Falámos da exploração como uma coisa concreta, do dia-a-dia — e começámos pelo exemplo das aulas: aquelas em que se aprende mesmo quando se “falha”, porque alguém cria espaço para experimentar, tentar de outra forma, e perceber porquê.
A partir daí, alargámos a conversa à experimentação ao longo da vida: não como impulsividade, mas como prática contínua — observar, ajustar, repetir, comparar. A mesma lógica que nos ajuda a aprender um instrumento, a melhorar um método de estudo, a resolver um problema no trabalho, ou a tomar decisões mais informadas.
Falámos também do que torna a exploração verdadeiramente disciplinada: registar o que se fez, mudar uma variável de cada vez quando é preciso perceber a causa, resistir à tentação de tirar conclusões cedo demais — e aceitar que, às vezes, um “desastre” (como um ovo partido) pode ser também um dado: uma pista sobre o comportamento das coisas quando embatem no mundo.
Terminámos com a resposta à pergunta “O que é a filosofia Montessori?”, a partir do livro O bebé Montessori, de Simone Davies e Junnifa Uzodike.
Falámos das nossas experiências enquanto estudantes e docentes no ensino especializado em música — e das possibilidades (muitas vezes invisíveis) que existem numa aula individual: a liberdade de adaptar métodos, repertório e ritmo a cada aluno, sem deixar de cumprir as directrizes da escola e do Ministério da Educação. E questionámos: “será que um peixe tem de saber subir a uma árvore?”.
A partir daí, fomos à pergunta que incomoda: a escola está a formar pessoas capazes de julgar, argumentar e criar… ou está a treinar alunos para cumprir, decorar e responder “certo”, sem perceber o porquê?
Falámos também do que Ken Robinson defende: a criatividade como competência central, a crítica à padronização e à cultura do teste, e a ideia de que a educação não é uma fábrica — é um ecossistema onde a aprendizagem precisa de condições para florescer.
Terminámos com um excerto da nossa interpretação de “Have Yourself a Merry Little Christmas”, de Hugh Martin e Ralph Blane.
Falámos de terraplanismo, vacinas, “elites escondidas” e outros enredos que se espalham, por exemplo, através das redes sociais.
Mais do que desmistificar factos, quisemos perceber porque é que estas narrativas são tão sedutoras: o medo em tempos de incerteza, a necessidade de sentir controlo, a procura de explicações simples para problemas complexos.
Falámos de vieses cognitivos, da desconfiança nas instituições e da vontade de pertença a um grupo que “sabe a verdade”. E perguntamos: como cultivar espírito crítico sem cair numa desconfiança total de tudo e de todos?
Terminámos com o poema “A Luz de Lisboa” de Nuno Júdice.
Falámos do programa Basic Income for the Arts, lançado na Irlanda, que garante um rendimento mensal a artistas e trabalhadores da cultura.
Mais de 2 000 criadores recebem € 325 por semana — uma medida que está a transformar o modo como se pensa a arte, o trabalho e o valor do tempo.
Debatemos o que significa poder criar sem o peso da incerteza económica, os resultados já conhecidos — mais horas dedicadas à prática artística, menos ansiedade, maior bem-estar — e o que esta experiência pode inspirar noutros países.
Terminámos com mais um excerto de “O Sol”, eternizada por José da Lata, com harmonização e interpretação nossa.
Falámos do ponto em que o gesto artístico e o pensamento científico se encontram — e de como, muitas vezes, é dessa fusão que nascem as maiores revoluções.
Do dodecafonismo de Schoenberg à arte algorítmica de Vera Molnár, dos NFTs e da inteligência artificial, que hoje desafiam as fronteiras entre criação humana e cálculo matemático, e de instituições científicas como a NASA, o CERN e o MIT que têm programas artísticos.
O episódio termina com “Sonhos urdidos com a luz e o ar”, do nosso primeiro disco Oração à Luz — música de Alfredo Teixeira, a partir do poema-livro homónimo de Guerra Junqueiro.
Falámos da nossa experiência: das ideias que surgem quando estamos relaxados — a caminhar, a adormecer, a fazer nada — e de como, depois, é preciso trabalhar essas ideias até ganharem forma.
Falámos também do mito do “génio inspirado”, dessa imagem romântica do artista arrebatado, e de como a criação é, afinal, um encontro entre impulso e método.
Porque a inspiração é o que acende, mas é a disciplina que mantém acesa a chama.
Terminámos com um excerto de uma conversa entre Haruki Murakami e Seiji Ozawa, publicada no livro “Música, Só Música”.
Num mundo tantas vezes moldado pelo medo e pela repetição, imaginar é um acto de coragem. A imaginação não serve apenas para escapar, serve para transformar! Criar é resistir à indiferença, ao silêncio.
Falámos sobre a imaginação como força histórica e colectiva, sobre artistas que criaram, e continuam a criar, para resistir — de Picasso a Sophia, passando por Bansky e Bordalo II — e sobre o poder de imaginar como primeiro passo para mudar o real.
Terminámos com o poema "Queixa das almas jovens censuradas" de Natália Correia.
Jacob é, provavelmente, um dos músicos mais singulares da actualidade. Multi-instrumentista autodidacta, compositor, inventor, pensador sonoro — e alguém que não parece reconhecer fronteiras entre estilos, disciplinas ou formas de criar.
Neste episódio, abrimos a porta para o seu universo: da infância rodeado de música clássica aos primeiros vídeos no YouTube; da construção meticulosa do seu quarto-estúdio ao palco, onde transforma multidões em coros harmónicos. Falamos também do Harmoniser, o dispositivo interactivo que desenvolveu com o Ben Bloomberg, engenheiro do MIT, e que lhe permite criar acordes vocais em tempo real, como se dirigisse um coro invisível com o seu teclado.
No fim, deixámos que fosse ele a falar por si: terminámos o episódio com um excerto da sua música “Hideaway”, uma canção que é, talvez, o reflexo mais íntimo deste universo onde tudo pode coexistir — o virtuosismo e a simplicidade, o sonho e o rigor, o som e o silêncio.
Da Grécia Antiga, onde o lugar do trabalho na vida humana gerava profundos debates, aos dias de hoje, em que entre burnout, “quiet quitting” e a procura de sentido, apergunta ganha ainda mais peso.
👉 Explorámos:
Terminámos com Somewhere Over the Rainbow, do filme O Feiticeiro de Oz, a lembrar-nos que sonhar é fulcral!
Vivemos rodeados de pessoas, mas nunca tantos se sentiram tão sós.
📊 Nos EUA, quase 1 em cada 2 adultos relata solidão frequente.
📊 Em Portugal, 1 em cada 4 pessoas vive sozinha.
📊 A solidão aumenta os riscos de saúde física e mental — em alguns casos, com impacto comparável ao tabaco.
Falámos do paradoxo urbano: cidades cheias, vidas vazias.
De saúde mental, redes sociais que ligam mas isolam, e iniciativas que reinventam o encontro humano.
E perguntámos: a solidão é sempre negativa, ou pode também ser espaço de liberdade?
Terminámos com um excerto de "Inferno" de Dan Brown.
Perguntámos: ainda somos de algum lugar?
Num tempo em que tudo está ao alcance de um clique — da música à comida, das ideias às amizades — falámos de identidade, pertença e desenraizamento.
Reflectimos sobre o impacto psicológico da globalização, a fusão entre identidade pessoal e colectiva, e os mecanismos que alimentam discursos extremistas.
Mas detivemo-nos também no que se ganha: o acesso partilhado ao conhecimento, a escuta entre culturas, a possibilidade de enraizar-se em mais do que um lugar.
Talvez pertençamos menos a territórios e mais a histórias, a gestos, a ritmos.
Talvez sejamos feitos de portos — e de partidas.
Terminámos com um excerto de Ol' Man River (Show Boat)
Falámos de escolhas. De perceber que o amor à Arte nem sempre paga contas — e que isso, em vez de nos travar, pode libertar.
Partilhámos a decisão de separar caminhos: continuar a criar, mas sem esperar, por enquanto, retorno económico significativo dos nossos projectos. E concentrar o nosso sustento noutras áreas — como o web development, o design de jogos e de aplicações.
Discutimos o que significa não depender da Arte para viver — e, com isso, voltar a fazer Arte por gosto. Sem filtros. Sem peso. Com espaço para o erro, para a experiência, para a liberdade.
Falámos ainda da dificuldade em conseguir apoios quando não se é “conhecido”. Da ilusão dos números. E da urgência em reconhecer que cultura tem custos — e merece ser sustentada.
O futuro próximo é este: espectáculos online, ensaios em directo, processos abertos e partilhados. Porque a Arte continua, mas a Estratégia, sim — mudou.
Para fechar, estreámos um excerto da nossa versão de "O Sol", tão difundido por Zé da Lata. A versão completa estará disponível dentro de semanas — fiquem atentos.
Desta vez, falámos de ansiedade e performance: o medo de falhar, e tudo o que ele esconde.
Entrámos nas zonas de silêncio antes de um palco, de um jogo ou de uma decisão.
Falámos de ansiedade e perfeccionismo, da autocrítica que corrói, dos nervos que congelam, e das expectativas que nos pesam nos ombros.
Mas também abordámos ferramentas: da respiração ao pensamento útil, da exposição progressiva à coragem de encarar o erro com propósito.
Trouxemos exemplos reais — dos palcos de Barbra Streisand às piscinas de Michael Phelps — e deixámos ecoar a frase que abre o mundo de João Sem Medo:
“É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.”
Desta vez, virámos o olhar para as redes sociais: aquilo que mostram… e aquilo que fazem sentir.
Falámos de scrolls infinitos e da comparação que se infiltra no espelho, de ansiedade e de noites mal dormidas. Das máscaras que facilmente se colocam, e que nos podem tornar impunes.
Mas também da força de comunidades, da coragem de partilhar fragilidades, e do poder transformador da presença consciente no digital.
Fechámos com uma breve conversa entre a Alice e o Gato Cheshire, nas Aventuras de Alice no País das Maravilhas, onde nem a direcção nem o destino parecem importar — desde que se continue em movimento.
Começámos pelo início: o que pesa mais na hora de decidir — o que sentimos ou o que pensamos?
Falámos de intuições que chegam antes do pensamento, de enviesamentos que moldam o nosso julgamento sem darmos por isso, de empatia como bússola moral e da tentação de delegar tudo em algoritmos.
Perguntámos ainda se existem mesmo decisões “frias”, e se querer separar Emoção e Razão não é, já por si, um erro de julgamento.
Fechámos com um excerto de 1Q84 (1), de Haruki Murakami, onde o que parece lógico se dissolve no enigma da experiência interior.
Agora passamos a bola para o vosso campo: as emoções atrapalham ou iluminam as nossas decisões?
Desta vez, mergulhámos no universo do Salário Mínimo — não só o nacional, mas também as ideias de um salário mínimo municipal ou regional. 💶🌍
A conversa começou com uma pergunta simples: faz sentido que o salário mínimo seja o mesmo em todo o país? E a partir daí… falámos de justiça social, de equilíbrio económico, de desertificação do interior e até do que aconteceria se cada concelho pudesse decidir o seu próprio “mínimo dos mínimos”.
Não trouxemos a tabela ideal, nem uma proposta legislativa, mas ficámos com mais dúvidas boas do que certezas fáceis.
Terminámos com um excerto da fábula intemporal de George Orwell - O Triunfo dos Porcos.
Desta vez, falámos de jogos de computador que estimulam o pensamento e a lógica.
E, apesar de o Miguel ser o Gamer com G maiúsculo da dupla, foi a Joana quem trouxe o tema — sim, plot twist digno de videojogo! 🎮💥
Explorámos jogos como The House of Da Vinci: uma espécie de escape room que explora a criatividade de Leonardo; e We Were Here: um jogo de puzzles que desafia duas pessoas a comunicar exclusivamente através de walkie-talkies para resolverem enigmas (da próxima vez que montarem um móvel IKEA, experimentem a fazê-lo por rádio, sendo que uma pessoa tem as instruções e a outra tem as ferramentas e peças a montar).
No fim, lemos um excerto d’O Senhor dos Anéis — o livro! Aquele que já existia antes de o Frodo ter cara de Elijah Wood. 🧙♂📖
Nesta conversa a dois, partimos de uma inquietação: falámos sobre ambição, limites, desilusão e lucidez. Sobre ser-se genial dentro de quatro paredes… e frágil perante a vida.
Um episódio sobre contrastes, máscaras e vulnerabilidades.
Terminámos com um excerto de um dos poemas mais contundentes da língua portuguesa: 𝐓𝐚𝐛𝐚𝐜𝐚𝐫𝐢𝐚 de Álvaro de Campos.
Neste episódio do “Falemos minuciosamente sobre tudo”, explorámos o impacto das palavras ditas por figuras públicas, artistas e personagens de ficção.
De Star Trek a Young Sheldon, de Eminem a Capicua, reflectimos sobre o poder de uma afirmação no momento certo, e a responsabilidade de quem é ouvido e de quem ouve.
Quando é que a Cultura Pop ultrapassa o entretenimento, e se torna um catalisador para o Bem?
🎙 Neste episódio do nosso “Falemos minuciosamente sobre tudo”, queríamos falar sobre o que é crescer e viver numa ilha — as rotinas, as distâncias, os regressos, o mar, a terra, os afectos, quem fica, quem parte… mas, como sempre, o tempo voou e não deu para tudo…
Acabou por ser uma espécie de entrevista ao Miguel, terceirense de gema, e foi só o começo da conversa. Há muito mais a dizer — voltaremos em breve ao tema.