
Neste quarto domingo do Advento, a liturgia conduz-nos ao mistério da concepção de Jesus no seio de Maria e, com ele, à pedagogia da história da salvação: Deus vai educando o seu povo para que reconheça a sua presença e o seu modo de salvar. A primeira leitura, do livro de Isaías, situa-se num tempo politicamente difícil. Para sustentar o rei Acaz e assegurar o seu povo, Deus convida-o a pedir um sinal; Acaz recusa, invocando uma espécie de prudência religiosa. À primeira vista, a resposta parece correcta; porém, pode esconder uma atitude de fachada: dizer o que soa bem, sem se deixar verdadeiramente interpelar por Deus. É também aqui que a Palavra nos toca, porque a tentação de “respostas certas” sem verdade atravessa a nossa vida: na relação com os outros, connosco mesmos e com Deus. Deus não pede fórmulas impecáveis; pede sinceridade, porque a verdade é sempre luminosa, mesmo quando custa.
O Evangelho segundo Mateus oferece-nos uma anunciação marcada pela interioridade. Maria aparece grávida antes de viver com José. Ele tinha o direito de a expor publicamente e, desse modo, destruir-lhe a vida; contudo, porque a amava e era justo, decide repudiá-la em segredo. Em vez de vingança, escolhe proteger; em vez de humilhar, preserva. E, enquanto pensa nisto, não o vemos a discutir nem a procurar culpados; vemo-lo a meditar e a dar tempo ao acontecimento. Durante a noite, em sonho, recebe a luz de Deus: o que em Maria foi gerado vem do Espírito Santo, e José não deve temer acolhê-la. O sonho, na linguagem bíblica, indica precisamente este lugar interior onde a vida é trabalhada por Deus e onde o coração aprende a escutar.
O nome é decisivo: Jesus significa “Deus salva”. José confia e compromete-se: acolhe Maria e aceita ser pai adoptivo de Jesus, dando corpo à obediência que nasce da fé. Mateus liga esta história à promessa antiga e proclama o seu sentido último: Emanuel, “Deus connosco”. O essencial permanece: Deus não salva à distância; aproxima-se, entra na nossa história e permanece connosco. Nesta última semana do Advento, importa aprender com José a criar espaço interior, apresentando ao Senhor as dúvidas e inquietações sem máscaras. Confiar não é um enfeite espiritual nem um optimismo vago: é abrir-se à palavra de Deus e comprometer-se com o caminho que ela traça, para que o Natal aconteça em nós como presença real de Deus connosco.