"O colonialismo é uma ferida que nunca foi tratada. Uma ferida que dói sempre. Por vezes infecta. E outras vezes sangra”
Grada Kilomba.
Hoje vamos falar de juventude negra e empoderamento com a professora e pesquisadora do grupo de estudos EreYa, Ana Lúcia Mathias.
O silenciamento do pensamento negro é real, é institucional, é educacional, é didático. E o livro didático não foge à regra. A necessidade em rever como os pensadores pretos e pretas são apresentados nos livros didáticos requer uma ampla e necessária atenção. Se queremos uma educação antirracista e plural, a defesa de um currículo e da promoção de pensadores plurais são urgentes, pois só assim poderemos pensar em um debate e visa a igualdade racial na educação pública. Reconhecer a contribuição intelectual dos diferentes pensadores negros nos livros didáticos são fundamentais para a igualdade e equidade intelectual, social e cultural em nosso país. Neste episódio conversamos sobre como fazer isso com o professor e pesquisador do grupo EreYa Celso Luiz.
Neste episódio a professora Lucimar Rosa Dias trata das atividades realizadas pelo grupo de estudos e pesquisas ErêYá que ela coordena e está vinculado ao Programa de Pós-graduação do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná. Ele faz parte do Neab-UFPR e do OCUPP - Observatório de Culturas e Processos Políticos-Pedagógicos. Discute o que é uma educação antirracista e como a família a escola e especialmente as pessoas brancas podem realizá-la para tornar a sociedade brasileira menos discriminatória e mais equânime racialmente.
O tema central deste episódio é a construção de conhecimento como forma de resistência para mulheres negras. As pesquisas acadêmicas feitas por mulheres negras em diálogo com outras mulheres negras mostram a importância do quilombo intelectual para o fortalecimento do grupo e também para marcar um lugar político dentro e fora da Universidade. Conversaram sobre o tema as pesquisadoras do ErêYá Lúcia Helena Xavier, Valéria Pereira da Silva e Ranna Emanuelle Almeida.
A evasão escolar é um fenômeno que apresenta múltiplas causas. Nesse episódio do podcast, discutiremos os motivos que levam as alunas a deixarem de frequentar a escola, apostando na ideia de que antes que isso aconteça, há um lento processo de práticas e discursos cotidianos que fazem operar o racismo e o sexismo, produzindo o fracasso escolar expulsando-as do direito à Educação. Quem conversa sobre o tema é a professora, psicóloga, pedagoga e doutora pela UFPR Célia Ratusniak.
O racismo linguístico costuma ser relacionado a palavras ou expressões que tem um significado racista e assim para se ter um posicionamento antirracista algumas pessoas tentam não utilizar mais essas palavras ou expressões, ou utilizar outros sinônimos. Entretanto, o racismo linguístico é muito mais amplo que isto, vai além dos usos ou desusos de palavras e/ou expressões de cunho racista. Para falar sobre o Racismo Linguístico, a convidada de hoje é a professora de Língua Portuguesa, doutoranda em Letras pela UFAC e pesquisadora do Neabi/Ufac, Andressa Queiroz da Silva.
O capacitismo é a discriminação com base na deficiência, além de ações capacitistas que aconteçam e viole seus direitos, ele também pode ocorrer diante as barreiras existentes que impossibilitam a pessoa com deficiência exercer-se plenamente na sociedade, barreiras essas que são físicas, arquitetônicas, tecnológicas, atitudinais e comunicacionais. Quem conversa sobre o tema é o acadêmico de psicologia pela UFPR Bruno Cerdan.
Como sujeitos políticas e de direito, as crianças interpretam e selecionam as informações que chegam até elas, promovem descontinuidades e reivindicam formas específicas de ser e estar no mundo. As crianças que escapam às normas regulatórias de sexo/gênero e de raça, impostas pela cisgeneridade heterossexual branca, formam um grupo específico ao qual chamamos de infâncias em dissidências, tema discutido neste episódio pela professora Megg Rayara Gomes de Oliveira. Embora as infâncias em dissidência sejam plurais, este episódio dedica um pouco mais de tempo às crianças trans, negras e brancas e a relação que estabelecem com o sistema de educação formal. A professora também destaca a necessidade de se fazer um debate de maneira interseccional, uma vez que as experiências das crianças trans negras são atravessadas por subjetividades específicas que podem contribuir, positivamente ou não, nos processos de construção de suas identidades.
O letramento racial é uma ferramenta para uma educação antirracista.É necessário pensar em práticas concretas que abordem questões étnico-raciais, criando oportunidades para reflexões antirracistas desde a educação infantil. Para falar sobre Práticas anti racistas e letramento racial, a convidada de hoje é a mestranda em educação pela UFPR, contadora de histórias, bonequeira e professora Samara Rosa.
O Blackface nasce como forma de representação teatral nos EUA na década de 60, entretanto essa ação chega também em outros países da América Latina como o Brasil. A prática passou a ser inserida nas práticas pedagógicas de professores da Educação Básica, que consideram que estão efetivando a valorização da história e cultura afo-brasileira e africana, a Lei n. 10.639/2003, mas estão praticando um ato racista. Dessa maneira é necessário se informar e pensar em práticas pedagógicas sobre as questões étnico-raciais. Os nossos convidados de hoje são a Profa. Dra. Flávia Rocha, professora de História da Ufac e coordenadora do Neabi/Ufac; Prof. Me. Wálisson Clister, professor de história da educação básica do estado do Acre e pesquisador do Neabi/Ufac; e Profa. Me. Andressa Silva, professora de Língua Portuguesa da educação básica do estado do Acre, doutoranda do programa de Letras da Ufac e pesquisadora do Neabi/Ufac.