A produção industrial brasileira encerrou novembro de 2025 com variação nula (0,0%) frente a outubro. Em relação a novembro de 2024, a indústria recuou 1,2%, enquanto no acumulado do ano avançou apenas 0,6% e o indicador em 12 meses atingiu crescimento de 0,7%.
Na passagem de outubro para novembro, duas das quatro grandes categorias econômicas e 15 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda na produção. O principal impacto negativo veio da indústria extrativa, que recuou 2,6% no mês, devolvendo parte do avanço observado em outubro. Também pesaram negativamente os segmentos de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), produtos alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%).
Em sentido oposto, o segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos avançou 9,8% em novembro e interrompeu dois meses consecutivos de queda, exercendo o principal impacto na média geral. Outras contribuições positivas importantes vieram de impressão e reprodução de gravações (18,3%), metalurgia (1,8%), produtos de metal (2,7%), produtos de minerais não metálicos (3,0%) e máquinas e equipamentos (2,0%).
A análise por grandes categorias econômicas mostra que, ainda na comparação mensal, os bens de consumo duráveis tiveram o pior desempenho, com recuo de 2,5%, eliminando parte do crescimento observado em outubro. Os bens intermediários também registraram queda (-0,6%), acumulando o terceiro mês consecutivo de retração e reforçando um quadro de enfraquecimento da demanda ao longo da cadeia produtiva. Por outro lado, os bens de capital cresceram 0,7% e os bens de consumo semi e não duráveis avançaram 0,6%.
Na comparação com novembro de 2024, três das quatro grandes categorias econômicas apresentaram resultados negativos, assim como a maioria dos ramos, grupos e produtos pesquisados. Entre as atividades, destacaram-se as quedas em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-9,2%) e em veículos automotores (-7,0%), segmentos fortemente influenciados pela menor produção de combustíveis, caminhões, automóveis e autopeças. Também contribuíram para o resultado negativo setores como produtos de metal (-6,8%), produtos químicos (-1,8%), madeira (-12,4%), bebidas (-4,2%), máquinas e materiais elétricos (-5,3%), equipamentos eletrônicos (-5,7%) e móveis (-5,8%).
Alguns segmentos apresentaram desempenho positivo frente ao mesmo mês do ano anterior. As indústrias extrativas cresceram 4,6%, impulsionadas pela maior produção de petróleo, enquanto os produtos alimentícios avançaram 4,0%, apoiados em uma ampla gama de itens, como carnes, sucos, chocolates e alimentos processados. Outros avanços relevantes vieram de manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (9,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (5,4%), celulose e papel (3,0%), e metalurgia (1,7%).
Entre as grandes categorias, os bens de consumo duráveis registraram a queda mais intensa na comparação interanual (-6,2%), interrompendo dois meses de crescimento e refletindo a menor fabricação de automóveis e eletrodomésticos. Os bens de capital também recuaram de forma expressiva (-4,9%), acumulando a sexta taxa negativa consecutiva nessa base de comparação, com perdas concentradas nos grupamentos ligados a transporte, construção e energia elétrica. Já os bens intermediários apresentaram queda de 1,2%, a primeira desde fevereiro, influenciados principalmente pela retração em derivados de petróleo, produtos metálicos e químicos. Em contraste, os bens de consumo semi e não duráveis tiveram leve alta de 0,1%, interrompendo uma sequência de sete meses de resultados negativos.
A indústria continua com fraco desempenho, fruto da desaceleração econômica com juros altos para conter a inflação, causada pela expansão fiscal, e pelas incertezas econômicas e políticas que têm gerado um ambiente cada vez mais complexo para investimentos de longo prazo na economia. O início de 2026 traz a novidade do começo da implantação da Reforma Tributária, mas ainda trazendo poucos impactos positivos para o setor.
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