Como bons livrólicos que somos, não passamos sem umas belas resoluções literárias para o novo ano. Mas, seguindo o mantra de Pedro Chagas Freitas, prometemos falhar, embora prognósticos só se façam no final do jogo.
Recebemos por isso 2026 com alguns planos de que vos falamos neste episódio, no qual podem ficar a saber quais são os 10 livros que queremos ler este ano.
2025 aproxima-se do seu ato final, mas não sem antes decidirmos quais foram as leituras que mais nos marcaram este ano, tanto pela positiva como pela negativa. Prometemos, como sempre, escolhas ecléticas e muitas recomendações que, se ainda não leram, vão querer colocar na vossa tbr para 2026.
Há livros que merecem que mesmo exaustos, depois de um longo dia de trabalho, nos sentemos a falar quase 2 horas sobre eles. E um desses livros é sem dúvida "Agora e na Hora da Nossa Morte" da Susana Moreira Marques, recentemente reeditado pela Companhia das Letras. Um livro publicado originalmente há mais de 10 anos e que é um marco da literatura de não ficção em Portugal.
Ao acompanhar uma equipa de cuidados paliativos em Trás-os-Montes, Susana Moreira Marques descobriu uma nova forma de escrever, que ficou cristalizada neste livro em 3 partes: um diário de viagem, que nos apresenta o espaço geográfico e emocional de quem acede à intimidade de quem se aproxima da morte; os retratos das pessoas que olham a morte nos olhos; e as notas que a viajante leva para o futuro.
Junta-se a mim neste episódio a Teresa, a quem este livro tocou tanto quanto a mim.
Os livros da Akiara cheiram sempre a Natal e, aproveitando que saíram recentemente novidades e que muitos de vocês ainda andam à procura do presente ideal para oferecerem, convidei a Inês Castel-Branco para falarmos sobre o amor e dedicação com que os livros da Akiara são criados, num processo tão próximo do artesanal quanto possível. E tudo isso se nota nos livros que chegam ao leitor: autênticos objetos de arte, que privilegiam as mensagens de respeito pela natureza, aceitação da diferença e empatia.
As 4 novidades publicadas recentemente pela editora são:
"Durmo na rua - seis testemunhos de pessoas sem-abrigo", um livro de entrevistas de Laia de Ahumada e Cinta Fosch
"Vamos ao bosque", um livro silencioso de Verónica Fabregat
"Pequena, mãe, avó", uma homenagem de Maria e Ana Sender à sua avó
"Erva daninha", um conto sobre liberdade e descoberta de Ángeles Quinteros e Karina Cocq
Mas há muitas mais recomendações nesta conversa.
Em novembro, o Clube Liivrólicos Anónimos dedicou-se à leitura de um dos mais importantes livros da literatura marroquina e árabe contemporânea, que foi publicado em Portugal pela Ântigona, com tradução do árabe de Hugo Maia.
Escolhemos esta narrativa biográfica por se enquadrar no projeto #novembrobiográfico e por sabermos de antemão que se tratava de um livro duro. E foi isso exatamente que encontrámos, a história dos muito difíceis primeiros anos de uma vida, muito marcados pela fome, pobreza, marginalidade e desejo.
Mas, terá esta leitura tido em nós o impacto que esperávamos?
Com tantos livros a serem publicados, no momento de comprar os presentes de Natal, o difícil é escolher, certo? Errado! Por um simples motivo: já fizemos esse trabalho por vocês e podem encontrar neste episódio excelentes sugestões de livros, para todos os gostos.
Livro ilustrado
Silvéria: Livros musicais da editora Cucco Kids e livros-formigueiro da editora Albana Lima
João: "Aquele natal inteiro e limpo" de José Gardeazabal e Susana Matos (Kalandraka)
Livro de autor português
Silvéria: "No Brasil não há leões" de Álvaro Curia (Manuscrito Editora)
João: "Pés de barro" de Nuno Duarte (Leya)
Banda desenhada
Silvéria: "O amor infinito que te tenho" de Paulo Monteiro (Polvo Editora)
João: "O homem de negro" de Gregory Panaccione e Giovanni Di Gregorio (ASA)
Livro biográfico
Silvéria: "Trinta segundos sem pensar no medo" de Pedro Pacifico (Cultura Editora)
João: "Agora e na hora da nossa morte" de Susana Moreira Marques (Companhia das Letras)
Livro de ficção internacional
Silvéria: "Canção doce" de Leila Slimani (Alfaguara)
João: "A Campânula de vidro" de Sylvia Plath (Relógio d'Água)
Falamos também neste episódio de algumas novidades do grupo Penguin:
"Todas as famílias felizes" de Miguel d'Alte (Suma de Letras)
"Contos completos 2" de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
"O resto é história" de Tom Holland e Dominic Sandbrook (Vogais)
"Vaim" de Jon Fosse (Cavalo de Ferro)
"A legião estrangeira" de Clarice Lispector (Companhia das Letras)
"Complexo Brasil" organizado por José Miguel Wisnik (Companhia das Letras)
Celebrou-se em outubro o centenário de um dos mais célebres escritores portugueses do século XX: José Cardoso Pires. E, para assinalar esta efeméride, o Clube Livrólicos Anónimos decidiu ler "De Profundis, Valsa Lenta", livro reeditado nos últimos anos pela Relógio d'Água, uma importante narrativa médica em que Cardoso Pires nos fala sobre a sua experiência com um AVC.
E, dada a temática, nada melhor do que contar com a perspetiva de uma médica, pelo que convidei a Teresa a voltar e a partilhar esta leitura comigo.
Uma das apostas da Penguin para este ano foi o lançamento de 2 novas coleções na chancela Penguin Clássicos: a coleção Penguin Little Black Classics, focada em textos que, apesar de breves, marcaram gerações e resistiram à passagem do tempo; e a coleção Penguin Great Ideas, que apresenta livros que, pela sua capacidade para esclarecer, chocar, provocar e confrontar, conseguiram mudar o mundo.
E é sobre os livros que inauguraram ambas as coleções em Portugal (e a preços bastante acessíveis, diga-se de passagem), de que vos falamos neste episódio:
Penguin Little Black Classics
"Uma Sociedade" de Virginia Woolf
"Os Diários de Adão e Eva" de Mark Twain
"As Filhas do Falecido Coronel" de Katherine Mansfield
"O Banqueiro Anarquista" de Fernando Pessoa
Penguin Great Ideas
"Uma Vindicação dos Direitos da Mulher" de Mary Wollstonecraft
"A Arte da Guerra" de Sun Tzu
"Um Quarto Só Seu" de Virginia Woolf
"Uma Apologia do Ócio" de Robert Louis Stevenson
Já leram algum destes livros? Contem-nos tudo nos comentários.
Que comece o #novembrobiográfico, o projeto que vos desafia a lerem livros de cariz biográfico (sejam biografias, memórias, diários, bandas desenhadas, livros ilustrados, romances biográficos, autoficção...) durante o mês de novembro e a partilharem a experiência usando a hashtag do projeto e identificando no instagram o perfil @na.cama.com.os.livros.
E porque sabemos que sugestões são sempre bem-vindas, neste episódio partilhamos algumas recomendações e falamos um pouco sobre os livros que pretendemos ler.
O João recomenda:
"Quem matou o meu pai" de Édouard Louis (Elsinore)
"Anaïs Nin: No mar das mentiras" de Léonie Bischoff (Devir)
"Virar o medo ao contrário, como a Paula Rego" de Catarina Sobral (Tinta da China)
A Silvéria recomenda:
"Impenetrável" de Alix Garin (ASA)
"Isto vai doer" de Adam Kay (Cultura Editora)
"Ainda estou aqui" de Marcelo Rubens Paiva (Dom Quixote)
O João vai ler:
"A Desobediente" de Patrícia Reis (Contraponto)
"Entrego Encomendas em Pequim" de Hu Anyan (Self)
"Miss Major Fala" de Toshio Meronek e Miss Major Griffin-Gracy (Vírgula d'Interrogação)
"Agustina Bessa-Luís - O Riso de Todas as Palavras" de Inês Fonseca Santos; Ilustração: João Maio Pinto (Imprensa Nacional & Pato Lógico)
Falamos também sobre algumas das novidades do grupo Penguin:
"Corpo de Cristo" de Bea Lema (Iguana)
"Pretty Guardian Sailor Moon – Livro 1" de Naoko Takeuchi (Distrito Manga)
"O que não sei de ti" de Éric Chacour (Alfaguara)
"O colapso" de Édouard Louis (Elsinore)
"Alice no país das maravilhas" de Lewis Carroll, ilustrado por Yayoi Kusama (Iguana)
"Henrique V" de Dan Jones (Vogais)
Vão participar no #novembrobiográfico? Se sim, digam-nos nos comentários o que vão ler.
"A (in)felicidade de Sara Lisa" é o primeiro romance da Ana Portocarrero, uma nova voz e um novo sorriso na literatura portuguesa!
Editado pela Suma de Letras, este é um livro aparentemente leve, de escrita fluída e situações inusitadas, mas que dá muito que pensar.
Quem é Sara Lisa, a bem-disposta portuense que quer ser escritora, mas a quem dizem que a boa literatura vem sempre de um lugar de sofrimento? Será isso verdade? Onde encontramos a infelicidade? É sobre isso que conversamos em mais um episódio do Livrólicos Anónimos!
Livros sugeridos pela Ana neste episódio:
"De que falamos quando falamos de amor" de Raymond Carver
"Três homens num barco" de Jerome K. Jerome
"Cadente" de Mário Rufino
"Meio sol amarelo" de Chimamanda Ngozi Adichie
"Daemon Voices: on stories and storytelling" de Philip Pullman
(e Júlio Cortázar, claro!)
Em setembro o Clube Livrólicos Anónimos focou-se no mais recente livro de uma autora brasileira que tem dado muito que falar nos últimos anos, publicado em Portugal na Companhia das Letras.
Tendo como palco uma parte do Brasil condenada à pobreza, em que uma família luta desesperadamente por manter a plantação de tabaco que lhes arruína a vida, mas que é a sua única forma de subsistência, Mariana Salomão Carrara surpreende-nos com narradores inesperados e personagens de carne e osso que deixam marcas nos leitores.
Mas será que eu e a Ana Lopes nos deixámos convencer por este livro?
Os ouvintes pediram e nós voltamos com um novo episódio dedicado a clássicos na companhia da Cristina Luiz, mas desta vez dedicado ao século XX. E se as conversas são como as cerejas, preparem-se para uma travessa bem grande delas, enquanto falamos de Faulkner, Hemingway, García Márquez, Cortázar, Rushdie, Kawabata, as 3 Marias, Agustina, Maria Judite de Carvalho, entre outros.
Mas porque nem só de clássicos vive o leitor, destaco com a Silvéria Miranda algumas das novidades publicadas pelo Grupo Penguin:
"Joy (Edição Completa)" de Etsuko (Distrito Manga)
"Por dentro do Chega" de Miguel Carvalho (Objectiva)
"A (in)Felicidade de Sara Lisa" de Ana Portocarrero (Suma)
"Quem Matou O Meu Pai" de Édouard Louis (Elsinore)
"Céleste e Proust" de Chloé Cruchaudet (Iguana)
"O Meu Amigo Kim Jong-un" de Keum Suk Gendry-Kim (Iguana)
Considerado um dos grandes clássicos da literatura infantojuvenil britânica, "O Vento nos Salgueiros" de Kenneth Grahame, editado em Portugal pela Tinta da China, tem alimentado a imaginação de gerações com as peripécias dos amigos Rato, Toupeira, Texugo e Sapo.
E esse encantamento é tão grande que levou Michel Plessix a adaptar o livro para banda desenhada, o que resultou na edição recentemente publicada pela Arte de Autor.
Por isso, tendo disponíveis em português as duas versões do livro e estando em pleno #agostoaoquadrado, o Clube Livrólicos Anónimos dedicou o mês de agosto à leitura de ambos os livro, com o propósito de perceber como é ler a mesma história contada de duas formas tão distintas.
Mas afinal, de que versão gostámos mais? Ouçam o episódio e descubram.
Os hábitos de leitura dos portugueses (ou a falta deles) têm feito correr muita tinta e nos últimos anos vários estudos têm procurado trazer alguma luz sobre este tema.
Os portugueses lêem mesmo pouco? E têm lido mais ou menos nos últimos anos? Os mais novos estão mesmo agarrados às novas tecnologias e não querem saber dos livros? As redes sociais têm algum impacto naquilo que é lido? São questões interessantes a que a Wook, em parceria com o Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, procura dar resposta no Barómetro Wook recentemente divulgado e cujos resultados analisamos e debatemos neste episódio.
Afinal, o que nos diz este barómetro sobre a leitura em Portugal e o que ficou por dizer? Ouçam a nossa conversa e fiquem a saber.
Destacamos também neste episódio alguns livros publicados em 2025 pelas editora do grupo Penguin:
"Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas " de Ricardo Adolfo (Companhia das Letras)
"Trilogia da Paixão" de Ariana Harwicz (Elsinore)
"A Última Ilusão" de Pedro Miguel Ribeiro (Suma)
"As Janelas Defronte" de Georges Simenon (Cavalo de Ferro)
"Coisas Ruins" de João Zamith (Suma)
"A Beleza da Erva por Cortar" de Trevor Noah e Sabina Hahn (Iguana)
Um publicitário com o sonho de se tornar escritor submete um manuscrito ao Prémio Leya e vence. Podia ser a sinopse de um livro, com uma mensagem inspiradora sobre resiliência e sonhos que se concretizam, mas não é, é mesmo a história do Nuno Duarte e de como "Pés de Barro", um livro que tem como centro a construção da Ponte 25 de abril, chegou até nós.
Nesta conversa vamos conhecer outros capítulos desta história. Quando surgiu o desejo de escrever? Quem são as suas referências literárias? O que motivou o Nuno a escrever sobre a construção da Ponte? Ouçam e fiquem a saber as respostas.
Arquitectura, História e a vida difícil dos párias da sociedade. São estes os ingredientes principais da narrativa que Victor Hugo escreveu e que faz renascer a Paris do século XV, em cujas ruas encontramos a cigana Esmeralda, o corcunda Quasimodo e o pérfido Frollo.
Um livro sobre o poder do destino, a força do amor e a cegueira da volúpia e da ambição. Mas terá este grande clássico da literatura francesa e universal resistido bem à passagem do tempo? É o que eu e a Cristina Luiz do Linked Books vos contamos neste episódio.
Agosto traz sempre consigo o mesmo fenómeno: as pilhas de banda desenhada para ler. E o culpado é o #agostoaoquadrado, o projeto da SIlvéria que chega este ano à sua 7ª edição e que nos desafia a ler banda desenhada durante este mês e a partilhar a experiência.
E, como não podia deixar de ser, temos recomendações para quem ainda não sabe o que vai ler e revelamos também alguns livros da nossa tbr.
A Silvéria recomenda:
"Não Eras Tu Quem Eu Esperava" de Fabien Toulmé (ASA)
"Então, Michael?" de Makoto Kobayashi (Sendai Editora)
"O Meu Marido Dorme no Congelador" de Misaki Yazuki e Hyaku Takara (A Seita Editora)
"A Universidade das Cabras" de Christian Lax (Arte de Autor)
"A Amiga Genial" de Chiara Lagani e Mara Cerri (Relógio D'Água)
O João recomenda:
"Bairro Distante" de Jiro Taniguchi (Devir)
"Radium Girls" de Cy (Arte de Autor)
"A Dança das Andorinhas" de Zeina Abirached (Levoir)
"Yon e Mu - O diário felino de Junji Itô" de Junji Itô (Sendai)
"A Educação Física" de Joana Mosi (Iguana)
A Silvéria vai ler:
"Mau Género" de Chloé Ceuchaudet (Iguana)
"Dom Quixote de la Mancha" de Gaëtan e Paul Brizzi (Arte de Autor)
"Boarding Pass" de Ricardo Santo (A Seita Editora)
"O Mundo Sem Fim" de Jancovici e Blain (Ala dos Livros)
"A Bomba" de Alcante , Bollée e Rodier (Gradiva)
O João vai ler:
"O Atendimento Geral" de Paulo J. Mendes (Escorpião Azul)
"Os Filhos do Império N.º 1" de Yudori (ASA)
"Given - Volume 1" de Natsuki Kizu (Midori)
"Naturezas Mortas" de Oriol, Zidrou (Arte de Autor & A Seita)
"Dragon Ball" de Akira Toriyama (Devir)
Em junho, em pleno #lusitanautores, o livro do Clube Livrólicos Anónimos foi o "Faina" da Marta Pais Oliveira, um livro muito desafiante que se adora, ou se odeia.
E em que lado da barricada teremos nós ficado? Fiquem a saber tudo neste episódio muito sui generis...
Há quem diga que os clássicos são chatos. Que são livros difíceis e elitistas. Que são datados e sem grande utilidade para os leitores contemporâneos. Mas será mesmo assim?
Hoje junta-se a mim a Cristina Luiz, do projeto Linked Books, para falarmos sobre clássicos e se vale mesmo a pena lê-los.
Os livrólicos rumam à Feira do Livro de Lisboa, qual cáfila procurando um oásis no deserto da vida. Mas em vez de 2 bossas, saem do maior evento literário do país com muitas bolsas, algumas bolhas e até com uma ou outra bulha. Este é o balanço possível de uma Feira quente, de onde se sai rico em sonhos, mas pobre pobre em ouro.