Panorama da Mesa 8 do 2º Seminário Brasileiro de Redução de Danos no Uso Sexualizado de Substâncias (Chemsex), realizada em dezembro de 2025, em São Paulo. O tema central é "A Festa Acabou. Ressaca emocional e síndrome do domingo", focando nas estratégias de acolhimento e suporte psicológico para quem pratica chemsex. O objetivo do debate, com a participação dos psicólogos Helio Neiva (psicanalista de Goiânia) e Marcos Souza (psicodramatista), é abordar os efeitos emocionais pós-uso, o vazio existencial, e o impacto da "guerra às drogas" na saúde mental, buscando formas de suporte individual e coletivo. A discussão explora a culpa pós-uso, a fragilidade dos vínculos formados durante o uso e a necessidade de redes de apoio eficazes, especialmente em contextos mais conservadores.
O documentário de Marcelo Russo, "Sexo, Drogas e o Que Sobrou", investiga a cena de chemsex em São Paulo através de relatos de artistas e profissionais do sexo,. A obra aborda o uso de substâncias para intensificar o prazer ou fugir de traumas, expondo vulnerabilidades e arrependimentos sem tom didático. O projeto serve como ferramenta de escuta para gerar identificação e combater o estigma, visando criar redes de apoio e promover a redução de danos através do compartilhamento de vivências reais.
A pesquisadora Marina Del Rei explorou o uso do Grindr como território de redução de danos no chemsex. Ao criar um perfil para oferecer informações, o estudo revelou o potencial dos apps para acessar populações que usam códigos para buscar substâncias. Contudo, destacou desafios éticos, como a gestão do consentimento em ambientes anônimos, e barreiras comerciais, evidenciadas pelo banimento do perfil pela plataforma, que prioriza o lucro à saúde.
O pesquisador João Marinho detalhou sua tese em análise do comportamento sobre chemsex entre gays e HSH. Via métodos mistos, mapeou antecedentes como solidão e consequências como o prazer e a culpa. O estudo gerou diretrizes de comunicação e acolhimento, defendendo serviços integrados (testagem e saúde mental no mesmo local), anônimos e não moralizantes para abordar vulnerabilidades e promover a redução de danos antes que o uso cause prejuízos severos.
O pesquisador Álvaro abordou o chemsex em imigrantes entre Brasil e Portugal, revelando que a migração aumenta em quatro vezes a prática devido à solidão e necessidade de redes. O uso de emojis em aplicativos cria uma linguagem universal que facilita o acesso a substâncias. O estudo citou diferenças de consumo e como o conservadorismo político e interesses comerciais das plataformas dificultam a implementação de estratégias de cuidado global e orientações prévias.
O projeto multicêntrico da USP, Multiverso e CRT-SP visa estruturar uma linha de cuidado inédita para o chemsex em São Paulo. Financiado pelo CNPq, o estudo mapeia práticas, saúde mental e ISTs para superar a dependência de dados estrangeiros. A iniciativa prevê criar tecnologias educativas, como um aplicativo de cálculo de riscos, e protocolos clínicos para capacitar a rede de saúde, garantindo um atendimento integral e focado na redução de danos.
O Módulo 12 “Design de projetos e captação de recursos” fecha a formação ensinando multiplicadores a transformar ideias em propostas financiáveis. Ele aborda metodologia, orçamento, prestação de contas e captação como ferramenta de autonomia.
O Módulo 11 “Arte, cultura e memória LGBTI+” reposiciona a criação como prática política. Ele resgata história, celebra expressões artísticas e afirma cultura como ferramenta de resistência, cura e transformação social.
O Módulo 10 “Liderança, facilitação e mediação” fortalece habilidades de condução de grupos. Ele ensina liderança comunitária, comunicação sensível, manejo de conflitos e facilitação. É o módulo que transforma participantes em referências territoriais.
O Módulo 9 “Autocuidado e segurança” lembra que ativismo exige cuidado. Ele aborda burnout, segurança física, digital, emocional e comunitária, criando bases de proteção para quem vai trabalhar em territórios marcados por violência e violações.
O Módulo 8 “Advocacy territorial e mobilização comunitária” articula tudo o que veio antes. Ele apresenta ferramentas práticas de mapeamento de atores, construção de redes, leitura do mapa do poder, negociação e incidência direta. É o módulo que transforma desejo de mudança em estratégia coletiva.
O Módulo 7 “Como o Estado funciona” revela a máquina pública: quem decide o quê, como o orçamento é construído, como políticas são formuladas e de que forma o Estado pode ser influenciado. É um módulo de alfabetização cívica profunda, que prepara multiplicadores para navegar e pressionar estruturas.
O Módulo 6 “Comunicação e advocacy digital” posiciona a comunicação como arma política. Ele mostra como produzir narrativas seguras, combativas e estratégicas para redes sociais, enfrentar fake news e ocupar o debate público. É um módulo que transforma jovens em comunicadores capazes de disputar imaginários e ampliar pautas.
O Módulo 5 “Saúde Integral LGBTI+: cuidado, prevenção e redução de danos” aborda a saúde como campo ampliado. Ele integra prevenção combinada, cuidado em saúde mental, chemsex, violência sexual, acolhimento e acesso ao SUS. O módulo ensina que saúde é mais que ausência de doença: é bem-estar, segurança e dignidade para corpos dissidentes.
O Módulo 4 “Constituição, leis e políticas LGBTI+ no Brasil” mergulha no arcabouço jurídico nacional. Ele contextualiza a Constituição de 1988 como pacto civilizatório, explica direitos fundamentais, decisões do STF, políticas públicas, conselhos, conferências e instrumentos como PPA, LDO e LOA. É o módulo que transforma cidadania em prática concreta.
O Módulo 3 “Direitos Humanos e sistemas internacionais de proteção” amplia o horizonte e mostra que as lutas locais fazem parte de uma disputa global. Ele apresenta a Declaração Universal, mecanismos da ONU e do Sistema Interamericano como instrumentos que podem ser usados em campanhas, denúncias e advocacy. É o módulo que arma o ativistas com o vocabulário e com a compreensão da estrutura internacional de proteção.
O Módulo 2 "Território, desigualdades e redes de resistência" desloca o foco para onde estamos. Ele ensina que identidade não existe sozinha, ela é atravessada por raça, classe, território, violência, cuidado e ausência de políticas. A partir da ideia de território como campo de resistência, o módulo mostra como paisagens urbanas, periferias, sertões e favelas moldam experiências LGBTI+, criando vulnerabilidades e potências específicas.
O Módulo 1 do projeto Fortalecendo Vozes LGBTI+ "Identidades, corpos e diversidade" é o ponto de partida ético e sensível. Ele convida o participante a compreender quem é, de onde fala e como seus corpos atravessam o mundo. Ao explorar sexo biológico, identidades trans, expressão de gênero e orientação sexual de forma afetiva e política, ele cria base sólida para todo o restante da formação. Saber quem somos é o primeiro passo para lutar por direitos.
Discussão acadêmica, focada primariamente em uma pesquisa sobre Chemsex entre homens gays e outros HSH (homens que fazem sexo com homens) no Brasil. O primeiro orador, Luan, introduz o evento e a próxima apresentação, que visa desenvolver uma linha de cuidados para pessoas que praticam Chemsex no contexto da saúde pública, em parceria com a Universidade de São Paulo. Em seguida, João Marinho de Lima Neto, doutor em análise do comportamento, detalha seu estudo sobre Chemsex, abordando as substâncias mais utilizadas (metanfetaminas, GHB) e as definições conceituais que distinguem Chemsex do uso sexualizado de drogas. A pesquisa exploratória utiliza métodos qualitativos e quantitativos para mapear variáveis antecedentes e consequentes do uso, como busca por prazer, isolamento social e reforçadores sociais, além de propor diretrizes de comunicação e acolhimento para serviços de saúde, enfatizando a necessidade de abordagens sem julgamentos e focadas na redução de danos.
Pesquisa conduzida pelo professor Anderson Reis de Souza, intitulada "Pegação Folia: análise das práticas afetivas sexuais e de saúde e padrões de consumo de aditivos no sexo por HSH no carnaval de Salvador". A pesquisa, realizada por uma abordagem mista (qualitativa e quantitativa), buscou entender os padrões de práticas sexuais e uso de substâncias (conhecidas como "chemsex" ou "sexo aditivado") entre homens que fazem sexo com homens (HSH) durante o Carnaval de Salvador, uma área pouco estudada no Brasil. O pesquisador descreve os desafios na coleta de dados durante o evento de rua, a falta de financiamento e as barreiras institucionais, além de detalhar a metodologia utilizada, incluindo a coleta em campo e a análise de mídias sociais. Por fim, a apresentação lista os estudos futuros planejados a partir dos dados coletados, focados em temas como prevalência de uso, número de parceiros, prevenção combinada ao HIV, e a criação de um modelo lógico e instrumentos brasileiros para a prática do chemsex.