O Módulo 12 “Design de projetos e captação de recursos” fecha a formação ensinando multiplicadores a transformar ideias em propostas financiáveis. Ele aborda metodologia, orçamento, prestação de contas e captação como ferramenta de autonomia.
O Módulo 11 “Arte, cultura e memória LGBTI+” reposiciona a criação como prática política. Ele resgata história, celebra expressões artísticas e afirma cultura como ferramenta de resistência, cura e transformação social.
O Módulo 10 “Liderança, facilitação e mediação” fortalece habilidades de condução de grupos. Ele ensina liderança comunitária, comunicação sensível, manejo de conflitos e facilitação. É o módulo que transforma participantes em referências territoriais.
O Módulo 9 “Autocuidado e segurança” lembra que ativismo exige cuidado. Ele aborda burnout, segurança física, digital, emocional e comunitária, criando bases de proteção para quem vai trabalhar em territórios marcados por violência e violações.
O Módulo 8 “Advocacy territorial e mobilização comunitária” articula tudo o que veio antes. Ele apresenta ferramentas práticas de mapeamento de atores, construção de redes, leitura do mapa do poder, negociação e incidência direta. É o módulo que transforma desejo de mudança em estratégia coletiva.
O Módulo 7 “Como o Estado funciona” revela a máquina pública: quem decide o quê, como o orçamento é construído, como políticas são formuladas e de que forma o Estado pode ser influenciado. É um módulo de alfabetização cívica profunda, que prepara multiplicadores para navegar e pressionar estruturas.
O Módulo 6 “Comunicação e advocacy digital” posiciona a comunicação como arma política. Ele mostra como produzir narrativas seguras, combativas e estratégicas para redes sociais, enfrentar fake news e ocupar o debate público. É um módulo que transforma jovens em comunicadores capazes de disputar imaginários e ampliar pautas.
O Módulo 5 “Saúde Integral LGBTI+: cuidado, prevenção e redução de danos” aborda a saúde como campo ampliado. Ele integra prevenção combinada, cuidado em saúde mental, chemsex, violência sexual, acolhimento e acesso ao SUS. O módulo ensina que saúde é mais que ausência de doença: é bem-estar, segurança e dignidade para corpos dissidentes.
O Módulo 4 “Constituição, leis e políticas LGBTI+ no Brasil” mergulha no arcabouço jurídico nacional. Ele contextualiza a Constituição de 1988 como pacto civilizatório, explica direitos fundamentais, decisões do STF, políticas públicas, conselhos, conferências e instrumentos como PPA, LDO e LOA. É o módulo que transforma cidadania em prática concreta.
O Módulo 3 “Direitos Humanos e sistemas internacionais de proteção” amplia o horizonte e mostra que as lutas locais fazem parte de uma disputa global. Ele apresenta a Declaração Universal, mecanismos da ONU e do Sistema Interamericano como instrumentos que podem ser usados em campanhas, denúncias e advocacy. É o módulo que arma o ativistas com o vocabulário e com a compreensão da estrutura internacional de proteção.
O Módulo 2 "Território, desigualdades e redes de resistência" desloca o foco para onde estamos. Ele ensina que identidade não existe sozinha, ela é atravessada por raça, classe, território, violência, cuidado e ausência de políticas. A partir da ideia de território como campo de resistência, o módulo mostra como paisagens urbanas, periferias, sertões e favelas moldam experiências LGBTI+, criando vulnerabilidades e potências específicas.
O Módulo 1 do projeto Fortalecendo Vozes LGBTI+ "Identidades, corpos e diversidade" é o ponto de partida ético e sensível. Ele convida o participante a compreender quem é, de onde fala e como seus corpos atravessam o mundo. Ao explorar sexo biológico, identidades trans, expressão de gênero e orientação sexual de forma afetiva e política, ele cria base sólida para todo o restante da formação. Saber quem somos é o primeiro passo para lutar por direitos.
Discussão acadêmica, focada primariamente em uma pesquisa sobre Chemsex entre homens gays e outros HSH (homens que fazem sexo com homens) no Brasil. O primeiro orador, Luan, introduz o evento e a próxima apresentação, que visa desenvolver uma linha de cuidados para pessoas que praticam Chemsex no contexto da saúde pública, em parceria com a Universidade de São Paulo. Em seguida, João Marinho de Lima Neto, doutor em análise do comportamento, detalha seu estudo sobre Chemsex, abordando as substâncias mais utilizadas (metanfetaminas, GHB) e as definições conceituais que distinguem Chemsex do uso sexualizado de drogas. A pesquisa exploratória utiliza métodos qualitativos e quantitativos para mapear variáveis antecedentes e consequentes do uso, como busca por prazer, isolamento social e reforçadores sociais, além de propor diretrizes de comunicação e acolhimento para serviços de saúde, enfatizando a necessidade de abordagens sem julgamentos e focadas na redução de danos.
Pesquisa conduzida pelo professor Anderson Reis de Souza, intitulada "Pegação Folia: análise das práticas afetivas sexuais e de saúde e padrões de consumo de aditivos no sexo por HSH no carnaval de Salvador". A pesquisa, realizada por uma abordagem mista (qualitativa e quantitativa), buscou entender os padrões de práticas sexuais e uso de substâncias (conhecidas como "chemsex" ou "sexo aditivado") entre homens que fazem sexo com homens (HSH) durante o Carnaval de Salvador, uma área pouco estudada no Brasil. O pesquisador descreve os desafios na coleta de dados durante o evento de rua, a falta de financiamento e as barreiras institucionais, além de detalhar a metodologia utilizada, incluindo a coleta em campo e a análise de mídias sociais. Por fim, a apresentação lista os estudos futuros planejados a partir dos dados coletados, focados em temas como prevalência de uso, número de parceiros, prevenção combinada ao HIV, e a criação de um modelo lógico e instrumentos brasileiros para a prática do chemsex.
Mesa de debate focando no impacto das plataformas digitais no contexto do chemsex (uso sexualizado de substâncias). A mesa, intitulada "Entre Aplicativos e Festas," conta com os palestrantes Marina Del Rei, que discute estratégias de redução de danos dentro dos aplicativos, e Emerson Lucas Camargo, que traz uma perspectiva psicológica sobre como a disponibilidade digital imediata altera o comportamento e a saúde mental dos usuários. O debate aborda a natureza dupla das plataformas, vendo-as não apenas como espaços de risco e compulsão, mas também como territórios potenciais para pertencimento, conexões reais e redes de proteção, especialmente diante da censura e da falta de ética das empresas. A discussão final sugere a necessidade de modernizar as políticas públicas de saúde para o ambiente digital e pressionar as plataformas a assumirem responsabilidade pela segurança e pelo bem-estar de seus usuários.
Discussão focada na discussão sobre o chemsex, especificamente no uso de estimulantes como a metanfetamina e o GHB no contexto sexual. O médico infectologista Dr. Victor Passarelli, junto com os apresentadores, discute a redução de danos e a necessidade de abordagens não punitivistas, enfatizando a autonomia do indivíduo no tratamento de uso problemático. O diálogo aborda as diferenças entre a dependência química neurobiológica e os aspectos ritualísticos e sociais do uso de substâncias, bem como a dificuldade de referenciar pessoas que buscam apoio no Sistema Único de Saúde (SUS) sem serem estigmatizadas. Profissionais de saúde e participantes também levantam a importância de um olhar biopsicossocial e de considerar as questões de repressão e moralismo que influenciam o prazer e o uso compulsório.
Discussão realizada no 2º SEBRASCHEM. Os participantes, incluindo um psiquiatra, um médico e criador de conteúdo, e um psicólogo, discutem os impactos do chemsex (uso sexualizado de substâncias) nos níveis físico, sensorial e neurológico. O debate cobre a psicofarmacologia de substâncias como cocaína, metanfetamina, cetamina e GHB, explicando seus efeitos no sistema nervoso central, bem como os riscos de dependência e as mudanças na percepção corporal durante o uso. Além disso, a conversa aborda a importância da redução de danos, a responsabilidade individual, as interações medicamentosas (incluindo antirretrovirais e terapia hormonal em pessoas trans), e a necessidade de apoio e cuidado para lidar com os danos agudos e crônicos do uso de substâncias.
Painel de discussão focado nas vivências de travestis, profissionais do sexo e usuários de chemsex, abordando como o estigma social impacta suas vidas, saúde e trabalho. Os participantes, incluindo Val Santos, Marcelo Russo e Gabriela Andrade, compartilham suas experiências em diferentes contextos geográficos, como a realidade do Norte do Brasil em contraste com o Sudeste, destacando a variação no uso de substâncias e as vulnerabilidades enfrentadas. A discussão central gira em torno da intersecionalidade de gênero, corpo e sobrevivência, examinando como racismo, transfobia e a violência de Estado se somam ao estigma do uso de drogas. Um ponto crucial é a crítica à definição colonizadora de chemsex, que exclui mulheres e profissionais do sexo, além da importância da redução de danos e da criação de redes de cuidado comunitário para mitigar a violência e promover a autonomia. A conversa também enfatiza a necessidade de assumir a própria narrativa e transformar essas vivências em pautas para políticas públicas que garantam direitos e segurança.
Debate aprofundado entre ativistas, psicólogos e profissionais de saúde sobre a temática do cuidado entre pares, focando no contexto do HIV/aids e, mais recentemente, do chemsex (uso de substâncias em contextos sexuais). Os participantes discutem a importância histórica da solidariedade e do apoio mútuo, que foi vital durante a epidemia de aids nos anos 1980 e 1990, e exploram como esses modelos podem ser aplicados aos desafios contemporâneos do chemsex, onde o estigma e o moralismo ainda dificultam a busca por ajuda. A conversa enfatiza a necessidade de linguagem acessível, afeto e o reconhecimento das vulnerabilidades, especialmente em populações marginalizadas, destacando que as redes de pares frequentemente assumem o papel de apoio que deveria ser oferecido pelo Estado. Por fim, os especialistas concordam que o afeto e o respeito são as ferramentas mais poderosas para combater a narrativa de punição e garantir que os usuários do chemsex recebam cuidado.
Debate em mesa redonda focada em Chemsex, sexualidade, uso de substâncias e estigma, com a participação de especialistas em psicanálise, psicologia, e ativistas de redução de danos e HIV. A discussão central gira em torno do silêncio social e institucional que cerca a tríade prazer, drogas e sexo, examinando se essa omissão é um mecanismo de defesa da sociedade ou uma falha estrutural, frequentemente impulsionada pelo moralismo e preconceito religioso. Os palestrantes exploram como essa falta de diálogo impacta a autonomia, o acesso a cuidados de saúde e a adesão ao tratamento para pessoas que vivem com HIV e que utilizam substâncias. O consenso emergente é que o caminho para quebrar esse silêncio é a construção de novas narrativas e a implementação de uma política de redução de danos de caráter insurgente, que enfrente o proibicionismo e garanta direitos e formação adequada aos profissionais de saúde.