Neste episódio mergulhamos num conto de Natal pouco edificante, passado entre Coimbra e os seus arredores, onde a inocência, a miséria e a brutalidade histórica se encontram à mesa.
Revisitamos um Portugal pombalino pobre, desigual e profundamente decrépito, cenário perfeito para uma história, que parece inventada — mas não é.
Falamos de Luísa de Jesus, da Roda dos Expostos e de como a cidade guarda fantasmas suficientes para meter qualquer especial de true crime a um canto. Um episódio desconfortável, histórico e inevitavelmente perturbador. Coimbra também é isto.
No episódio #13, começamos na Cruz de Celas — ou melhor, na falta dela, porque a verdadeira está em exibição nos arrabaldes da cidade.
Seguimos para a saga épica da Banda da Paróquia, que passou de improviso em Madrid a hino das JMJ, palcos gigantes, prémios internacionais e vida de quase-rockstars.
No momento da semana, discutimos a grande questão nacional: diz-se “curtir” ou “curtir de”?
E terminamos com recomendações culturais: Matinée – David Rodrigues e Luis de Matos – Impossível, porque também sabemos fingir que somos gente culta.
No episódio #12 vasculhamos a Triunfo, a velha fábrica que foi rainha da bolacha, orgulho da Pedrulha e motivo de emprego para meio distrito — até decidir encerrar e deixar para trás um conjunto de ruínas.
Depois damos um salto para o espírito da época com o Mercado de Natal, ou o seu sucedâneo barato, um corredor de barracas que promete tudo menos espírito natalício.
No Momento da Semana, revisitamos o mítico Restaurante Sereia, que parece ter ficado emocionalmente preso ao estado de emergência: máscara invisível, distâncias regulamentares e aquele charme “COVID nostalgia” que ninguém pediu.
E fechamos com a recomendação da semana: a Aldeia de Natal no Portugal dos Pequenitos, onde há concertos, atividades e — claro — uma árvore gigante feita de KitKat, porque Natal sem açúcar não conta.
No episódio #11 abrimos com a eterna disputa entre Fado de Coimbra e Fado de Lisboa: capas, serenatas e melancolia académica de um lado; bairros e vida dura do outro.
Saltamos depois para a Dan Cake, cuja história vai da Dinamarca a Coimbra, tudo acondicionado na mesma lata de costura.
No Momento da Semana, revisitamos a lendária Parva do Tovim, figura meio real, meio fantasiada, que assombrava pinhais.
E fechamos a recomendar Mão Morta no Convento São Francisco, para vos aquecer o coração.
Neste episódio, o Make Celas Great Again descobre a única modalidade em que Coimbra ainda ganha alguma coisa - o kayak polo.
Falamos de São Teotónio, o primeiro santo português e patrono espiritual de uma cidade que continua a precisar de milagres.
No momento da semana, investigamos a origem da palavra laustíbia e mete sexo ao barulho.
E fechamos com a visita de Hugo Sousa a Coimbra… numa segunda-feira, claro, porque até o humor, nesta cidade, chega a horas impróprias.
Neste episódio, começamos com o Eferreá, o grito académico que ninguém sabe de onde veio, mas toda a gente berra — um misto de revolta brasileira, oralidade coimbrã e muito álcool estudantil.
Passamos pela Casa do Sal, porta de entrada da cidade onde nem o sol tem coragem de aparecer, mas onde outrora se guardava o ouro branco da Figueira.
Segue-se o momento da semana: castanhas cruas, esse conceito que divide famílias e enfurece gastrónomos — porque há quem jure que são boas, e há quem ache que é preciso estar doente.
E porque o estômago também é cultura, destaque para Coimbra Região Gastronómica, um festim de showcookings, vinhos e chefs.
Fechamos em tom mais erudito com o Ciclo de Música Orphika, onde Coimbra se transforma num palco de concertos, performances e pretensões culturais.
Começamos com o Grupo de Forcados Amadores Académicos de Coimbra, essa confraria de malucos corajosos que decidiram enfrentar toiros de 600 quilos — desarmados, de azul e com sotaque académico.
Depois passamos ao Largo da Portagem, onde o trânsito se arrasta e o “Mata-Frades” observa tudo, impassível. Símbolo de um tempo em que Coimbra ainda tinha rio navegável e políticos de bigode decente.
Segue-se o Momento da Semana, dedicado ao Bolinhos e Bolinhós. A versão conimbricense do trick or treat.
E para fechar, um salto no tempo — Regresso ao Futuro, 40 anos depois, numa sala de cinema perto de si.
Começamos por um mito que há séculos atormenta turistas e caloiros: A Cabra não é a Torre e o resto é ignorância institucionalizada.
Seguimos para o Castelo de Coimbra, ou melhor, o ex-castelo. Sim, houve um castelo, demolido para se construir um observatório que… nunca foi construído. Um clássico português: destruir o velho antes de perceber se o novo vai acontecer.
Depois, o perfume da cidade — o lendário cheiro a bagaço de azeitona. Esse bouquet aromático que desperta memórias olfativas entre o Mondego e Alcarraques.
Fechamos com cultura viva: Super Bock Super Nova no Salão Brazil. Uma noite de nova música portuguesa, do pop psicadélico ao grunge portuense, porque Coimbra pode cheirar a bagaço, mas ainda soa a futuro.
Neste episódio do Make Celas Great Again, começamos no Mercado D. Pedro V, essa catedral do peixe e da hortaliça que nasceu da fusão de três mercados e sobreviveu à mítica Revolta do Grelo — sim, Coimbra já fez barricadas por causa de um imposto sobre as vendedeiras.
Depois, discutimos qual é o bairro mais bairrista de Coimbra? Celas, Olivais, Baixa, Norton de Matos? O Ingote entra na corrida — mas só se o Outgote aparecer também.
No Momento da Semana, lembramos a gloriosa Corrida das Bandejas, tradição em que empregados de café testavam o equilíbrio, a dignidade e os tornozelos.
E fechamos com o Caldeiras Comedy Club, onde o humor ferve e o público sai mais leve (ou mais bêbedo). A Praxis também mantém o riso vivo, com as suas noites de stand-up — porque se há coisa que Coimbra precisa, é aprender a rir de si própria.
No episódio #5, da temporada 2, do Make Celas Great Again, mergulhamos no Exploratório de Coimbra, onde os pais fingem interesse nas placas interativas só à espera duma finada na esplanada.
Depois, falamos do inevitável Bissaya Barreto — o doutor dos doutores, o homem sem o qual a cidade existiria duma forma muito diferente. Fundou hospitais, maternidades e sanatórios, e ainda teve tempo para miniaturizar o país inteiro no Portugal dos Pequenitos. Um visionário — ou simplesmente alguém com TOC por construir coisas.
No Momento da Semana, celebramos o verbo mais coimbrão de todos: cabritar. Porque aqui ninguém “vomita” — em Coimbra cabrita-se, com honra e cadência académica. Um património (i)material digno da UNESCO e dos copos de quinta à noite.
E a recomendação da semana vai para o MATE Festival, esse evento onde música, arte, tecnologia e educação se juntam. Entre workshops, painéis e realidade virtual, há espaço para tudo.
Esta semana, descemos do pedestal e fomos dar uma volta à Solum — outrora descampado e deserto, hoje abastado reduto. Embarcamos, depois, no Basófias, onde o glamour de 1993 ainda resiste. No momento da semana, atacamos a Empalhada onde amendoins e tremoços partilham o mesmo espaço, numa petisqueira promiscuidade. E para fechar com chave de ouro, a Recomendação MCGA: Sting vai à Figueira! Finalmente, uma boa razão para Coimbra esvaziar em peso.
Temos hoje connosco, para o dealbar desta nova rubrica que batizámos, à laia das Grandes Entrevistas, a Entrevista-de-tamanho-agradavelmente-considerável, acerca das pessoas que fazem a cidade, independentemente do seu mediatismo. Procuramos aqui trazer aqueles que se distinguem pelo seu trajeto e no reconhecimento que têm pelas gentes em geral, que compõem Coimbra. Gente extraordinária para gente ordinária.
Para isso, escolhemos como primeiríssimo convidado: Joel Pedrosa.
Neste episódio começamos com nostalgia pedagógica: João de Deus, essa fábrica de coimbrinhas de gola engomada e pais em BMW a competir pelo título de ”maior do recreio”. Passamos depois para a Mata de Vale de Canas, onde vive um eucalipto de 73 metros — mais alto do que a paciência necessária para arranjar mesa no Peculiar.
No momento da semana, mergulhamos na Rotunda dos Patos, o único cruzamento em Portugal onde o trânsito é regulado a grasnadas. E porque não pode ser só cerveja e fado desafinado, fechamos com uma proposta detox: a Corrida Entre Parques, 7 km de suplício urbano disfarçado de saúde e step nas Monumentais.
Abrimos a segunda temporada a esmiuçar o bairro mais famoso da cidade — do despejo da Alta a reduto gentrificado com gelados caros e à sombra de samambaias. Passámos pela ESEC TV, esse milagre académico que já dura há mais de 20 anos, e acabámos nas Repúblicas: meio comuna, meio praxe, totalmente Coimbra. Mas serão exclusivas do Mondego? Pelo meio, deixamos recomendações culturais para quem ainda não desistiu de sair de casa.
Naquilo que só podia ser descrito como um prólogo, o Make Celas Great Again decidiu começar a segunda temporada em modo entrevistado. A Coimbra Coolectiva fez-nos a vontade (ou o favor) de ouvir os dois cromos que se escondem por detrás desta saga radiofónica, ainda que continuemos anónimos — como se houvesse multidões ansiosas por saber quem são os responsáveis.
Falámos do porquê de termos inventado esta coisa, do como se monta um programa entre a ironia e a má-língua, e de quem somos — sem nunca dizer quem somos. Ficou claro que o segredo do sucesso é não haver segredo nenhum, apenas dois amigos com demasiado tempo livre e um microfone à frente.
É o “episódio 0”, porque não tinha outra forma de caber em lado nenhum, mas também porque qualquer série precisa de uma introdução. A nossa veio com a Coimbra Coolectiva, servida como aperitivo para a rentrée da temporada 2. Afinal, se a vida não nos dá visibilidade, ao menos que nos dê o estatuto de lenda urbana.
Há verões que nunca acabam. Ou talvez seja a Figueira que não nos deixa sair dele. Voltamos à terra onde o vento aplica a exfoliação natural, a estrada do Enforca-Cães, agora lisinha, continua a cheirar a infância. A Casa dos Cogumelos ainda espreita lá ao longe, tão misteriosa como sempre, como se soubesse segredos que nós só suspeitamos.
Comer pela Figueira é desporto radical. As pizzarias discutem entre si quem tem o pior nome, a pizza mais alta ou a esplanada mais minúscula. As hamburguerias são viagens no tempo: umas nunca fecham, outras nunca sabemos se abrem, e há sempre um cone de batata frita atolado em molho a lembrar-nos que fast food pode ser arte, se tiver história.
Peixe fresco existe – mas é preciso sorte, paciência e ouvidos de ferro para aguentar os impropérios que voam da cozinha. Petiscos também, mas nem sempre sabemos se estamos num restaurante, numa tasca ou numa prova de resistência etílica. E há sítios onde a carta de vinhos vale mais que a ementa, e a carne sabe a redenção.
No fim, é sempre igual: marisco aos molhos, areia na toalha, um vento que parece pessoalmente ofendido connosco… e aquela sensação de que a Figueira é um lugar onde tudo muda para que continue exatamente na mesma – e onde, apesar de tudo, já estamos a pensar quando voltamos.
Neste episódio, apanhamos o velho comboio da memória e descemos até à Figueira, esse santuário estival dos coimbrinhas em calções. Recordamos a romaria sagrada pela Nacional 111 — com paragens obrigatórias em pastéis e queijadas que valem mais que muitos doutoramentos. Entre salões de jogos decadentes, anões mitras, hambúrgueres do Cocktail, revivemos as férias onde se perdia a inocência e a dignidade numa noite só. Tudo isto embrulhado no areal infindável, debaixo da Nortada que esfrega o lombo como lixa nº 40, e com a acidez habitual que só um verdadeiro coimbrinha sabe servir, frio como um Safari-Cola mal misturado do DOX.
Neste episódio, espreitamos os bastidores da Penitenciária de Coimbra – essa instituição centenária que produz candeeiros, móveis de museu e queijadas, tudo com mãos reclusas e precisão suíça. Um verdadeiro IKEA do Estado com grades e supervisão mínima.
Depois, damos uma corrida mental pelo Choupal, essa mata que foi plantada para domar o Mondego e acabou como passadeira de jogging, namoro adolescente e, ocasionalmente, pequenos crimes.
Recordamos ainda o “Boda”, figura lendária do recreio dos anos 90, mistura de obscenidade infantil e tradição oral em verso sujo, muito antes de haver TikTok para educar as massas.
E fechamos com um mergulho nostálgico nas Lojas Históricas de Coimbra, num livro que nos lembra que o comércio local é mais velho e mais resiliente do que muitos cursos da Faculdade de Letras.
Tudo com o habitual equilíbrio entre carinho e crueldade.
A cidade está às moscas — a estudantada já partiu, os festivais ainda não chegaram, e sobra-nos este oásis radiofónico para aguentar o calor e o tédio. Neste episódio, mergulhamos na febre do padel, essa mistura improvável entre Tinder, networking do pobre e ginásio para gente que detesta suar. Com mais campos do que cafés por metro quadrado, Coimbra confirma-se como capital do montanhismo social.
Depois, recuamos no tempo com o quadro de Coimbra do século XVI, onde já se adivinhavam as promessas vãs e os problemas estruturais de sempre, agora com a vantagem de termos Metro e um estádio. Falamos de ilhéus desaparecidos no Mondego, sonhos húmidos de Manhattan coimbrã e visões distópicas de uma Alcatraz em pleno Mondego.
A expressão “pé de ladrão” também vai a dissecar: é regionalismo patusco ou usado nacionalmente? E será que os próprios ladrões a usam… ou riem-se dela enquanto nos levam o quadro do Georg Braun?
Para terminar, recomendação cultural com o regresso do Festival M à Praia Fluvial de Torres do Mondego: dois dias de música indie-chique, natureza domesticada e liberdade supervisionada. Entrada livre, mas com forte risco de avistamento de crocs em estado líquido.
Chegámos à dezena! Quem diria que o nosso Make Celas Great Again iria tão longe? Pois é, 10 episódios a descobrir os recantos, as loucuras, as histórias e as idiossincrasias desta cidade.
Neste episódio, embarcamos numa viagem que começa numa escadaria discreta da Rua Saragoça, onde entre aquecedores de gervásios se encontra o Museu Erótico de Coimbra — sim, leste bem, há vida além cidade conservadora.
Depois, mergulhamos nas ondas sonoras da RUC, que mais do que uma estação é um autêntico património vivo da rádio portuguesa.
Depois, sentamos à mesa com o prato mais consensualmente polémico da gastronomia portuguesa: o cozido à portuguesa. Schiuuu… aqui entre nós: as pessoas não gostam do cozido. Gostam é daquela orgia de enchidos e gorduras cozidas ou não.
E para fechar, a Feira Popular está aí para animar a cidade, com o “King”, o braço radical que promete arrancar gritos até aos mais intrépidos. A 75ª edição traz tudo isso, e mais, com concertos e farturas.
Acompanhem-nos, que a festa está só a começar.