no Brasil. Caso contrário denunciará a mentira do ex-ator, que voltará imediatamente para a Polônia destroçada, no navio que já está apitando ali no porto.

Por fim, o colunista define a obra como “um convite à reflexão sobre a violência praticada pelos governos, os horrores das guerras e as desumanidades que as pessoas cometem, umas contra as outras”.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.


O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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2 weeks ago
5 minutes 20 seconds

Coluna Atílio Bari
Gerald Thomas e as catástrofes nossas de cada dia

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a peça “Sabius, Os Moleques”, em cartaz no Sesc 14 Bis até o fim de dezembro. Escrita e dirigida por Gerald Thomas, a trama é sobre um planeta Terra que sucumbiu à humanidade, cometeu suicídio e caiu de sua órbita em uma cratera de outro mundo.

Segundo Atílio, o espetáculo reafirma Thomas como um artista radical e que nunca deixa de surpreender. “Em Sabius, os Moleques, temos uma fábula inquietante, uma narrativa em que se misturam filosofia, crítica social e um questionamento corrosivo sobre os rumos da humanidade. É um teatro que não se destina a um mero entretenimento”.

Para o colunista, “a intensidade das imagens provoca o espectador, e acentua o inconformismo que o autor e diretor destila através do seu sarcasmo e da sua ironia, e do seu desencanto com os rumos da nossa civilização. Tudo era melhor no passado? E no passado do passado? Por acaso um pretérito mais que perfeito? E o futuro do futuro, o que será?”

Atílio Bari ainda cita a fase de grande efervescência criativa do diretor, que teve seu experimentalismo forjado no histórico teatro La MaMa, em Nova York, além de mergulhos na dramaturgia de Samuel Beckett e diversas montagens com a Companhia Ópera Seca. Outra peça dirigida por Thomas, “Choque – Procurando Sinais de Vida Inteligente”, estreou no Rio de Janeiro e, em breve estará num palco em São Paulo.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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3 weeks ago
3 minutes 59 seconds

Coluna Atílio Bari
O indecifrável poder do teatro para transformar

No episódio desta quarta-feira, Atílio Bari compartilha um momento íntimo que, em suas palavras, “reafirma o poder do teatro na vida das pessoas”. Espectador de apresentações de fim de semestre de um curso de teatro, o colunista relata o impacto que a quinta arte causou nos estudantes que sobem ao palco. Para além das técnicas de interpretação, “eles se tornaram, visivelmente, pessoas mais completas. Foram percebendo que estudar teatro não é simplesmente aprender a decorar falas ou subir num palco. É mergulhar em um universo de descobertas pessoais e coletivas. É olhar para dentro de si e perceber que cada emoção, cada gesto, cada palavra pode se tornar uma ponte para se conectar com o outro”, afirma Atílio.

Ele também explica o que o teatro exige de seus profissionais: disciplina, dedicação, coragem para os improvisos e perseverança para superar “o famoso frio na barriga, que, aliás, sempre existirá”.

O colunista conclui citando suas próprias memórias, em uma reflexão sobre a relevância do teatro para a humanidade como um todo. “Penso que as coisas seriam muito melhores se todo mundo tivesse a oportunidade de colocar o teatro na sua vida”, ele diz, sobre o teatro rigoroso, generoso, sensível e humano.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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1 month ago
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Coluna Atílio Bari
As vítimas da repressão em “Um Dia Muito Especial”

Na coluna desta quarta-feira (19), Atílio Bari comenta o espetáculo “Um Dia Muito Especial”, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso. No palco, Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall interpretam os protagonistas originalmente vividos por Marcello Mastroianni e Sophia Loren no filme de Ettore Scola, lançado em 1977.

A peça se passa em Roma, no dia 6 de maio de 1938, data em que Benito Mussolini e Adolf Hitler, que haviam firmado uma aliança política dois anos antes, desfilaram pelas ruas da cidade, acompanhados pelas massas. “Dentre todos os moradores de um modesto conjunto residencial de classe média, talvez média baixa, apenas duas pessoas não foram ver o desfile. Uma delas era uma dona de casa, ocupada em tirar da cama os seus seis filhos, cuidar da comida, lavar as roupas e colocar uma certa ordem no lar, doce lar. A outra pessoa era um radialista que havia sido recentemente demitido do seu emprego.”

Os vizinhos tornam-se amigos e, a partir de suas conversas, “ao som do rádio da zeladora do prédio, que transmite as marchas e os aplausos do povo na parada militar, ambos se descobrem vítimas de uma sociedade repressora: ele por ser homossexual, e ela por perceber a sua condição de massacrada pelo machismo vigente, e relegada ao papel de mera reprodutora, cuidadora dos filhos e da casa, sem qualquer perspectiva para a sua vida senão a de se submeter aos caprichos do marido, chefe absoluto do lar”.


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A república e a tal soberania brasileira

Na coluna desta quarta-feira (12), Atílio Bari analisa as movimentações que culminaram na Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Na noite anterior o povo brasileiro havia ido dormir submetido às ordens de um rei, e amanheceu conhecendo um novo regime de governo: a república. A mudança, apesar de parecer súbita, vinha se estruturando desde o começo do século XVIII, defendida por figuras como Bernardo Vieira de Mello, principal incitador da Guerra dos Mascates. Foi ele quem subiu ao parlatório da Câmara de Vereadores de Olinda e deu o primeiro grito de “República do Brasil”.

Quase 180 anos mais tarde, o Marechal Deodoro da Fonseca levantou-se no meio da noite, “colocou a farda cheia de medalhas, sem a espada, porque ela lhe apertava a barriga, montou em seu cavalo baio e foi até o Ministério da Guerra, onde pronunciou um meio discurso para a meia dúzia de militares que ali estava” e assinou, finalmente, a Proclamação. Os brasileiros, então, “acordariam todos num país soberano, sem ter a menor ideia do que isso mudaria nas suas vidas”.

Atílio finaliza com uma crítica: “Hoje os tempos são outros, a voz das ruas tem mais peso, a população é mais atenta. Mas verdade seja dita: a tal soberania ainda não chegou à mãe do menino pobre da periferia, nem ao pai de família que não sossega enquanto a filha não chega em casa à noite depois do trabalho ou da escola, e muito menos àquela população que vive ameaçada nos poucos povoados que ainda restam lá na floresta, os povos originários”. Para muitos, o conceito ainda é um sonho distante.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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Coluna Atílio Bari
Dona Lola e uma história do humor brasileiro

Na coluna desta quarta-feira (05), Atílio Bari comenta a peça “Dona Lola”, segundo espetáculo solo do ator Marcelo Médici, no qual homenageia as mulheres que foram fundamentais ao longo de seus 35 anos de carreira. Na peça, em cartaz até dezembro no Teatro Renaissance, a personagem principal tem a vida transformada ao se tornar um fenômeno das redes sociais com os vídeos postados pela neta.

Atílio faz ode ao humor brasileiro, citando os precursores do gênero em nossas artes cênicas, nomes como Martins Penna, Arthur Azevedo e França Junior, que diversificaram o que se via nos palcos do século 19: dramalhões e comédias trazidas por companhias europeias, muitas vezes copiadas pelos elencos do Brasil. O colunista também traz à tona atores adorados pelo público: Francisco Correa Vasques, Procópio Ferreira, Oscarito, Grande Otelo e Dercy Gonçalves.

Atílio enaltece ainda o humor radiofônico, marcado pelo sucesso de personagens e esquetes humorísticos de programas como o famoso PRK-30, transmitido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e o televisivo que revelou talentos como Ronald Golias, José Vasconcellos, Agildo Ribeiro, Costinha e, mais tarde, Chico Anysio com sua enorme galeria de personagens e o perspicaz Jô Soares.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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Coluna Atílio Bari
Gil e Chico, cronistas das nossas vidas

Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta dois espetáculos: “Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar”, em cartaz no Sesc Consolação, e “Olhos nos Olhos”, no Teatro Porto. O primeiro é calcado no universo musical de Gilberto Gil, principalmente no disco “Refazenda”, gravado poucos anos depois de seu retorno ao Brasil, depois do exílio em Londres. Já a segunda peça, um solo da atriz Ana Lúcia Torre, percorre uma parte da obra de Chico Buarque, entrelaçando as canções com momentos da vida da artista — que celebra 60 anos de estreia no teatro — e da vida do país.

Nas palavras do colunista, “Jeca” é sobre “o retorno do protagonista às suas raízes, que são as próprias raízes do povo brasileiro. Nós também somos do mato, como o pato e o leão. Refazenda, reencontro, redescoberta de um povo que pode ser a semente de um novo tempo, um refazer, um revalorizar a vida, a cultura, as pessoas. Daí que a peça é uma espécie de celebração das nossas origens, e uma revisão emocionada das nossas mazelas, das nossas políticas, e das nossas esperanças”. Ele ainda complementa: “As canções do Gilberto Gil trazem em si uma crítica poética e muitas vezes metafórica das nossas estruturas sociais, com pitadas filosóficas e espirituais”.

Já sobre “Olhos nos Olhos”, Atílio diz que “somos conduzidos às letras das canções. Sim, Ana Lúcia não canta, ela diz as letras, com paixão e intensidade, e a gente descobre uma amplidão de sentidos nas canções, tanto nas mais românticas como nas mais carregadas de críticas sociais ou políticas. Ana Lúcia utiliza cada uma delas para abordar momentos da sua vida e da sua trajetória artística, e suas reflexões sobre o teatro, a mulher, o amor...”


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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2 months ago
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Coluna Atílio Bari
“A Máquina” e o amor que desafia o impossível

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a nova montagem do espetáculo “A Máquina”, texto de João Falcão baseado no romance homônimo de Adriana Falcão, em cartaz no Teatroiquè até dezembro. A obra narra o romance entre os protagonistas Karina e Antônio. Ele, com peças que recolhe de um ferro-velho, constrói uma máquina capaz de viajar no tempo para buscar o futuro e trazer para a sua amada. “Antônio é mais um desses amantes que desafia o impossível em nome do amor”, Atílio define.

Na primeira versão, que foi aos palcos no ano 2000, a peça revelou os talentos, até então desconhecidos, de Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Wagner Moura, que convenceram o autor a revezar o papel do protagonista masculino entre quatro atores — incluindo seu sobrinho, Gustavo Falcão, que assina a codireção da nova montagem. Em 2025, o elenco é composto pelos atores do premiado coletivo Ocutá, contando com Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto como os novos Antônios e Agnes Brichta — filha de Vladimir — intérprete de Karina.

A encenação da versão atual acontece em um palco giratório, nas palavras do colunista, “como uma espiral de consciência, desejo, emoções e fantasias”, que complementa o ritmo vertiginoso e alucinante da peça. “Impossível sair do espetáculo sem se emocionar com essa história ao mesmo tempo singela na essência e sofisticada na forma, poética, humana como ela só. Universal, e muito, muito brasileira”, ele conclui.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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Coluna Atílio Bari
Os Mambembes e os sonhos que nos mantêm de pé

Na coluna desta quarta-feira (15), Atílio Bari comenta “Os Mambembes”. A peça baseada em "O Mambembe", de Arthur Azevedo, está em cartaz em São Paulo até novembro, no Teatro Tuca. “A obra mergulha no universo dos artistas itinerantes, os mambembes, que enfrentam o preconceito, a miséria e o desprezo social com a força de quem carrega no peito o amor pela cena e pela vida errante nas estradas”, define o colunista.

Atílio afirma que, em cena, uma trupe mambembe é mais do que apenas um grupo de atores — é uma família formada na luta, na dor e na alegria que os une. Quem carrega a responsabilidade de dar vida aos personagens que constituem essa dinâmica são alguns dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, entre eles: Claudia Abreu, Julia Lemmertz e Paulo Betti.

Por fim, o colunista diz que o espetáculo, que pulsa com energia e humanidade, além de divertir, também emociona, “porque fala dos sonhos, aqueles sonhos que parecem tão pequenos para o mundo, mas que são o que mantêm de pé os sonhadores”.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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*Estagiária sob supervisão de Cirley Ribeiro. MTB 832/SC

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2 months ago
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Coluna Atílio Bari
Shakespeare, os ódios e as intolerâncias

Na coluna desta quarta-feira (08), Atílio Bari comenta a nova montagem de “O Mercador de Veneza”, texto de William Shakespeare, no Teatro Tuca. A trama acompanha Antônio, personagem vivido por César Baccan, um mercador que contrai uma dívida com o agiota judeu Shylock, interpretado por Dan Stulbach. Como garantia, Shylock exige uma libra da carne de Antônio, a ser cortada pelo agiota, de qualquer parte do corpo. O contrato desencadeia um julgamento dramático, colocando em pauta temas como justiça e preconceito.

Na Inglaterra do século 17, marcada por um antissemitismo que essencialmente expulsou os judeus do país na época, Shakespeare criou o famoso discurso pronunciado por Shylock, que ainda hoje aflora discussões sobre intolerância religiosa. Na corte de Veneza, ele diz: “Sou um judeu. Um judeu não possui mãos, órgãos, sentidos, afeições, paixões, como todos os cristãos? Se um judeu ofende a um cristão, o que faz o cristão? Vingança. E se um cristão nos ultraja, não nos vingamos?”.

O colunista conclui levantando a dúvida: “Afinal, o que vale mais: o contrato ou a vida de uma pessoa? O preconceito, de ambos os lados, os leva a um grau de desumanização. E por trás de tudo, o dinheiro como alavanca das ações”.


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Coluna Atílio Bari
O show de La Bengell no Brasil em Revista

Na coluna desta quarta-feira (01), Atílio Bari comenta o musical “Norma Bengell, o Brasil em Revista”, em cartaz no Teatro Sesi-SP. O texto narra a trajetória da célebre atriz, cantora, compositora, roteirista e cineasta, vivida no palco por Amanda Acosta. A artista, como define Atílio, foi uma musa do cinema e do teatro brasileiros, tendo atuado em mais de 40 filmes e em mais de 20 produções teatrais. 

O colunista destaca os pontos de enfoque da peça, que, segundo ele, “aborda os momentos mais marcantes da vida dessa atriz de personalidade forte e de atitudes corajosas. Seus embates com a ditadura militar, seu engajamento nas questões de gênero, bem como as dificuldades que enfrentou durante a vida e a carreira. E seus relacionamentos, com os atores Alain Delon, Gabrielle Tinti e outros, vários outros”.

O espetáculo tem música ao vivo e reúne um elenco com nomes como Leticia Coura, Luciana Carnieli e Paulo de Pontes. A direção é de Aimar Labaki, também autor do texto. Atílio encerra afirmando que a montagem é “uma merecida homenagem a essa figura controversa, símbolo de uma época, e um registro da história do nosso país a partir dos anos de 1950”.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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*Estagiária sob supervisão de Cirley Ribeiro. MTB 832/SC

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3 months ago
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Coluna Atílio Bari
A importância do teatro voltado para crianças

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre o teatro infantil, gênero que ele define como “uma ponte entre o mundo real e o universo da imaginação”. “Nestes tempos em que as telas dominam a atenção dos pequenos desde a mais tenra idade, o teatro oferece uma experiência viva, sensorial e humana. Ele não apenas tem o dom de divertir, encantar e seduzir, como também é transformador, pelo poder de gerar identificação, em que a criança se transporta para as situações que acontecem em cena, espelha-se nelas, pensa sobre elas.”

O colunista destaca grandes nomes das artes cênicas, como o russo Constantin Stanislavski, mundialmente conhecido pelo seu sistema de atuação para atores e atrizes, e defensor da ideia de que “o teatro para crianças deve ser como o de adultos, só que melhor”. Atílio também cita o casal brasileiro Tatiana Belinky e Julio Gouveia, percussores do teatro infantil feito com dignidade e respeito. Autora dos sucessos “Pluft, o Fantasminha” e “A Bruxinha Que Era Boa”, a mineira Maria Clara Machado também foi lembrada.

Dado o tema, não poderiam ser deixadas de lado as produções da TV Cultura. Clássicos como “Castelo Ra-Tim Bum”, “Cocoricó” e “Mundo da Lua” e constituem, na opinião de Atílio, o melhor da produção brasileira para crianças e jovens. Ele encerra chamando atenção para uma versão para o palco de outro programa infantil de grande sucesso: o “Quintal da Cultura”.

O espetáculo “A Incrível Viagem do Quintal”, em cartaz até setembro no Teatro Liberdade, apresenta os personagens Osório, Dorotéia, Ludovico e Ofélia em uma viagem pelas cinco regiões do país em busca de um RG perdido. No caminho, eles se deparam com as manifestações artísticas, os costumes e a cultura popular de cada lugar.


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4 months ago
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Coluna Atílio Bari
O impagável “Terror de comédia” de Conde Drácula

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre “Drácula – um terror de comédia”, texto de Gordon Greenberg e Steven Rosen adaptado para os palcos brasileiros. O ator Tiago Abravanel dá vida ao semi-morto Conde Drácula. Nascido de narrativas populares do século XV, o vampiro apareceu pela primeira vez na obra do escritor irlandês Bram Stoker, no século XIX. Desde então, a figura foi reproduzida, parodiada e homenageada incontáveis vezes na cultura pop.

No espetáculo dirigido por Ricardo Grasson e Heitor Garcia, a história do corretor de imóveis que procura o taciturno conde para fechar um grande negócio se repete, mas com um tom diferente. “As confusões e trapalhadas que acontecem em cena levam a comédia às raias dos antigos e impagáveis pastelões – uso esse termo com cuidado e muito respeito por esse estilo de comédia, em que o ator é um elemento fundamental para que tudo funcione como uma maquininha de gerar riso”, na definição de Atílio.

Para o colunista, a obra, que se assemelha a adaptações como o satírico “Drácula, morto, mas feliz”, de Mel Brooks, e “Draculinha”, peça infantil de Carlos Queiroz Telles, é “uma comédia com letras maiúsculas, que cumpre magnificamente a sua proposta de levar o público às gargalhadas”.


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Coluna Atílio Bari
O “Bom Ladrão” de Padre António Vieira na atualidade

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari volta a mencionar o Padre António Vieira, um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória. “Diante de uma audiência formada por figuras proeminentes da corte, juízes, ministros e que tais, Padre Vieira desatou o verbo e pôs-se a falar de ladrões e de seus roubos, e concluía afirmando, com ironia, que “roubar pouco é crime, mas roubar muito é grandeza”, diz o colunista.

O religioso afirmava que “roubar sem ter poder faz o pirata, roubar com poder faz o Imperador”, em crítica à corrupção e à impunidade, especialmente entre as elites e autoridades da época. “Há os ladrões que roubam uma pessoa, surrupiam um pescado na feira ou um leite em pó no mercado, e se arriscam por isso. E há os ladrões que pilham as cidades, os estados, o país, e pouco lhes acontece, ou nada. Na época de Vieira, o ladrão sem poder era enforcado, o ladrão com poder mandava enforcar”.

Atílio chama a atenção de governantes corruptos, desviadores do dinheiro público, funcionários espertinhos e fornecedores mal-intencionados: “acautelai-vos, porque Vieira garante que as vossas vidas após a morte serão entre labaredas, pois roubais daqueles que não têm poder. Ao invés de cuidarem dos seus rebanhos, como os pastores, os roubam, como os lobos”.


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Coluna Atílio Bari
O caos moderno dos gregos e troianos

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a série “Kaos”, da Netflix. “Trata-se de um mergulho insolente e fascinante na mitologia grega, com seus deuses, semideuses e heróis. Insolente porque essas entidades mitológicas aparecem na série de uma forma bastante escrachada, mas sem perder as suas auras de celebridades mitológicas”.

Zeus, interpretado por Jeff Goldblum, descrito como “onipotente e ao mesmo tempo inseguro”, está preocupado com a queda da sua popularidade e recorre aos demais deuses com medo de perder seu status divino. O colunista destaca o papel das outras divindades na trama, como Prometeu, “companheiro em outras épocas, e agora preso a um penhasco onde uma águia vem lhe bicar o fígado todos os dias” e Dionísio, “apaixonado pelos mortais, um tanto avoado e alheio ao desejo de vingança de Zeus contra a humanidade”.

Para Atílio, “Kaos é uma série irreverente, com momentos de crueldade explícita, humor negro, politicagem, amor, fúria, e expõe os vícios, fraquezas e ambições desses deuses todos. Que já estão lá, na origem, na própria mitologia criada pelo povo grego, e que espelhavam, no Olimpo, as belezas e os horrores da humanidade, presentes também aqui, na nossa realidade contemporânea, o que nos mostra que continuamos os mesmos e vivemos como os nossos ancestrais”.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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4 months ago
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Coluna Atílio Bari
Nathalia e os fantásticos nonagenários

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “A Mulher da Van”. O texto do autor inglês Alan Bennett ganha vida na interpretação de Nathalia Timberg que, prestes a completar 96 anos, realiza um desejo antigo ao estrelar a peça sobre a história real de uma senhora, acumuladora, que morava dentro de uma van na década de 1970.

“Essa senhora carrega consigo, além das suas tranqueiras, uns mistérios do seu passado. De tempos em tempos ela muda a sua van de lugar, e estaciona sempre na porta de alguma residência. Eis que um dia para na frente da casa do autor do texto, o dramaturgo Allan Benett, e ele, penalizado, a deixa colocar o veículo na sua garagem.”

Para além do tema central, Atílio faz uma ode aos colegas nonagenários da atriz, como Fernanda Montenegro, Othon Bastos, Ary Fontoura e Tony Tornado, para citar alguns. “Dizem que o vinho quanto mais velho melhor. Mas eles não são como o vinho, porque o vinho repousa em tonéis ou garrafas, imóveis, em temperaturas controladas, ao longo de anos e anos, para serem por fim degustados por alguns poucos privilegiados. Para eles, ao contrário, é a agitação dos palcos e dos estúdios, é o desafio de novos personagens que os torna cada vez mais saborosos para o público, nos grandes palcos, para milhares de pessoas numa temporada, ou na TV e no cinema, para milhões.”


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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Coluna Atílio Bari
A vontade livre de Flávio Império

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari nos leva à exposição “Tens a Vontade e Ela é Livre”, em cartaz até fevereiro na Estação Pinacoteca. A mostra resgata a obra do artista plástico Flávio Império, que também foi um dos mais reconhecidos cenógrafos e figurinistas do Brasil, tornando se uma figura central para a compreensão da cultura do país nas décadas de 1960 e 1970.

O colunista destaca a parceria entre Flávio e Maria Bethânia, para quem “criou a ambientação cênica e as vestimentas dos shows Rosa dos Ventos, Pássaro da Manhã, e outros mais da Bethânia, e de Gal, e dos Doces Bárbaros e de mais uma porção de artistas desse mesmo quilate”. Entre os destaques da exposição, está a maquete que descreve o projeto que o artista fez para o show Pássaro da Manhã, concebendo um cenário em que Bethânia surge de uma noite escura no fundo e vai gradualmente se aproximando da plateia ladeada por tecidos que representam a alvorada.

Nas palavras de Atílio, Flávio foi “um artista que soube traduzir em cena e na sua obra gráfica e de pintura os tempos sombrios da ditadura militar no Brasil, período em que realizou os seus trabalhos mais representativos, mais críticos e engajados, mas sem jamais esquecer as belezas e sensualidade do nosso povo. Flávio nos emociona com seus traços, suas cores, seu poder de traduzir o que nos parece intraduzível”. 


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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Coluna Atílio Bari
Intimidade indecente, amores e rancores

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a peça “Intimidade indecente”, que faz uma nova temporada no Teatro Renaissance. O espetáculo acompanha Mariano e Roberta — interpretados por Marcos Caruso e Eliane Giardini —, um casal separado lidando com a passagem do tempo, que também é personagem.

Nas palavras de Atílio, o tempo se faz presente no desenrolar da narrativa e no corpo dos atores, que não usam qualquer tipo de maquiagem: “A passagem dos anos está no andar, nos gestos, nas manias que se acentuam. Tudo ali, à nossa frente, sem quaisquer recursos adicionais. Trabalho delicado, conduzido pela direção de Guilherme Leme Garcia”.

O colunista destaca também o texto de Leilah Assumpção, celebrada dramaturga e autora de clássicos contemporâneos como “Fala baixo senão eu grito” e “Roda cor de roda”. “É atemporal, um tanto romântico, um tanto cruel, um tanto amargo, e também muito engraçado. No fundo, uma história de amor em que os protagonistas, com a intimidade construída pelas décadas de convivência, se provocam, se desafiam, se cobram, se criticam, se aproximam, se repelem, até que no fim... bom, é claro que não vou contar o fim”.


Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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Chateaubriand, o “Cidadão Kane brasileiro”

Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo musical “Chatô e os Diários Associados - 100 Anos de Paixão”, em cartaz no Teatro Liberdade. A peça apresenta ao público as façanhas da polêmica figura. O texto é de Fernando Morais, biógrafo do magnata das comunicações Assis Chateaubriand, e de Eduardo Bakr, com direção de Tadeu Aguiar. Nas palavras do colunista: “Esse homem foi praticamente tudo o que quis ao longo dos seus 76 anos de vida, iniciados ainda no século 19: jornalista, escritor, advogado, empresário, político, mecenas, imortal da Academia Brasileira de Letras, mulherengo, amigo de muita gente, inimigo de mais gente ainda”.

Interpretado por Stepan Nercessian no palco, Chatô, como o empresário ficou conhecido, criou o maior conglomerado de mídia da América Latina, numa época em que a palavra mídia ainda não era usada entre nós: “No seu auge, os Diários Associados contavam com mais de cem jornais, dezenas de emissoras de rádio e TV, revistas e agências de notícias. Uma das suas criações, a revista O Cruzeiro, chegou a ter uma tiragem de mais de 700.000 exemplares, vendidos em banca, num Brasil em que ainda não havia o hábito da assinatura de jornais e revistas, e mais da metade da população era analfabeta. Trouxe a televisão para o Brasil, com a inauguração da TV Tupi de São Paulo”.

O colunista encerra destacando a importância histórica da trajetória de Chateaubriand: “É uma parte da nossa história, quase um documentário musical, em que desfilam Carmem Miranda, Dalva de Oliveira, Francisco Alves, Mário Lago, Hebe Camargo e outros muitos ídolos pioneiros da comunicação de massa do nosso país. Que bom ver tudo isso no palco, um musical brasileiríssimo [...]”.


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Coluna Atílio Bari
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