Há amores que nascem sem gravidade e ficam a flutuar. Em Sputnik, Meu Amor, as almas movem-se em órbitas silenciosas, tocam-se apenas na distância. O desejo transforma-se em eco, a solidão em paisagem, e o tempo dilui-se num espaço onde a realidade já não tem contornos definidos. Como um satélite perdido no escuro, cada coração procura um sinal, um ponto de luz, um lugar onde possa finalmente descansar. Uma história suspensa, feita de ausência, espera e de tudo aquilo que nunca chegou a acontecer.
O avesso da pele é um romance que olha para a memória e para o corpo como lugares de conflito e de resistência. Através da relação entre pai e filho, o livro expõe as marcas deixadas pelo racismo, pela violência e pelo silêncio, revelando como estas experiências moldam vidas inteiras e atravessam gerações.
É uma narrativa dura e profundamente humana, que recusa simplificações e obriga-nos a confrontar realidades muitas vezes ignoradas. Uma leitura exigente, necessária, que permanece muito depois da última página.
Flores é um livro que não se lê depressa, mexe connosco por dentro.
Uma história sobre aquilo que se perde sem darmos conta: as memórias, os gestos, as pessoas que nos moldaram. Fala do peso do mundo e da dor que carregamos em silêncio, mas também do amor como refúgio e resistência. No meio do esquecimento e da rotina, este livro lembra-nos que viver é recordar, cuidar e agarrar-nos aos pequenos momentos, aqueles que parecem insignificantes, mas que acabam por nos salvar.
Afonso Cruz convida-nos a olhar para dentro e perceber que são os instantes aparentemente pequenos que permanecem para sempre.
Vivemos num mundo de conforto imediato e informação constante, onde tudo parece organizado, previsível e seguro. As redes sociais moldam pensamentos, o consumo promete satisfação, e a tecnologia promete facilidades, mas no fundo tudo nos distrai do essencial: sentir, questionar e escolher. Como no Estado Mundial de Huxley, muitas vezes trocamos a liberdade pela ordem, a autenticidade pelo espetáculo, e a profundidade das emoções por prazeres superficiais e anestesiantes. A felicidade, por vezes, é artificial, medida e imposta, não conquistada. Mas ainda existe a inquietação dentro de cada indivíduo, a centelha que nos lembra que a vida verdadeira exige risco, questionamento e consciência. Entre o conforto e o vazio, entre o entretenimento e o pensamento crítico, surge a pergunta que atravessa os séculos: será que uma vida sem dor, mas também sem liberdade, pode ser considerada plenamente humana?
Neste episódio, através da obra O Perfume vamos conhecer uma França decadente, onde cada rua tem um odor próprio e cada aroma revela algo oculto. No centro desse mundo está Grenouille, uma presença quase inumana, sem cheiro e sem afeto, movida apenas pela obsessão de capturar a essência perfeita.
A personagem move-se como um predador silencioso entre aromas que os outros mal percebem, transformando beleza em poder e sensibilidade em violência. É um romance que nos confronta com a pergunta inquietante: o que acontece quando a busca pela perfeição ultrapassa todos os limites da moral e da própria humanidade?
Esta semana vamos fazer uma viagem aos anos 80 e perceber o porquê de As Crianças Adormecidas não ser apenas um livro.
É a história de uma vida que se perdeu demasiado cedo e de uma família que tentou esconder a dor porque o mundo não sabia lidar com ela.
O autor dá-nos a conhecer a vida do seu tio que se perdeu cedo demais, engolido pela heroína, pelo VIH e pelo mundo que fechava os olhos.
Quando a história termina, não é só o tio do autor que sentimos perder mas toda uma geração silenciada, apagada e adormecida. E nós ficamos ali, a fechar o livro devagar, como quem tenta respirar depois de um mergulho demasiado fundo.
Hoje vamos viajar à Cidade das Coroas e abordar a obra As Coroas de Ilusão.
Esta obra transporta-nos para a enigmática Cidade das Coroas, um lugar onde o brilho ofusca mais do que ilumina. Entre ruas sonhadas e personagens moldadas pela busca de poder, o livro revela como a aparência se tornou a maior ficção do nosso tempo. Aqui, cada coroa é uma promessa e um engano, símbolo de um esplendor que existe apenas para esconder o vazio. A obra convida-nos a abrandar o passo, a olhar com mais profundidade e a perceber que, muitas vezes, o que resplandece não é ouro, é apenas ilusão.
Entre as páginas de a Campânula de vidro, Sylvia Plath abre uma janela crua para a mente, a solidão e as pressões invisíveis que moldam a vida.
Este livro não se lê, atravessa-se.
Ao longo da leitura, acompanhamos a luta interior da protagonista, o seu afastamento gradual da realidade e o difícil confronto com as suas próprias sombras.
A campânula de vidro convida-nos a olhar para dentro, a reconhecer as nossas fragilidades e a pensar sobre como cada um de nós já sentiu de alguma forma essa campânula invisível.
Esta semana abordamos Noturnos, de Rui Sobral. Um livro de poesia onde é notável a escrita intensa, e onde a noite emerge como uma metáfora da solidão, da memória e da sobrevivência interior.
Através de breves versos, o autor explora temas como a ausência, o luto e o peso das palavras que nunca foram ditas.
Curiosos para conhecer esta obra que nos convida a explorar o espaço poético de sombra e reflexão?
Esta semana viajamos até à Transilvânia para conhecer o Conde Drácula, de Bram Stoker.
É considerado um cântico sombrio da noite eterna. Entre névoas densas e castelos esquecidos, o Conde ergue-se como um espectro de elegância e horror, uma presença que seduz antes de destruir.
O sangue é sua linguagem, o desejo a sua condenação.
Nas páginas deste romance, o medo respira devagar, infiltrando-se como uma bruma pelos recantos da alma.
É uma obra onde o tempo se detém, onde a morte ganha forma e o amor perde-se na escuridão.
Porque em Drácula, a sombra é eterna… e o coração humano, o seu banquete.
Mas Stoker não vive apenas em Drácula: nos seus contos de terror e arrepios, o sobrenatural espreita em cada recanto, revelando que o verdadeiro horror habita dentro de nós.
Entre a névoa e o silêncio, a sua escrita transforma o medo em arte e a escuridão, em eternidade.
Esta semana abordamos a solidão através da obra “Frankenstein” de Mary Shelley.
Percebemos como criamos monstros sem perceber.
Não através de fios e relâmpagos, mas através de ausências, rejeições e palavras não ditas.
A criatura de Frankenstein nunca quis ser temida, apenas queria ser vista.
Mas o olhar que encontrou foi o do medo.
No fundo, Frankenstein fala daquilo que mais nos une, a necessidade de criar, de amar, de ser aceite, mesmo quando somos feitos de pedaços.
E talvez o que chamamos de “monstro” seja apenas a parte de nós que ainda não aprendeu a ser perdoada.
Neste episódio, entre o sussurro das páginas e o eco da noite, ergue-se o mundo sombrio de Edgar Allan Poe, onde a razão se perde nas névoas da imaginação.
Em “Contos Extraordinários”, Edgar Allan Poe mergulha na alma humana como quem caminha por um labirinto de sombras. Cada história é um espelho do medo, da culpa e da beleza escondida no obscuro. O terror transforma-se em poesia, a loucura em arte, e o silêncio ganha voz. Ler Poe é perder-se entre o sonho e o abismo, onde o extraordinário nasce do mais profundo da mente.
Os seus contos e poemas são portais para um universo onde o belo e o terrível coexistem, onde cada palavra é uma ferida que brilha. Ler Poe é caminhar pelos corredores da mente humana, onde o medo se veste de poesia e a imaginação é um espelho quebrado da alma. Em cada página, há silêncio, sombra e uma verdade antiga: que o extraordinário habita no mistério, e que o mistério habita em nós.
“Ser ou não ser…” Uma pergunta sussurrada nas sombras de um castelo, que ressoa em corredores silenciosos e nos pensamentos mais profundos de um príncipe atormentado.
Hamlet não é apenas um nome, é o reflexo das nossas dúvidas, das escolhas que nos pesam e dos segredos que carregamos no coração. Entre fantasmas que murmuram vingança e intrigas que corroem a confiança, cada passo do príncipe é uma dança com o destino.
Neste episódio, abrimos as portas da Dinamarca para explorar os monólogos que revelam a alma e os conflitos que nos desafiam.
Preparados para mergulhar numa tragédia onde o amor, a loucura e a morte se entrelaçam, e cada palavra tem o poder de atravessar séculos?
Esta semana abordamos a desigualdade de género e o peso das expectativas sociais sobre o que é ser menina.
Através de “Menina - nome feminino” a autora desmonta a aparente inocência do nascimento feminino e revela as marcas de uma sociedade que, desde cedo, define papéis, limita desejos e impõe fronteiras.
Um livro que denuncia o peso de carregar um nome e um género como destino.
Menina - nome feminino, quando até ao nome já nasce marcado pelo peso do género.
Esta semana, vamos conhecer “o palácio do riso” de Germán Marín.
Trata-se de uma narrativa intensa e com uma pitada de ironia que mergulha nas sombras da ditadura chilena e na fragilidade da memória.
Através da sua escrita inquieta e segmentada o autor mistura autobiografia, história e ficção, expondo as cicatrizes individuais e coletivos de um país, a opressão sentida durante 17 anos.
Uma obra intensa cheia de fragmentos que nos fazem pensar sobre a identidade a dor e a resistência, que nos mostra como o riso pode nascer até nos momentos mais sombrios.
Esta semana, mergulhamos numa reflexão profunda sobre cultura, liberdade, e a beleza escondida no quotidiano.
Abordamos “uma solidão demasiado ruidosa” escrita por Bohumil Hrabal.
Trata-se de um romance curto e poético, que acompanha Hanta, um homem que trabalha há mais de 30 anos numa cave, a prensar papel e livros destinados a serem destruídos.
No ambiente silencioso da sua cave, entre pilhas de papel, encontra frases, pensamentos e imagens que são alento para a sua alma.
Com lirismo e alguma melancolia, o autor mostra-nos como até nos lugares mais sombrios pode existir beleza, sabedoria e resistência.
Esta semana, abordamos uma obra dolorosa de ler, mas com conteúdo muito importante. O que a torna especial e de leitura obrigatória.
O som do rugido da onça é como uma floresta em palavras, densa, viva, atravessada por vozes que o tempo tentou silenciar.
A autora envolveu o mito e a história, revelando a dor das crianças arrancadas do seu ambiente e a persistência da memória que insiste em sobreviver.
O rugido não é apenas da onça, é da revolta, do corpo, da língua, da ancestralidade que resiste.
Um livro que nos faz ouvir aquilo que foi calado e que nos devolve a força bruta e delicada da lembrança.
Perante uma abordagem tão crua desta obra, prometemos que o episódio tem um desfecho muito ternurento.
Curiosos?
Esta semana, viajamos de barco para a ilha de verão para mergulharmos num romance intenso sobre preconceitos, desigualdades, origens sociais e raciais.
Através das personagens intensas, o autor expõe o conflito entre classes sociais.
Assistimos a uma presença constante do preconceito racial e o peso de uma tecnocracia que ameaça a força da vida.
Não obstante, por entre estes conflitos e tensões, neste paraíso isolado, mantém-se também a celebração da vida, da liberdade e da resistência do ser humano.
Apanhem este barco connosco.
Neste episódio, vamos conhecer um jardim secreto, onde cresce a solidão da personagem principal.
Adele é uma mulher bela, inquieta e prisioneira de um desejo que parece não ter fim.
A autora, Leïla Slimani, leva-nos a conhecer caminhos sombrios, onde o prazer se mistura com a vertigem e onde cada flor oculta os espinhos.
O “Jardim do Ogre” não é apenas um romance, é um espelho que reflete a delicadeza, a fragilidade e a brutalidade da alma humana.
Hoje, viajamos até às margens do Mississipi, para conhecermos Tom Sawyer.
Tom, é uma alma insubmissa no corpo de um menino rebelde.
Um especialista em fugir para não ir à escola, um menino corajoso, que brinca aos piratas numa ilha deserta, até um tesouro escondido acaba por se tornar realidade nas suas mãos.
O Tom não é simplesmente um menino do sul dos EUA, é a definição da infância eterna, livre, inquieta, rebelde mas sempre encantada com a promessa de descobrir novos mundos.
Vamos à boleia deste barco, e conhecer este pirata?