Antes de virar criador do perfil @afrocrente, Jackson Augusto já sabia que fé não era sinônimo de poder, mas cuidado e comunidade. E essa foi a pergunta que atravessou toda a sua vida: o que, afinal, significa ser evangélico no Brasil?
Jackson nasceu na favela dos Coelhos, uma comunidade ribeirinha do Recife. Filho de uma mulher profundamente religiosa, encontrou na igreja um dos poucos espaços possíveis de socialização.
Não havia dinheiro, nem conforto, mas a igreja foi abrigo e o lugar de infância possível.
O pai de Jackson morreu quando ele tinha apenas 7 meses, e a dor transformou a vida da mãe, que precisou criar um filho negro, sozinha, dentro da favela.
Enquanto ela trabalhava, eram as mulheres da igreja, do círculo de oração, que cuidavam dele. A igreja foi proteção num país que expõe corpos como o dele à violência desde cedo.
Foi ali que Jackson se formou enquanto pessoa, mas também foi ali que começou o conflito. Quando entrou em contato com o movimento negro evangélico, passou a questionar a fé que havia aprendido.
Um pastor tentou confrontá-lo usando a Bíblia para justificar a escravidão, mas Jackson saiu dali com a certeza de que aquele não era o Jesus que o havia formado.
Ao pesquisar a história da igreja batista no Brasil, encontrou raízes escravocratas, racistas, excludentes. Missionários que proibiam casamentos inter-raciais, que associavam a pele negra ao pecado.
Percebeu que a imagem de um Jesus branco não era só estética, mas mais profunda. Um Jesus moldado para servir às elites, não à libertação.
Hoje, Jackson defende que ser evangélico não pode ser reduzido a figuras de poder.
Ser evangélico também é ser a mãe de João Pedro, adolescente assassinado dentro de uma comunidade. É ser mulher solo, empregada doméstica, estudante, gente comum tentando sobreviver.
No fim, a pergunta segue aberta: ser evangélico é sustentar um projeto de poder ou lutar pela vida?
Desde muito cedo, o Mateo viveu como se o próprio corpo anunciasse que algo estava errado. Ataques de pânico aos cinco anos, dores que ninguém explicava, uma inquietação que cresceu junto com ele. Tentou sobreviver do jeito que conseguia: bebendo, fumando, usando para anestesiar o que não sabia nomear. Anos depois, entenderia que não era falta de força. Era doença. E precisava de cuidado.
Na pré-adolescência, escondia garrafas e a tristeza. Aos 17, mergulhou em outras drogas. Quase sempre sozinho. Quase sempre querendo se ferir. A música foi o fio que o manteve aqui. Para que ele desejasse viver o amanhã, o irmão passou a chamá-lo todos os dias para tocar. Dessa rotina nasceu a banda Francisco, el Hombre, que se tornou abrigo, propósito e respiro no meio do caos. Mas mesmo ali, entre palcos e trabalho intenso, o vício seguia ocupando todos os espaços.
Durante a pandemia, o álcool tomou um tamanho impossível de esconder. Mateo trabalhava, sorria e funcionava para o mundo, mas bebia todos os dias. Até perceber que não conseguia mais socializar sem entrar em pânico. A psiquiatra foi seu primeiro porto seguro. A banda, a família e a companheira, os braços que seguraram sua queda. Vieram duas internações. Uma recaída grave. E, pela primeira vez, um diagnóstico que fez sentido: transtorno bipolar tipo 1, ansiedade, fibromialgia e traços borderline. Nomear a dor abriu caminho para tratá-la.
Entre as internações, Mateo transformou sofrimento em criação. No estúdio de casa, produziu músicas que registravam seu processo de cura. Dali nasceu o disco “Neurodivergente”, um retrato honesto das batalhas que carregava por dentro e da esperança que começava a renascer. Publicar essas canções foi também um gesto de abertura: dividir vulnerabilidades para que outros não se sentissem tão sozinhos.
O dia em que acordou feliz sem ter bebido, sem ter usado, foi como renascer. A alegria vinha dele. Sem atalhos. A música voltou como cura, não como fuga. E ele entendeu que vulnerabilidade não quebra. Sustenta.
Hoje ele sabe que recaídas não apagam o que já foi construído. São parte do caminho. O que importa é o passo seguinte. Um dia de cada vez. Uma decisão de cada vez. E a certeza de que, mesmo depois de ter desistido, a felicidade ainda podia existir. E existiu. Porque ele buscou ajuda. Porque ele não caminhou sozinho.
A história do Pedro foi contada em uma parceria do Histórias de Ter.a.pia com a GSK, para conscientizar sobre a importância da vacinação contra a meningite meningocócica.
Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico. *publi
NP-BR-MNU-BRF-250018 - Outubro/2025
Dizem que quem vive um relacionamento abusivo passa a acreditar na maior das mentiras: a de que vai ficar sozinho. A Bruna Caram acreditou nisso por um tempo, até descobrir que o que destrói não é o fim, mas aquilo que vem antes dele.Durante anos, ela achou que estava num relacionamento bom. Até que um ciúme desmedido começou a aparecer nas pequenas coisas. Se a bateria do celular acabava, virava briga. Um amigo de infância dela era uma ameaça. As festas terminavam sempre com ela dormindo triste porque algo desagradava o parceiro. Cada gesto simples do cotidiano era transformado em motivo de culpa. Bruna Caram tentava provar inocência, repetidas vezes, até se ver pedindo credibilidade pra viver o que sempre foi dela.Ser cantora, algo que fazia desde os nove anos, também virou problema. Como se a luz dela fosse um risco constante. Até que, sufocada, contou para uma prima que pensava em terminar e ouviu que podia ser feliz naquele mesmo dia, sem ele. E foi. No instante em que decidiu sair daquela relação, ouviu que talvez não houvesse volta. Mas não sentiu falta por um minuto desde então.Quando finalmente permitiu que a vida seguisse, ela encontrou com um rosto já conhecido em sua vida, o melhor amigo do marido da prima estava na casa da avó dela quando os dois sentiram algo... No primeiro beijo, a Bruna entendeu que queria viver algo que tivesse aquele nível de paz. 11 anos depois, eles continuam juntos, em paz e com muito amor.Nesse casamento, a Bruna Caram aprendeu que quem ama não controla, não ameaça. Relacionamentos bons são baseados em confiança e orgulho mútuo. Esse romance, para uma cantora, precisava virar canção e assim nasceu “Tempo Junto”, escrita pela Bruna Caram para celebrar aquilo que constrói, não o que destrói.A música está disponível em todas as plataformas, junto a um clipe LINDÍSSIMO que ajudamos a montar, com histórias de amor que já emocionaram vocês. Assista aqui: https://youtu.be/jLfa8lJMlfI?si=t46raJX8BGjbTNPt
Foi na fase adulta que a Camila descobriu o nome do que a acompanhava desde criança. Antes disso, era só “alergia”. Só coceira. Só pele machucada. Mas nada disso era “só”. A doença Dermatite Atópica atravessou sua autoestima, seu corpo e o modo como ela existia no mundo. E, por muito tempo, ela acreditou que precisava se esconder.
A pele da Camila sangrava, ardia, rachava. Manchava lençóis, camisetas e até o que ela pensava sobre si mesma. Pela manhã, varria o quarto como quem recolhe restos de si: pele morta acumulada no chão, uma lembrança de tudo que ela perdia enquanto dormia. No ônibus, deixavam o assento vazio ao lado dela. No trabalho, ouviu que seu rosto parecia “carne moída”. Na família, diziam que era “só hidratar”.
Cansada de se encolher, ela fez um vídeo. Ligou a câmera e decidiu assumir o que tanto tentou esconder. Foi na internet que encontrou o nome: Dermatite Atópica. Foi ali também que encontrou uma médica, além de outras pessoas que viviam o mesmo que ela.
Hoje, aos 34 anos, Camila sabe que é forte, mesmo que tenha demorado a enxergar. Vai à praia, usa biquíni, mostra a pele que antes escondia. Incentiva quem a acompanha a fazer o mesmo. Porque ela não é só pele. E porque aprendeu que, se alguém não a respeita no que ela tem de mais visível, não merece estar no que ela tem de mais profundo.
A história da Camila é uma parceria do Histórias de Ter.a.pia com a @lilly_brasil. Conheça mais sobre essa causa da Campanha #AVidaQueEuVivoNaPele - lilly.com/br/avidaqueeuvivonapele
#WeAreLilly @lilly_brasil
PP-LY-BR-0072 – Novembro de 2025 – Material destinado ao público geral
Antes de entender a própria vida, Maristela precisou entender os impactos das ações humanas na terra onde nasceu. A pesca, que sustentou seu povo por gerações, começou a desaparecer. Mariscos mortos, ostras abertas no mangue, manchas de óleo na maré. E as crianças adoecendo. Algumas não resistindo. Para quem vive ali há décadas, a destruição tem nome e endereço: os empreendimentos que cercaram a ilha.
Maristela cresceu ouvindo que seus antepassados fugiram dos engenhos usando a pesca como proteção. O quilombo nasceu da resistência, da água, da noite. Ela foi criada nesse ciclo: mãe no mangue, vizinha mariscando, bisavô alertando que, quando “as fábricas apontassem”, tudo mudaria.
E mudou. O mangue escureceu. O peixe ganhou gosto de óleo. A maré passou a irritar a pele das crianças. Estudos confirmaram metais pesados no corpo delas. Adriane virou símbolo dessa dor: perdeu um braço, lutou contra o câncer, mas o corpo não aguentou.
A cada vazamento, a cada garrafa achada dentro de um peixe, o quilombo lembrava que comer, tomar banho e respirar virou risco. Adultos criaram feridas. Jovens passaram a ter crises asmáticas. Crianças temeram o próprio prato. E ninguém foi responsabilizado.
Mesmo assim, Maristela cuida da ilha como de uma casa que não abandona. Ensina crianças a recolher o lixo que não jogaram, reconhecer árvores sagradas, vigiar manchas na maré. Elas sabem mais do território do que muitos que tentam apagá-lo.
Hoje, ela teme o avanço que engole seu povo, mas encontra esperança nos pequenos: nos que querem estudar para salvar o mar, nos que sonham com a volta dos mariscos, nos que carregam no corpo a memória de um território que já foi vivo.
Mesmo diante de tudo, ela não troca a ilha por nada. Diz que hoje está enfermeira, mas sempre será pescadora e marisqueira.
A história de Maristela faz parte da parceria entre @unicefbrasil e @historiasdeterapia sobre os efeitos das mudanças climáticas na vida de crianças e adolescentes no Brasil. As pessoas retratadas não são necessariamente beneficiárias de programas do UNICEF.
Aos 32 anos, Roberta passou pelo maior susto da sua vida: no meio da correria para levar a filha pequena à natação, ela infartou.
Mas não foi rápido assim. Antes de sair de casa, Roberta sentiu um soco no peito, o braço formigando, a respiração falhando…
Chegando no hospital, ouviu de uma médica que “não era nada”, quase foi medicada e liberada. Até que o chefe da emergência interveio, reconhecendo o infarto. Ela lembra da escuridão chegando e de repetir em pensamento: “Deus, não me leva agora, eu quero ver minha filha crescer.”
Roberta ficou internada no CTI, o diagnóstico foi duro: artéria principal 100% obstruída, colesterol alto, risco genético. E ela só tinha 32 anos!
O maior sofrimento, porém, não foi a dor no peito, mas a ausência. Roberta perdeu a festa junina da filha e, dias depois, passou o aniversário da pequena no hospital. Chorava pedindo que cuidassem da menina, enquanto tentava controlar a pressão que não baixava. Sobreviveu, mas carregou a culpa: e se tivesse se cuidado antes?
Roberta dormia pouco, se alimentava mal, não fazia exercícios e carregava o peso das contas e da responsabilidade pela mãe idosa. Até que o corpo cobrou.
Com o tempo, transformou culpa em mudança. Reaprendeu a viver com mais leveza: alimentação regrada, exercícios, terapia para lidar com o trauma. Um ano e meio depois, engravidou novamente, em uma gestação de alto risco, mas que lhe deu mais uma filha. Hoje, diz que ama ainda mais a vida, que valoriza o simples, da água caindo no chuveiro a um abraço apertado.
Roberta sabe que teve sorte. Por isso, deixa um recado: qualquer sinal diferente no corpo merece atenção. Infarto não é só coisa de gente mais velha. Cuidar de si é também uma forma de cuidar de quem se ama.
A história da Roberta é uma parceria do Histórias de ter.a.pia com a Novartis para a campanha #OVilãoDoSeuCoração para conscientização dos perigos do colesterol ruim.
Saiba mais sobre o Vilão do Coração em saude.novartis.com.br/vilaodocoracao/.
#OVilaoDoSeuCoracao #SaúdeCardiovascular #Prevenção #ControleDoColesterol #CuideDoSeuCoração #PubliNovartis BR-36280
Geovanne cresceu acreditando que podia ser qualquer coisa, até que o mundo mostrou que não seria tão simples. Aos 9 anos, e depois aos 13, ele viveu situações de abuso sexual, algo que ninguém da sua idade deveria viver.
A partir de então, o silêncio virou sua forma de sobreviver. O menino falante e dedicado na escola se calou, se afastou da mãe, do irmão, dos amigos que nunca teve.
Geovanne cresceu achando que o erro era ele, que sentir nojo, medo e vergonha de si mesmo era normal. Sua vida na escola não o ajudava também, o bullying era constante e virou agressão física.
Jogaram 💩 no carro da mãe, bateram nele, o trancaram em uma caixa. Ele era um corpo que apanhava e uma mente que tentava esquecer.
Quando tudo parecia se repetir, o medo, o isolamento, o vazio, ele encontrou uma brecha de luz. No Liceu de Artes, em Manaus, conheceu o teatro, a música e pessoas que, pela primeira vez, o faziam se sentir parte de algo.
Ali nasceu o Number Teddie, nome que inventou pra se esconder, mas que acabou sendo a forma de se mostrar.
Com o tempo, escrever virou o que mantinha o Geovanne de pé. A música se tornou o lugar onde ele podia dizer tudo o que sempre teve medo de falar. Foi escrevendo que entendeu que não precisava ter vergonha do que viveu na infância.
Quando lançou “Todo Homem Faz”, uma canção sobre o abuso que sofreu, Geovanne chorou. Pela dor, mas também pelo alívio. Pela primeira vez, o medo deu lugar à coragem. Pela primeira vez, ele se viu inteiro.
Hoje, Geovanne, ou Number Teddie, canta não porque esqueceu, mas porque sobreviveu aos seus traumas. E entende que o maior poder que tem é ser quem é: sem medo, sem vergonha, sem silêncio.
Alice mora no bairro do Ibura, na periferia do Recife. Quando as chuvas fortes atingiram a comunidade em 2022, barreiras deslizaram e casas inteiras foram soterradas. Amigos e vizinhos de Alice morreram, e ela, que é cadeirante e depende de acessibilidade para se locomover, ficou sem acesso ao seu tratamento fisioterapêutico.
Mas foi justamente no meio do caos que Alice decidiu reagir. Junto a outros jovens da comunidade, começou a organizar doações, preparar refeições e visitar famílias que tinham perdido tudo.
O que começou como uma ação emergencial se transformou em movimento. Da união nasceu o Coletivo Arte na Favela, um grupo criado por ela para mobilizar e educar os jovens do Ibura sobre as mudanças climáticas através da arte.
Com o tempo, o coletivo virou espaço de escuta, aprendizado e reconstrução. Através da pintura, da música e do teatro, Alice e seus colegas passaram a falar sobre o impacto das mudanças climáticas, a importância do cuidado com o território e o direito de viver com dignidade, mesmo nas áreas esquecidas da cidade.
Para ela, o que aconteceu no Ibura não foi apenas uma tragédia ambiental, mas um retrato de como as mudanças climáticas atingem, primeiro e com mais força, quem vive nas margens.
Hoje, integrante do Conselho Jovem do UNICEF, Alice leva sua voz para além da comunidade, lembrando que cada enchente, cada deslizamento e cada vida perdida tem uma história por trás.
Para ela, “quando a natureza sofre, a gente sofre junto” porque cuidar da terra é cuidar da gente também.
A história da Alice faz parte da parceria entre o UNICEF e o Histórias de ter.a.pia para alertar sobre os efeitos das mudanças climáticas na vida de crianças e adolescentes no Brasil. As pessoas retratadas não necessariamente são beneficiárias de programas implementados pelo UNICEF ou por parceiros.
Vanderlei e a esposa tinham planejado alguns dias de descanso em Fortaleza, mas, no meio de um passeio na praia, ele começou a se sentir muito mal. A vista escureceu, a respiração faltou e a dor no peito se tornou insuportável. A cada passo, ele sentia como se o pulmão fosse esmagado.
A esposa correu em busca de ajuda, mas ouviu que ali só havia um pequeno posto de saúde. O hospital mais próximo ficava a quase três horas de distância de onde os dois estavam.
No caminho, o braço esquerdo de Vanderlei começou a doer como se estivesse sendo atravessado por um ferro em brasa. O medo maior, no entanto, não era da morte. Era da esposa voltar para casa com ele em um caixão.
No hospital, veio a confirmação: Vanderlei tinha sofrido um infarto. As artérias estavam quase totalmente obstruídas. Ele precisou passar por uma cirurgia de cateterismo às pressas.
Foram mais de vinte dias internado, entre fisioterapias dolorosas, crises de choro e a sensação constante de que poderia não resistir. Tudo isso longe de casa, já que os dois estavam em Fortaleza, mas moram em São Paulo.
O que o manteve de pé foi a presença da esposa. Ele não deixava que ela saísse nem por alguns minutos. Era a mão dela segurando a sua que lhe dava força para enfrentar cada procedimento, cada medo, cada madrugada gelada na UTI de hospital.
Sete anos depois, Vanderlei ainda se emociona ao lembrar do que viveu. O infarto deixou cicatrizes físicas e emocionais, mas também mudou como ele enxerga a vida.
Hoje, agradece por estar vivo e por ter sua esposa ao lado quando tudo parecia terminar. Ao olhar para trás, Vanderlei vê o quanto negligenciou sua saúde, sem ter uma rotina com alimentação saudável, exercícios e acompanhamento médico, e faz um alerta: saúde em primeiro lugar sempre!
A história do Vanderlei é uma parceria do Histórias de ter.a.pia com a Novartis para a campanha #OVilãoDoSeuCoração para conscientização dos perigos do colesterol ruim.
Saiba mais sobre o Vilão do Coração em saude.novartis.com.br/vilaodocoracao/
#OVilaoDoSeuCoracao #SaúdeCardiovascular #Prevenção #ControleDoColesterol #CuideDoSeuCoração #PubliNovartis BR-36281
Toda vez que começa a chover, Ágata fica em alerta. Ela tem só 6 anos, mas já sabe o que precisa fazer: guardar os brinquedos, levantar os cadernos e separar suas roupas.
A água entra rápido na casa onde mora com o pai, Rafael, e eles aprenderam a reagir depressa para tentar salvar o que podem.
Rafael mora na Baixada da Sobral, bairro periférico e o mais populoso de Rio Branco, no Acre, em uma área que alaga quase sempre. Atrás da casa dele passa um córrego estreito, que recebe água da chuva e também a água suja liberada pela empresa de abastecimento. O resultado é sempre o mesmo: o córrego transborda, as ruas desaparecem e muitas famílias ficam ilhadas.
Ele e a filha já perderam fogão, cama, armário. Hoje, vivem com tijolos empilhados em casa para levantar os móveis quando a água sobe. Mesmo assim, muitas vezes passam horas presos dentro de casa, sem luz, sem internet e sem como sair. Quando a escola de Ágata alaga, ela perde aula.
Cansado de ver a situação se repetir, ele começou a usar o humor como forma de protesto e transformar isso em ferramenta de denúncia. Gravou o primeiro vídeo satirizando as enchentes do bairro, o conteúdo viralizou e o tornou uma voz entre os vizinhos.
Rafael também organizou manifestações pacíficas para cobrar ações do poder público. Em uma delas, acabou sendo agredido e detido por um policial. No mesmo dia, à noite, o bairro voltou a alagar. Mesmo assim, ele não parou de cobrar.
Hoje, Rafael usa as redes sociais para mostrar a realidade das mais de 100 mil pessoas que vivem em seu bairro. Fala sobre os impactos ambientais, o descaso das autoridades e a falta de saneamento. E, no meio de tudo isso, tenta ensinar à filha que vale a pena continuar tentando.
A história completa do Rafael e da Ágata você assiste no site historiasdeterapia.com.
A história dos dois faz parte da parceria entre o UNICEF e o Histórias de ter.a.pia para alertar sobre os efeitos das mudanças climáticas na vida de crianças e adolescentes no Brasil. As pessoas retratadas não necessariamente são beneficiárias de programas implementados pelo UNICEF ou por parceiros.
João já nasceu lutando pela vida. No seu parto, os médicos diziam que só poderiam salvar uma vida, a dele ou da mãe. Os dois sobreviveram e João veio ao mundo muito cheio de uma força que só cresceria com o tempo.
Sua mãe era uma mulher trabalhadora da periferia de Belém, no Pará, e enfrentava o sol escaldante diariamente indo para o trabalho, que a fez desenvolver um câncer de pele.
Quando João tinha 2 anos, sua mãe partiu por conta da doença que avançou rápido demais.
Crescer sabendo dessa história fez João entender o que muitos adultos ainda custam a perceber: as mudanças climáticas e as desigualdades sociais matam pessoas reais como a sua mãe.
Na Ilha de Caratateua, onde vive com os avós, João sente esses impactos todos os dias: o calor intenso na escola, os incêndios que cercam as casas e as chuvas que alagam as ruas.
João cresceu em meio à fé protestante e à consciência de que a Terra também precisa de cuidado. João entendeu, aos 13 anos, o quanto a mudança nasce quando as pessoas se unem.
A primeira vez que mobilizou a vizinhança foi por causa do lixo que tomava a sua rua. Ali ele reuniu alguns vizinhos, puxou o lixo pro meio da via, fechou as avenidas e chamou atenção das autoridades.
Depois disso, sua voz foi ficando mais alta. Quando foi convidado para ser Conselheiro Jovem do UNICEF Brasil, João entendeu que sua luta, antes local, agora ecoava em todo o país.
Representando a juventude amazônica, ele se tornou uma das vozes mais potentes na defesa do meio ambiente e na busca por justiça climática.
Hoje, aos 16 anos, ele é conhecido como João do Clima, um jovem que luta por sua comunidade, pelos rios, pelas florestas e pelas pessoas que, assim como sua mãe, sofrem as consequências da desigualdade e da crise ambiental.
A história de João faz parte da parceria entre o UNICEF e o Histórias de ter.a.pia para alertar sobre os efeitos das mudanças climáticas na vida de crianças e adolescentes no Brasil. As pessoas retratadas não necessariamente são beneficiárias de programas implementados pelo UNICEF ou por parceiros.
A vida inteira da Rosany foi marcada por recomeços. Ela sobreviveu ao acidente que levou o pai, a avó e a irmãzinha quando tinha apenas dez anos. Passou um mês em coma, fez nove cirurgias no rosto e cresceu vendo a mãe tentar lidar com a dor tomando calmantes.
Aos quinze, engravidou e se casou. Trabalhou sem parar para sustentar as filhas enquanto o marido se perdia no alcoolismo. Até que um dia, depois de mais uma agressão, ela reagiu. Pegou a tábua de passar e quebrou o nariz dele. Era o eco do que o pai dizia: “criei vocês pra não apanhar de homem.”
Separada aos 23, Rosany voltou a estudar e decidiu prestar concurso para a Polícia Civil. Passou, enfrentando o preconceito por ser mulher, separada e policial. Na Delegacia da Mulher, encontrou histórias parecidas com a sua e fez delas um propósito. Criou uma brinquedoteca, trouxe psicólogas voluntárias e usava a própria história para encorajar outras mulheres a romper o ciclo da violência.
Mas a vida ainda a colocaria à prova. O segundo marido foi assassinado, e ela precisou reerguer as filhas sozinha mais uma vez. Depois veio a pandemia e a Covid, que quase a levou. Entubada por 30 dias, prometeu que, se saísse viva, faria algo com o tempo que lhe restava.
Com 60 anos, matriculou-se de novo na faculdade de Direito, o mesmo curso que havia abandonado décadas antes. Rodeada de colegas que poderiam ser seus netos, ela se sentiu acolhida e viva.
Rosany diz que todo conhecimento que a gente adquire aqui é pra eternidade. Que a vida pode até nos derrubar, mas nunca é tarde para recomeçar. Se ela conseguiu, você também consegue.
ATENÇÃO. CONTEÚDO SENSÍVEL. Aos 12 anos, Thaysa viveu seu primeiro selinho com uma colega da escola. O que poderia ter sido uma lembrança bonita de descoberta se transformou em um pesadelo.
Um homem da família testemunhou a cena e, pouco depois, disse que ela precisava “aprender a ser mulher de verdade”. A partir daí, vieram três anos de abuso e uma vida marcada pelo silêncio cúmplice de quem deveria protegê-la.
Quando buscou ajuda dentro da família, Thaysa encontrou apenas desconfiança e julgamentos. “Será que não provocou?”, “será que não gostou?”.
A falta de acolhimento doeu mais do que os próprios atos. Além do do abuso físico, Thaysa suportou anos de violência emocional, vivendo sob o mesmo teto de quem a destruía por dentro.
Aos 15 anos, ela reuniu coragem para enfrentá-lo. Aos 20, o expulsou de casa. Mas as marcas já estavam profundas. Vieram bloqueios de memória, autoagressões, o refúgio na comida e o ódio de si mesma por ser uma mulher lésbica.
Durante muito tempo, a Thaysa acreditou que sua orientação era a causa do seu trauma, carregando uma culpa que não era dela.
Foi somente com o encontro de Andreia, que se tornaria sua esposa, que o mundo começou a recuperar as cores.
Aos poucos, Andreia ajudou a Thaysa a enxergar que não precisava viver aprisionada na dor. Dessa força nasceu a decisão de transformar sua própria história em acolhimento.
Thaysa entrou na faculdade, se formou em psicologia e se especializou em traumas. Hoje, no consultório, recebe pessoas que chegam carregadas de vergonha e culpa, assim como ela.
Para Thaysa, quem deve carregar o peso da vergonha não é a vítima, mas quem escolheu praticar o mal. E é por isso que repete, com firmeza e cuidado, a quem atende: ninguém precisa passar por isso sozinho.
🚨 Se você souber de situações de violência contra crianças e adolescentes, denuncie! Ligue para o Disque 100. A denúncia é anônima e pode salvar vidas.
Aos 91 anos, Dona Margarida realizou um sonho que parecia ter ficado no passado: lançou seu primeiro disco, assinado com o nome artístico que um dia sonhou carregar, Maria Piedade.
O que foi interrompido pelas imposições de uma época, renasceu agora pelas mãos de seus filhos e netos, que transformaram sua história em música e memória.
Desde pequena, Margarida cantava na igreja e em programas de calouros das rádios do interior, chegando a dividir bastidores com Ângela Maria e Carlos Galhardo.
Em São Paulo, foi eleita “estrela do quarto centenário” da Rádio Nacional entre centenas de candidatos. Parecia o início de uma carreira promissora. Mas o pai a alertou sobre os riscos do ambiente artístico, e um locutor lhe disse que, para vencer, seria preciso “ceder”.
Margarida não aceitou esse destino, então decidiu deixar os palcos, voltar para Itapetininga, reatar o namoro com seu ex-companheiro e se dedicar à família.
Virou professora de música, mas logo a maternidade ocupou seu tempo. Só que a música nunca saiu de sua vida porque ela a apresentou para os filhos e netos, que se tornariam músicos também.
Inclusive, foi deles a ideia de resgatar as canções que ela entoava nas rádios e gravar um álbum em sua homenagem.
Quando o disco chegou à rádio e à igreja de Avaré, cidade onde a família mora, Dona Margarida se emocionou ao ouvir pessoas comentarem: “Margarida, ouvi seu CD!”.
Entre as faixas, está “Menino Grande”, música que dedicava ao marido. Inspirado, o filho Juca compôs também “Meu Menino Grande”, celebrando o amor dos pais.
Hoje, aos 91 anos, Maria Piedade deixa para sua família e para o mundo um registro eterno. Um disco que carrega não só as músicas, mas a prova de que sonhos podem adormecer, mas nunca desaparecem.
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Desde o nascimento, a vida de Pedro Henrique foi atravessada por olhares e palavras que tentaram reduzir quem ele poderia ser. Sua primeira experiência com o capacitismo havia sido poucas horas depois dele nasceu, quando o médico disse à sua mãe, ainda na maternidade: “ele vai ser tipo um anão de circo”.
A frase marcou o início de uma trajetória em que sobreviver significou enfrentar, diariamente, um mundo que insiste em não enxergar pessoas com deficiência como iguais.
Prematuro de oito meses, Pedro foi direto para a UTI. Sua mãe o reencontrou cheio de tubos e, assustada com os diagnósticos duros, chegou a pensar que talvez fosse melhor o filho não sobreviver a tanto sofrimento.
Mas o Pedro sobreviveu e logo descobriu que viver com deficiência seria enfrentar o capacitismo em cada espaço.
Na infância, seu primeiro contato com a representação do nanismo foi com os anões da Branca de Neve, retratados como adultos infantilizados. Na escola, o preconceito foi ainda mais cruel quando ele muda de um colégio de bairro, onde todos o conheciam, e vai para uma escola muito maior.
Na escola nova, que era religiosa, ele ouviu de professores e colegas que era um karma para os pais. Ao mesmo tempo, assistia à TV transformar pessoas como ele em piada, e nas ruas sofria agressões físicas e verbais. Lembra do “pedala Robinho” popularizado pelo Pânico na TV?
A tudo isso se somava ainda a homofobia. Ainda criança, Pedro sabia que se interessava por meninos, mas estudava em uma escola religiosa que dizia que isso era pecado. Imagina uma pessoa com deficiência, que já é vista como uma provação para família, se assumir homossexual? Impossível.
Foram quase trinta anos até ele conseguir se assumir como homem com deficiência e como homem gay. Só então começou a se reconhecer digno de existir, de se olhar no espelho e se sentir desejado.
Mas no campo afetivo, as marcas do capacitismo persistiam: “fica, mas não assume”, “fica, mas não leva pra família”. Para o Pedro, a exclusão aparece nas relações, nas festas, nos trabalhos que nunca chegam.
Hoje, ele é diretor, roteirista, ator, jornalista e influenciador. Vai com medo, mas vai. Porque acredita que pessoas com deficiência não só produzem arte como também transformam as narrativas de um país que insiste em não incluí-las.
A Rosana descobriu que a vida de sua criança não seguiria os caminhos esperados quando um exame revelou uma síndrome rara: higienesia gonodal mista, que mostrou que a criança tinha cromossomos masculinos (XY) mas genitália feminina.
A partir dali, a compreensão da Rosana sobre identidade e gênero mudou para sempre.
Desde cedo, os sinais estavam presentes na criança. Durante muito tempo, a mãe acreditou que fosse apenas teimosia. Até que, em uma festa de Ano Novo, a criança passou a noite inteira parada, emburrada com o vestido que lhe vestiram.
No fim, pediu para trocar de roupa: “essa roupa de menina é meu inimigo”. E com shorts e camiseta que lhe vestiram depois, correu e brincou como nunca. Ali ficou claro que não era birra, mas identidade.
A rotina da mãe e da criança passou a incluir longas viagens para exames e acompanhamento. Por conta da sua síndrome, a criança não desenvolveu o crescimento e, por isso, toma diariamente hormônio do crescimento, enquanto médicos observam se seu corpo responde mais a estímulos masculinos ou femininos.
Nesse momento, nem a mãe, nem a equipe médica se preocupam em definir se ela será menino ou menina, mas garantir saúde e um futuro.
Nesse processo, Rosana que não tinha conhecimento nenhum sobre o que acontece com sua criança, entendeu que seu papel é ser seu alicerce. Hoje, ela entende que seu papel não é impor escolhas, mas apoiar.
No mercado, quando alguém chama a criança de “menininho”, ela apenas observa o sorriso de alegria no rosto da criança. Em desenhos, a filha liga seu coração ao da mãe, reconhecendo nela o apoio para ser quem deseja ser.
A história da Rosana e sua criança mostra que não se tem respostas para os mistérios da vida, seja ele identitário ou genético.
E a partir disso, tudo que uma mãe ou um pai pode fazer é condicionar à sua criança amor, aceitação e respeito. Porque o mais importante é que essa criança cresça livre, feliz e sendo exatamente quem ela é.
Sandra descobriu o câncer de mama em um momento em que já não havia mais como esconder os sinais. Mas, diferente do que muitos poderiam imaginar, ela não deixou que o diagnóstico apagasse quem ela é. Tudo começou com um caroço que não deram muita importância e somente após algumas consultas, veio o diagnóstico: câncer de mama avançado
No cuidado paliativo, Sandra encontrou qualidade de vida para fazer o que gosta, amar quem ama e ser quem é. Desde 2013, entre cirurgias, quimioterapias e renascimentos, ela encontrou um jeito de ajudar outras pacientes que cruzam seu caminho e de continuar vivendo. E vivendo com intensidade! Ela mesma diz “quando a morte chegar, vai me encontrar viva”.
A história de Sandra não é sobre desistir, mas sobre continuar. Ela nos lembra que existe vida após o diagnóstico e que falar sobre o câncer de mama é essencial para ampliar o acesso à informação. Em muitos casos, o tratamento adequado no momento certo pode fazer toda a diferença e, até mesmo, a cura.
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“Eu descobri que meu pai era gay depois que eu me assumi gay.” Foi assim que Gabriel entendeu que sua história não era apenas sobre coragem individual, mas sobre como a verdade, quando finalmente aparece, pode transformar uma família inteira.
Pai e filho se assumiram quase juntos, e o que poderia ter sido motivo de ruptura virou um laço ainda mais forte.
Desde muito cedo, Gabriel sabia que era diferente. Cresceu em uma família católica, ouvindo que amar outro homem era pecado, que poderia levá-lo para o inferno. Aos 17 anos, começou a se relacionar com um garoto, sempre escondido, até que os comentários e as fofocas chegaram à sua mãe. O medo de contar a verdade foi maior do que a coragem naquele momento.
Quando tentou conversar, sentiu o peso do julgamento nos comentários dela, e preferiu escrever uma carta para o pai e a avó: dizia que não ia mudar, porque aquela era a sua verdade. A reação da avó foi simples: “O importante é você comer, não importa a sua orientação”. Já o pai só foi descobrir pessoalmente, dentro do carro, enquanto levava o filho para encontrar o namorado.
Pouco tempo depois, a vida deu uma reviravolta. Assim que Gabriel se assumiu, seus pais iniciaram o divórcio. Foi a mãe quem revelou: “Seu pai é igual a você. Ele também é gay.”
A frustração dela, que vinha de anos de casamento de fachada, começou a se transformar em aceitação. Se o marido que viveu 20 anos ao seu lado era gay, como negar a verdade do próprio filho? A partir dali, os três puderam começar a viver de forma mais livre.
O que poderia ter acabado em rompimento se transformou em um novo tipo de família. Separados, mas próximos. A mãe arrumou um namorado, que era amigo do pai.
O pai, aos 50 anos, apresentou o namorado para a ex-esposa, para o filho e até para a sogra. Os Natais, os almoços e as conversas continuaram juntos, mas agora sem a fachada da mentira.
Gabriel lembra com orgulho de quando percebeu que sua família, vista por tantos como “moderna demais”, na verdade, só estava sendo sincera. Sem o peso da religião, sem a obrigação da aparência, restou o que sempre deveria ter sido o centro: amor e respeito.
O casamento acabou, mas a família não se desintegrou. Pelo contrário: ficou mais inteira do que antes. Pai e filho puderam sorrir livres, viver seus afetos sem medo, e descobrir que a verdade, mesmo que tardia, liberta.
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"Esse é meu pai. Ele é gay. Essa é minha mãe. Ela é hétero. Eles são amigos". É assim que Alyce costuma se apresentar quando alguém pergunta sobre sua história.
Não é uma resposta que costuma vir sozinha. Ela geralmente vem acompanhada de um olhar curioso, confuso ou até chocado.
Mas, pra Alyce, tudo sempre foi muito simples: ela nasceu de um desejo comum. E de um afeto verdadeiro.
Os pais de Alyce se conheceram num churrasco na casa do tio dela, que também era gay, embora ninguém soubesse ainda.
No meio dessa festa, nasceu uma amizade entre a mãe de Alyce e seu futuro pai. Uma amizade tão forte que fez com que ele passasse a frequentar a casa com frequência.
O tempo foi passando, a amizade foi ficando mais sólida, e ele começou a brincar que queria ter um filho com ela. No começo, ela achava que era só piada.
Até que, cinco anos depois, eles decidiram que sim: iriam tentar. Naturalmente, sem inseminação, sem processo médico. Com afeto, confiança e consentimento.
Foram três tentativas até que desse certo. E quando a notícia da gravidez chegou, por meio de uma cólica que parecia ser renal, mas era só a Alyce dizendo "cheguei", ele ficou eufórico. Ligou pra todo mundo. Queria contar ao mundo que ia ser pai.
Muitos achavam que por ele ser um homem gay, não seria presente. Pelo contrário: ele sempre esteve lá. Acordava de madrugada, se preocupava com os cuidados, foi presente em todas as fases. Foi acolhido pela família da mãe dela, morou com elas, e nunca escondeu quem era.
Alyce cresceu ouvindo que seu pai era gay. Cresceu indo à Parada com ele no colo. Viu de perto o que era diversidade. Viveu, em casa, a experiência do respeito.