A nossa segurança é proporcional à nossa confiança. Toda a força de Deus está, por assim dizer, em dependência do nosso abandono. O mar de Deus nos sustenta. O abandono provoca o poder e a misericórdia de Deus, move as entranhas do nosso Pai, como quando uma criança, aos prantos, se agarra ao pai, gritando: ‘eu só confio em você! eu só confio em você’. Será que um pai na terra não empregaria toda a sua força para não decepcionar o seu filho que clama dessa maneira? E que poderíamos dizer de Deus, infinitamente bom e todo poderoso, quando pedimos a sua ajuda como se Ele fosse o único possível salvador?
Queres de verdade ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento. Faz o que deves e está no que fazes (São Josemaria, "Caminho", n. 815).
Voltamos de novo à experiência de cada dia, ao relacionamento com as nossas mães da terra. Acima de tudo, o que é que elas desejam para os seus filhos, que são carne da sua carne e sangue do seu sangue? O seu maior sonho é tê-los perto de si. Quando os filhos crescem e não é possível continuarem a seu lado, esperam com impaciência as suas notícias, emociona-as tudo o que se passa com eles: desde uma ligeira doença até os eventos mais importantes.
Olhai: para nossa Mãe Santa Maria, jamais deixamos de ser pequenos, porque Ela nos abre o caminho para o Reino dos Céus, que será dado aos que se fazem crianças. De Nossa Senhora não devemos separar-nos nunca. Como a honraremos? Procurando a sua intimidade, falando-lhe, manifestando-lhe o nosso carinho, ponderando no coração as cenas da sua vida na terra, contando-lhe as nossas lutas, os nossos êxitos e os nossos fracassos (São Josemaria, “Amigos de Deus”, n. 290).
Um dia - não quero generalizar; abre teu coração ao Senhor e conta-lhe a tua história -, talvez um amigo, um simples cristão igual a ti, te fez descobrir um panorama profundo e novo, e, ao mesmo tempo, antigo como o Evangelho. Sugeriu-te a possibilidade de te empenhares seriamente em seguir Cristo, em ser apóstolo de apóstolos. Talvez tenhas perdido então a tranquilidade e não a tenhas recuperado, convertida em paz, enquanto livremente, porque te apeteceu - que é a razão mais sobrenatural -, não respondeste sim a Deus. E veio a alegria, forte, constante, que só desaparece quando te afastas dEle (São Josemaria, “É Cristo que Passa”, n. 1).
Querei-vos muito uns aos outros. E ao dizer isto, digo-vos o que está no âmago do cristianismo: Deus caritas est (I Ioann. IV, 8), Deus é carinho. Estais lembrados daquele João, nosso padroeiro, que é também um bom modelo para aprender a amar Jesus Cristo?
Quando estava já velho, velho, velho, embora devesse sentir-se jovem, jovem; quando talvez quase nem pudesse falar, porque o corpo já não reagia, repetia aos seus discípulos: Filioli, diligite alterutrum (São Jerônimo, In epist. ad Galat., comm. 3, 6).
Filhos da minha alma, amai-vos uns aos outros, que o resto é conversa. Deixai-vos de simpatias e antipatias; nós agimos sobrenaturalmente. Querei-vos! Querei-vos de verdade (São Josemaria, Tertúlia, 19-III-1964.).
“No curral de Belém, tocam-se céu e terra (...). O céu não pertence à geografia do espaço, mas à geografia do coração. E o coração de Deus, na Noite santa, inclinou-Se até ao curral: a humildade de Deus é o céu. E se formos ao encontro desta humildade, então tocamos o céu. Então a própria terra se torna nova" (Bento XVI, Homilia, 24/12/2007).
O sinal admirável do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e fascínio. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele” (Papa Francisco, ADMIRABILE SIGNUM, Carta Apost. 12/19, n. 1).
Algumas vezes - ouviste-me comentar isso com frequência -, fala-se do amor como se fosse um impulso para a autossatisfação, ou um mero recurso para completar de modo egoísta a própria personalidade.
- E sempre te disse que não é assim: o amor verdadeiro exige que saiamos de nós mesmos, que nos entreguemos. O autêntico amor traz consigo a alegria: uma alegria que tem as suas raízes em forma de Cruz (São Josemaria, "Forja", n. 28).
Recolhimento espiritual - dezembro 2025
Recolhimento espiritual - dezembro 2025
“Ela pisa com os seus calcanhares as sarças secas do inverno e, a seus pés, já florescem as rosas da primavera. Ela nos lança o seu rosário convidando-nos a subir. Sim, Mãe de Deus, imagem Dele: contigo queremos ir subindo, de rosa em rosa, até chegar à felicidade infinita” (Paul Claudel, “Señor, enseñanos a orar!”, Excelsa, Buenos Aires, 1946, p. 73-74).
A nossa entrega nos confere como um título – um direito, vamos dizer assim – às graças convenientes para sermos fiéis ao caminho que empreendemos um dia, porque Deus nos chamou. A fé nos diz que, qualquer que seja a circunstância pela qual atravessemos, essas graças não nos faltarão se não renunciamos voluntariamente a elas. Mas nós precisamos cooperar.
Deste modo vos asseguro que o diabo se afasta, porque não cabe, não encontra espaço na alma de quem quer estar unido a Deus, que coloca os meios e não se fecha na sua solidão (São Josemaria).
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6, 56).
Não humanizamos nós a Deus Nosso Senhor quando o recebemos: é Ele quem nos diviniza, nos eleva, nos levanta. Jesus Cristo faz o que a nós é impossível: sobrenaturaliza nossas vidas, nossas ações, nossos sacrifícios. Ficamos endeusados (SãoJosemaria, Apuntes de la predicación, 06/70).
Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos.
Motivações extrínsecas: aquilo que nos faz obter, do nosso entorno, uma recompensa tangível ou intangível, pelas nossas ações;
Motivações intrínsecas: a satisfação interior e o aprendizado que podemos adquirir, de acordo com a interação com o meio;
Motivações transcendentes: dar ou querer dar / contribuir com algo que está no nosso meio.
Recolhimento espiritual - novembro 2025
Recolhimento espiritual - novembro 2025
"Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo" (Mt 2, 2). Foi o que aconteceu conosco. Nós também percebemos que pouco a pouco se acendia na alma um novo resplendor: o desejo de sermos plenamente cristãos; se assim me posso exprimir, a ânsia de tomarmos Deus a sério. Se cada um de nós se pusesse agora a contar em voz alta o processo íntimo da sua vocação sobrenatural, os outros perceberiam que tudo isso era divino. Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo e a Santa Maria, por meio da qual nos vêm todas as bênçãos do céu, este dom que, juntamente com a fé, é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, como também necessária, a santidade no meio das ocupações profissionais, sociais... (São Josemaria, "É Cristo que Passa", n. 32).
“No meio de crises e tempestades, o Senhor interpela-nos e convida-nos a despertar e a ativar esta solidariedade capaz de conferir solidez, apoio e um sentido a estas horas em que tudo parece naufragar. A criatividade do Espírito Santo nos encoraje a gerar novas formas de hospitalidade familiar, fraternidade fecunda e solidariedade universal” (Papa Francisco, Audiência, 02/09/2020).
Faz-me tremer aquela passagem da segunda epístola a Timóteo, quando o Apóstolo se dói de que Demas tenha fugido para Tessalônica, atrás dos encantos deste mundo... Por uma bagatela, e por medo das perseguições, atraiçoa a tarefa divina um homem que São Paulo cita, em outras epístolas,
entre os santos. Faz-me tremer, conhecendo a minha pequenez; e leva-me a exigir de mim fidelidade ao
Senhor até nos fatos que podem parecer indiferentes, porque, se não me servem para unir-me mais a Ele, não os quero! (São Josemaria, "Sulco", n. 343).