Neste episódio, falamos sobre a apatia — quando nada mais afeta.
O que significa viver um estado de "a-pathos", a ausência de afeto? Partindo da visão da apatia como virtude na filosofia estóica, chegamos à sua compreensão na psicanálise: um sintoma contemporâneo de desinvestimento e desconexão da vida.
Nesta reflexão, exploramos:
A apatia como um "sintoma silencioso" que anestesia o desejo.
A diferença entre a serenidade estóica e o esgotamento psíquico atual.
Como a frase "nada me motiva" revela um mal-estar profundo.
A interpretação psicanalítica: a apatia como defesa contra o excesso de demandas do mundo.
Uma conversa necessária sobre por que, às vezes, a mente decide simplesmente parar de sentir.
Neste episódio, Sandro Cavallote analisa a demanda "curar burnout pra voltar a trabalhar". Por que essa frase é tão sintomática do nosso tempo?
Refletimos sobre:
A medicalização da produtividade: a cura como "reprogramação" para funcionar.
A natureza do burnout como um colapso que afeta a identidade do sujeito.
Como o trabalho, de via de sublimação, tornou-se uma servidão emocional.
A pressão social que nos manda "voltar pra linha" após um colapso.
Uma discussão necessária sobre por que, quando o trabalho adoece, o sujeito adoece junto.
Este episódio discute o lugar da psicanálise na sociedade e a necessidade de implicação dos psicanalistas com as questões do mundo. Relembra as clínicas públicas criadas por Freud como experiências de democratização e contrapõe isso ao elitismo que ainda marca parte da prática psicanalítica. Argumenta que o racismo, o machismo, a desigualdade e os preconceitos de classe atravessam a escuta clínica, e que ignorá-los é repetir o apagamento social. Defende uma psicanálise comprometida com o mal-estar coletivo e com o acolhimento de todos os sujeitos — não apenas dos que podem pagar por ele.
O foco aqui é a ética da psicanálise e a importância do tripé formativo: análise pessoal, supervisão e estudo teórico. Defende-se que só quem passa pela própria experiência analítica pode escutar de forma verdadeira o sofrimento do outro. O episódio valoriza a análise pessoal como um ato ético — não apenas técnico —, que funda a posição do analista. Escutar o inconsciente do outro requer ter enfrentado o próprio; a clínica, assim, se torna uma experiência viva, marcada pela humildade, pela escuta e pela implicação subjetiva do analista.
Neste episódio, a reflexão gira em torno da construção das identidades na era digital, onde o sujeito — especialmente o adolescente, mas não só ele — vive sob a lógica da performance e da curadoria de si. A edição constante da imagem substitui o vivido pelo exibido, criando uma espécie de “eu para o outro” mediado por algoritmos. A psicanálise é convocada como um espaço de descompressão dessa lógica, onde o sujeito pode existir fora da edição, reencontrando o desejo e a falta como elementos estruturantes da experiência humana.
O episódio propõe uma reflexão sobre a alteridade como essência do encontro humano e fundamento ético da psicanálise. A partir de Freud e Ferenczi, discute o exercício da escuta como abertura ao outro — dentro e fora de nós — e conecta essa escuta às dimensões políticas e culturais do sofrimento. Fala do racismo, do machismo e das exclusões simbólicas como expressões de uma sociedade que teme a diferença, e mostra como práticas culturais como o samba e o rap transformam dor em linguagem. Conclui que sustentar a alteridade é um ato de resistência e humanidade.
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"No geral, a combinação entre ambos - solidão e solitude – talvez seja um caminho mais saudável. Porque não há como se evitar a solidão. Em algum ponto, teremos que lidar com ela e com nossas relações pessoais de desamparo. E isso é parte do que nos constitui humanos a partir das relações afetivas e tem uma conexão direta com buscar ajuda e permitir ser ajudado. Para muitos de nós esse é um dilema que tira noites de sono, mas também diz muito sobre nós e está muito presente no setting analítico. "
Vamos falar sobre o assunto?
Ref.:
"O Aprendiz do desejo" - Francisco Daudt
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🎮💥 Videogames na era do hiperestímulo: simbolização ou acting-out?
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, mergulho na complexa relação entre videogames, hiperestímulo e adolescência. A partir da experiência pessoal e clínica, exploro como jogos diferentes — desde RPGs narrativos como Banishers: Ghosts of New Eden até shooters competitivos como Marvel Rivals — dialogam com nossa vida psíquica, nossos afetos e nossa construção subjetiva.
🔎 Por que alguns jogos nos permitem elaborar afetos, enquanto outros nos prendem em ciclos de excitação e descarga?
O vídeo propõe uma leitura psicanalítica dos videogames, trazendo conceitos como simbolização, acting-out e compulsão à repetição. Para além do entretenimento, o jogo pode ser um espaço potencial de experimentação emocional ou um dispositivo de descarga imediata.
🧠 Winnicott e o espaço potencial
Retomo aqui a teoria de Donald Woods Winnicott, psicanalista britânico que compreendia o brincar como um fenômeno fundamental para a saúde mental e o desenvolvimento emocional. Para ele, o brincar constitui um "espaço potencial" — uma área intermediária entre realidade interna e externa onde o sujeito pode criar, simbolizar e elaborar afetos.
📚 Referência bibliográfica
WINNICOTT, Donald W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
🧩 Principais temas abordados no vídeo:
✨ Para quem é este vídeo?
Para quem se interessa por psicanálise, cultura digital, games, adolescência, saúde mental e processos de subjetivação. Um convite para refletir criticamente sobre o entretenimento e suas implicações emocionais e sociais.
🗣️ Vamos conversar!
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🎧 Este episódio também está disponível no podcast Psicanálise e Cultura.
💬 Indicação especial: conheça o canal Ora, Thiago, que aborda comportamento, entretenimento e cultura pop de forma leve e informativa.
🌱 Crescer subjetivamente exige tempo, desejo e simbolização. Vem refletir comigo!
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🎬 EPISÓDIO 3 | COSMOVISÃO E OLHAR CRÍTICO SOBRE O MUNDO: Freud, séries médicas e o mal-estar da civilização
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, mergulhamos no conceito freudiano do Mal-Estar na Civilização e como ele se manifesta na cultura contemporânea. Exploramos:
📚 FREUD E O MAL-ESTAR
Por que a vida em sociedade exige renúncia aos instintos? Como o superego e a repressão geram angústia, culpa e insatisfação — e por que esse conflito é inescapável.
🏥 THE PITT × ER: O MAL-ESTAR DE CADA ÉPOCA
Duas séries médicas, três décadas de diferença:
ER (Anos 90): O idealismo frente a um sistema precário.
The Pitt (2025): O esgotamento psíquico de uma sociedade em colapso.
→ Como ambas refletem os dilemas de suas eras, da meritocracia ao burnout coletivo.
🎸 FONTAINES D.C. E A APATIA MODERNA
A banda irlandesa traduz em post-punk o vazio contemporâneo. Em "In the Modern World", o clipe do car-jitsu vira metáfora da violência cotidiana e da desconexão afetiva.
🌍 COSMOVISÃO: COMO ENXERGAMOS O MUNDO?
Da CPI do MST ao debate sobre visões de mundo, discutimos:
Por que nossa percepção muda com a idade e as experiências.
Como a cultura nos afeta (e como afetamos o coletivo).
💡 PROVOCAÇÃO FINAL:
Você está vivendo ou apenas sobrevivendo? Como organiza seu tempo, suas metas e seu mal-estar?
👉 Compartilhe nos comentários: Qual obra (série, música, livro) melhor representa o mal-estar da sua geração?
#PsicanáliseECultura #Freud #MalEstarNaCivilização #ThePitt #FontainesDC #Cosmovisão
✍️ Nota do autor:
"Este episódio é um convite a olhar criticamente o mundo — e a nós mesmos. Se ressoou em você, compartilhe para ampliar a reflexão!"
🔹 Referências:
✅ Freud – O Mal-Estar na Civilização (1930)
✅ The Pitt (2025) e ER (1994) – Como o hospital espelha a sociedade.
✅ Fontaines D.C. – "In the Modern World" e a poesia do desencanto.
✅ Quadrinhos da Sarjeta (@alexandrelinck) – Pelo olhar crítico que inspira.
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"Tentamos fragmentar o tempo, criamos a ilusão de um tempo fractal. Criamos uma temporalidade fractal, onde passado, presente e futuro se misturam. Passado, porque estamos sempre tentando retornar a um determinado ponto de nossas vidas onde não havia preocupação, dívidas ou tristeza. Eu apenas existia. “Recordar, repetir e elaborar”, já dizia Sigmund. Um presente fractal porque tentamos dividi-lo entre microimpulsos, notificações, pequenos gozos e a busca de um tal propósito. E um futuro fractal a partir de agendas, de planos que talvez nunca se concretizem e sonhos que serão interrompidos pelas necessidades do mercado. O mundo atual virou uma perlaboração constante de traumas singulares e coletivos."
🔹 Referências:
✅ "Dias Perfeitos" (Win Wenders) – A delicadeza do cotidiano e a eternidade capturada em instantes.
✅ Pato Fu – "Sobre o Tempo" e "Canção Para Viver Mais", músicas que questionam a passagem do tempo e o desejo de permanência.
✅ Jacques Lacan – "O Tempo Lógico e a Asserção da Certeza Antecipada" (texto presente no livro "Escritos", 1966), onde Lacan redefine o tempo como uma construção simbólica e não linear.
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E chegamos a um momento de mudanças aqui no podcast que, a partir deste episódio, transmuta-se para Psicanálise e Cultura. A ideia aqui é expandir também para uma organização de vídeo, portanto este episódio também está no Youtube em meu canal pessoal. Link na descrição.
Aqui vamos tecer conexões sobre 4 pontos específicos focando no tema principal:
1) DEFINIÇÃO DE ANSIEDADE E RELAÇÃO COM A PSICANÁLISE;
2) PARTE 2: O MUNDO TELA
3) UMA PÍLULA PARA CADA SINTOMA
4) A ROMANTIZAÇÃO DO NOSSO SOFRIMENTO
Sim, eu sei que o episódio ficou gigantesco, mas a gente vai se ajustando a partir daí...
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"E aqui entra um ponto crucial: a cultura não é só aquilo que a gente vê nos museus ou nos livros de arte. Ela está em tudo. Nos filmes que maratonamos, nas músicas que embalam nossos dias, nos memes que compartilhamos e até nas dinâmicas do mercado de trabalho. Lacan, ao expandir a teoria psicanalítica, reforçou que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, e a cultura é justamente o campo onde essa linguagem se materializa. Ou seja, a escuta psicanalítica não pode ignorar o lugar central que a cultura ocupa na formação do sujeito. "
Vamos trocar sobre o assunto?
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"Vamos começar pelo básico, mas sem perder a profundidade, tá? Psicologia e Psicanálise são como dois rios que correm paralelos, mas que têm origens, trajetórias e desembocaduras completamente distintas. A Psicologia, como ciência, nasceu no berço da filosofia e da fisiologia, buscando entender o comportamento humano de forma empírica, mensurável, quase como se fosse possível dissecar a mente em laboratório. Já a Psicanálise, essa criatura rebelde e inquieta concebida por Freud, surge como uma espécie de contraponto, uma viagem ao submundo do inconsciente, onde as coisas não são tão claras, nem tão fáceis de quantificar. É como comparar um mapa detalhado com um poema: ambos podem te guiar, mas de formas radicalmente diferentes."
Bora falar sobre o assunto?
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"E acho que é um pouco por aí que quero caminhar: será que o sofrimento ainda é o mesmo? É uma pergunta pertinente pois quando estamos iniciando nossos estudos sobre a psicanálise somos trazidos para 1900 e a construção que Freud fez sobre sua criação. E se você está na jornada e não se perguntou: “ué, mas isso vai me servir hoje como?” está fazendo algo errado. Afinal, as teorias, os conceitos, os casos e manejos clínicos com mais de um século ainda são basilares e constitutivos para o enfrentamento do sofrimento?
A resposta direta é: sim, são. E, vou mais além: sem eles não há psicanálise."
Vamos falar sobre o assunto?
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“E eu sei que parece um assunto clichê, mas é importante que de tempos em tempos a repetição faça parte de nossa vida. Freud e a psicanálise já deixavam clara a importância do “Recordar, repetir e elaborar” para a psicanálise, mas também podemos colocar em prática na organização do senso comum. Afinal, elaborando as repetições a partir das recordações podemos colocar mudanças em movimento...”
Vamos falar sobre o assunto?
Referências do episódio:
FREUD, Sigmund. “O futuro de um ilusão”
FERENCZI, Sándor. “O conhecimento do inconsciente”
PATRÍCIO, Alexandre. “Por uma ética do cuidado – Vol 1”
WATTERSON, Bill. “Calvin e Haroldo”
Link para o poema “Mude”, Antônio Abujamra – TV Cultura: https://www.youtube.com/watch?v=A2hk9jtL7WA
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Neste episódio, o tema traz uma fala sobre as relações entre o trabalho excessivo e como essa perspectiva da atualidade trata os sujeitos como máquinas e como é importante para cada um de nós elaborar tempos de qualidade em nossas existências.
Bibliografia e referências:
FREUD, S. “Mal-estar na civilização”.
FREUD, S. “O futuro de uma ilusão”.
DEBORD, G. "Sociedade do Espetáculo".
DUNKER, C. THEBAS, C. “O palhaço e o psicanalista”.
DANIEL, C. “Você não merece ser feliz”.
Matéria da CNN citada: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/casos-de-avc-aumentaram-cerca-de-15-em-pessoas-jovens-veja-riscos/
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"A manutenção de seu convívio social é parte de um processo de elaboração positiva de seu próprio tempo. Se o discurso do colega, amigo, parente não faz parte do que lhe motiva para a vida, não há porque aturar. Se a amizade é um 'laço que une dois diferentes que se unem na igualdade', como diz o Dunker ao citar Aristóteles – 'formatado por relações assimétricas que devem ser retroalimentar para trocas que sejam impactantes para ambos os lados', talvez perceber a balança de seus próprios ganhos de tais laços façam um pouco de sentido, não é? E uma das premissas da amizade é que ela está ligada ao conceito de liberdade, portanto pode ser desfeita a qualquer momento."
Vamos falar sobre o assunto?
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"Tudo isso para trazer um pouco sobre algo que tem estado muito incidente nos discursos dos analisantes, que é um certo estranhamento em lidar com o fato de que está tudo bem. Já falamos neste podcast sobre como buscamos suporte apenas com os desconfortos advindos, o que nos conecta automaticamente para a fala relacionada a prevenção".
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"Para a psicanálise, o início de uma construção de limites se dá pela melhor percepção de si e de seu desejo. Básico, mas nada simples de desenvolver. São anos e anos nos posicionando sobre algo e permitindo que o outro se aproxime e, muitas vezes, cedendo ao seu desejo, ou sua expansão de limite. O sujeito que chega ao setting analítico já não tem um delineamento organizado de seus limites. Até onde permito que se vá? Até onde eu devo ir? A rede social disse que só depende de mim, e que limites são para perdedores. Quando crianças, testamos tais limites o tempo todo, afinal é uma época de adequação ao social e à moral agregada a ele. São nossas primeiras experiências sobre dar/receber, sobre os excessos e faltas, sobre nosso regramento a partir de nossos cuidadores, dos primeiros encontros também com o estabelecimento de limites do outro. "
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_
Refs:
Alanis Morrisette - Uninvited
"Perversão - a forma erótica do ódio"
Robert Stoller
Ed. Hedra
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"A psicanálise já colocou a importância do luto em nossas vidas de diversas formas. Há textos a granel falando sobre como ela é construtiva para nós. A vida após a morte é elemento constante de produções da cultura e também algo que nos direciona muitas vezes para a busca de uma religião. O tema da morte flerta com nossa dúvida, com nossa memória, com nossa organização acerca da finitude. Talvez se tivéssemos efetivamente certeza do que acontece após a morte, seria caótico. Se for melhor, talvez eu faça a escolha de ir direto para lá. Se for pior, talvez eu faça de tudo para evitar qualquer tipo de contato. O fato é que o assunto sempre movimenta nossas fantasias e diz muito sobre nós como seres singulares e como coletivo. "
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Referências do episódio:
- "Além do princípio do prazer", Sigmund Freud.
- "All is full of love", Bjork.
- Saulo Durso - Podcast Spotify.
- Lucas Napoli - Youtube
- Fábio Belo. Youtube.
- Guilherme Facci "A loucura nossa de cada dia". Podcast Spotify.
- "Bom dia Obvious" Marcela Ceribelli. Podcast Spotify.
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