Neste episódio, os Ritmos Sagrados trazem mais uma sugestão de resolução para o Novo Ano: a prática do silêncio. Para alguns, o tempo de silêncio é uma necessidade; para outros, pode ser incómodo ou até perturbador. Na vida cristã, a disciplina do silêncio e da solitude é essencial para libertarmos espaço para escutarmos a voz de Deus. Deus, que é Amor, quase sempre nos fala calma e suavemente e, se não pararmos e sossegarmos o nosso ritmo frenético e os muitos ruídos à nossa volta (e até dentro de nós), como esperamos conseguir escutá-Lo?
Feliz Ano Novo!
Também os Ritmos Sagrados propõem cinco resoluções para 2026. Ao longo de Janeiro, iremos meditar em passagens bíblicas que convidam à alegria, ao silêncio, à gentileza, ao autodomínio e à esperança. São dons que podem e devem ser praticados para que se tornem parte essencial do carácter de qualquer cristão e fundamento de uma vida plena e abundante. A primeira proposta de resolução desta Lectio é a da Alegria, uma alegria que tem a sua razão de ser em Deus e que, portanto, é independente das circunstâncias externas.
Com o Apocalipse chegamos ao fim da grande narrativa bíblica, só para descobrirmos que o fim é afinal um novo começo. A revelação que vai da Criação à Cruz é a de um Deus que sempre quis ser Deus Connosco, ser Presente na vida do Ser Humano, ao ponto de se fazer um de nós para que nós pudéssemos ser um com Ele. Nos últimos capítulos das Sagradas Escrituras temos um vislumbre desse novo Advento, em que Jesus virá novamente e o Seu Reino será uma realidade na Terra como no Céu.
No capítulo 2 do Evangelho de Lucas, que relata o nascimento de Jesus, a manjedoura é mencionada três vezes. Tal como o anjo anunciou aos pastores que guardavam os rebanhos, ela é o sinal, a referência da chegada do Salvador do mundo! O Reino de Deus irrompe aparentemente frágil e insignificante, contrastando com os reinos e impérios deste mundo e fazendo-nos reflectir acerca do verdadeiro sentido deste advento, da razão da Boa Nova que celebramos!
O Evangelista João relata o nascimento de Jesus de forma muito diferente da dos outros Evangelhos, nomeadamente Mateus e Lucas. Ao invés de narrar a história bem conhecida do 1º Natal, ele vai reescrever o relato da Criação, a génese de todas as coisas, o princípio do "haja luz"... à luz de Cristo. Para João, Jesus é o logos, o Verbo, a Palavra de Deus, por meio de quem tudo foi criado. E essa Palavra tornou-se carne e veio habitar entre nós, connosco, como um de nós. A Palavra que é Vida e Luz!
O Advento é um tempo de espera e de esperança, que pode e deve moldar cada um dos nossos ritmos diários, um tempo em que pausamos daquilo que constantemente nos distrai e, tal como Maria, preparamos o nosso coração para acolher Jesus.
Este livro estranho e ao mesmo tempo maravilhoso encerra o Cânone Bíblico. O género é apocalíptico, que aponta para "revelação do que está oculto", e a forma é de uma carta escrita às igrejas por João, o qual teve uma visão e deseja dar-lhes a conhecer. E essa revelação é centrada em Jesus, Messias, o Cordeiro, que realiza os propósitos de Deus, Todo-Poderoso, mesmo quando nos parece que o mundo é controlado por outros "senhores" e poderes. Ele é o Cordeiro que foi morto para nos dar vida e está assentado ao lado de Deus!
Chegamos assim ao fim de ano e meio de lectio divinas semanais, que começaram no Génesis e terminam no Apocalipse com este episódio. Para a semana, iniciaremos o tempo de advento, preparando o nosso coração para as Boas Novas de grande alegria!
Ao chegarmos ao penúltimo livro do Novo Testamento, deparamo-nos com esta carta pouco conhecida e cujo conteúdo nos soa um pouco estranho. A razão disso prende-se sobretudo com a situação específica que o autor sente necessidade de confrontar e com as citações que ele faz de textos hebraicos extracanónicos. Todavia, no essencial, Judas diagnostica comportamentos pouco saudáveis que estavam a minar a vivência espiritual daquela igreja, advertindo os crentes para esse perigo e exortando-os a serem vigilantes na sua fé e a perseverarem naquilo que era o verdadeiro Evangelho.
Na mais pessoal das epístolas joaninas, o seu autor exalta as qualidades de fidelidade e de hospitalidade de Gaio, contrastando o seu exemplo com o de outro irmão, Diótrefes, que se mostrava autoritário e fechado à comunhão com irmãos viajantes.
Ora, no 1º século a.D. a hospitalidade dos cristãos foi essencial à propagação da fé. E vinte séculos depois? A hospitalidade cristã é ainda um carisma, um dom do Espírito para acolhermos o outro com generosidade e com abertura, seja abrindo na prática as portas de nossa casa, seja oferecendo ao outro um espaço de escuta e de compaixão. É sempre uma manifestação visível do amor de Deus que acolhe todos.
Há duas verdades que o autor das epístolas joaninas não se cansa de frisar. A primeira é que Deus é amor e se dizemos que somos seus filhos, o amor deve ser também a marca da nossa vida. A segunda é que Deus encarnou em Jesus, fez-se homem, tomou a nossa condição humana e suportou o castigo da nossa rebeldia, e essa é a maior prova do seu amor por nós. Portanto, João é peremptório: qualquer um que negue a humanidade de Jesus e qualquer que não siga o seu exemplo de amor, não tem parte em Deus.
Como bem sabemos, o amor é um verbo. De nada vale dizer que amamos, se isso não se traduzir em gestos e atitudes que atestem que amamos verdadeiramente. E, de acordo com o autor da 1ªCarta de João, de nada vale dizer que conhecemos a Deus, se não amamos. A própria natureza de Deus é Amor e, portanto, se somos seus filhos, o seu amor está em nós e flui em direção aos outros. "Aquele que vive no amor está em Deus e Deus nele." (1ª João 4:16)
O grande apóstolo Pedro sabe que, ao escrever esta carta de Roma, tem provavelmente a sua última oportunidade de se dirigir aos crentes das várias igrejas espalhadas pela Ásia Menor. Portanto, ele adverte-os contra ensinos falsos e enganadores e encoraja-os a nunca deixarem de crescer no conhecimento de Cristo e a desenvolver aqueles traços que caracterizam o próprio Deus. Só dessa forma é que os crentes, ontem e hoje, podem refletir a glória de Deus ao mundo.
O que se diz a alguém quando se acredita que o fim dos tempos está próximo? O grande apóstolo Pedro, escrevendo de Roma, onde acabará por ser morto, desafia os crentes a orar mais, a serem hospitaleiros de forma generosa, a servir melhor e a amar sempre, para que Deus seja glorificado. E quando o cristão age desta forma, "o mundo pula e avança", como diz o poeta. Foi assim que o Cristianismo se expandiu a meio às maiores dificuldades e perseguições e é ainda assim que Cristo é revelado ao mundo hoje.
O Evangelho para ser Boa Nova tem de reflectir-se na prática, nos gestos de cada dia. Uma fé que fica apenas pelas palavras e não vai ao encontro das necessidades do próximo é uma fé estéril ou, nas palavras de Tiago, uma fé morta.
No Sermão do Monte, Jesus resumiu bem o que significa viver o Evangelho e Ele próprio encarnava essa confiança no Pai, que a cada momento se traduzia em amor para com os que o rodeavam.
A fé viva é aquela que se torna corpo, presença e gesto a favor do pobre, do estrangeiro, do marginalizado, do injustiçado. É disso que trata a Carta de Tiago!
Para o autor de hebreus, Jesus é a revelação perfeita de Deus, superior a todas as outras revelações anteriores. É n'Ele que os destinatários desta carta devem depositar a sua confiança, apesar dos desafios e tribulações. E Ele é bastante, o seu sacrifício suficiente, o seu amor pleno!
Sem qualquer exposição doutrinária ou sequer menção à obra salvífica de Cristo, esta pequena carta pessoal de Paulo a Filémon acabou por entrar no cânon bíblico. Porquê? Uma explicação é que ela testemunha da transformação radical que ocorre nos relacionamentos entre pessoas que seguem a Cristo - ela transforma escravos fugidios e rebeldes em cooperadores no trabalho missionário e derruba barreiras entre estratos sociais, tornando cada seguidor de Cristo num irmão. Outra possível explicação é que Onésimo, escravo que um dia fugiu do seu senhor e se converteu aos pés de Paulo, pode bem ter acabado por se tornar no mui estimado bispo da igreja de Éfeso décadas mais tarde. Não sabemos, mas seja como for esta é uma carta cheia de graça, restauração e esperança!
Nas cartas pastorais do apóstolo Paulo em geral, e nesta a Tito, em particular, lemos várias instruções práticas acerca de como os crentes se devem comportar no seu dia-a-dia. Há uma grande preocupação pelo testemunho cristão junto daqueles que ainda não crêem e há uma forte convicção de que Cristo voltará e, portanto, o crente deve estar preparado para a chegada do Rei dos reis. Efectivamente, quando esperamos a chegada de alguém importante, limpamos, decoramos e colocamos tudo em ordem para receber essa visita especial. Quanto mais prontos devemos estar para a vinda de Cristo!
Também esta é uma carta de encorajamento! Provavelmente as últimas palavras escritas do apóstolo Paulo antes do seu martírio em Roma, elas têm o propósito claro de animar o jovem Timóteo na sua missão de pastorear uma igreja cheia de desafios. Elas recordam-no da herança de fé recebida da sua avó e de sua mãe, da confiança que Paulo também depositara nele e, acima de tudo, do Espírito de Deus que o acompanhava sempre, um espírito de coragem, amor e moderação.
Retomamos os Ritmos Sagrados com uma meditação sobre um trecho de uma das cartas pastorais do apóstolo Paulo. Ele escreve a Timóteo, seu colaborador chegado e líder da igreja de Éfeso, encorajando-o e estabelecendo orientações práticas para fazer face aos desafios de uma comunidade cristã emergente. E se há uma prática que Paulo enfatiza sempre nas suas cartas é a da oração. É através da oração que nos colocamos no centro da vontade de Deus e é a partir dela que podemos participar na missão de anunciar o Evangelho a todos!
Na jovem comunidade cristã de Tessalónica havia a ideia que a 2ª Vinda de Cristo estaria para breve e que, assim sendo, não haveria necessidade de continuar a trabalhar ou a cuidar dos deveres quotidianos. Paulo escreve esta segunda carta aos Tessalonicenses para contrariar essa concepção errada, motivando-os a viverem as suas vidas com diligência e responsabilidade. Afinal, a fé nunca deve ser justificação para nos retirarmos da vida, antes deve ser exercitada e aprofundada na nossa vivência diária ao trabalharmos, ao caminharmos uns com os outros, ao construirmos o Reino de Deus na Terra como no Céu!